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45 anos sem
Paulo Emílio Sales Gomes.

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Hoje, 09 de setembro, faz 45 anos do falecimento de Paulo Emílio Sales Gomes. O Memórias Reveladas e o Arquivo Nacional destacam sua importante contribuição ao cinema nacional.
A memória da sétima arte brasileira deve muito a Paulo Emílio Salles Gomes, que nos deixou em 9 de setembro de 1977. Crítico de cinema, escritor, pesquisador, professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Paulo Emílio foi um dos fundadores da Cinemateca Brasileira. Em 1964, Paulo Emílio participou da criação do curso de cinema da Universidade de Brasília. No ano seguinte, criou a 1ª Semana do Cinema Brasileiro, que deu origem ao Festival de Brasília.
No cenário político a ditadura observava de perto seus passos, como podemos ver no documento, da Divisão de Segurança e Informação (SNI) de 1974, onde se lê:
P.1
DATA: 10 de dezembro de 1974
ASSUNTO: PAULO EMÍLIO SALLES GOMES
ORIGEM: DSI/MJ
DIFUSÃO: AC/SNI – CIE- RECISA – DSI/MEC – CI/DPF
Esta Divisão transmite a documentação anexa, versando sobre o assunto e informa que, sobre PAULO EMÍLIO SALLES GOMES, há os seguintes registros:
- Elemento comunista, pertencente à Fundação Cinemateca Brasileira.
- Figura entre os organizadores e colaboradores da revista “ARGUMENTO”.
- Foi professor da UNB, onde foi apontado, em 1965, como um dos que se declararam, abertamente, contra a Revolução de 64.
- Solicitou demissão da UNB, em solidariedade à exoneração de dois professores comunistas.
P.2
CENTRO ACADÊMICO LUPE COTRIN
ESCOLA DE COMUNICAÇÃO E ARTES
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
COMUNICADO
(...) No dia 4 de Novembro, segunda- feira, em nova reunião, o chefe do Departamento de Teatro, Cinema, Rádio e Televisão informou-nos que o Reitor confirmou que o nome do Professor Paulo Emílio Salles Gomes consta em uma lista de 10 (dez) professores desta Universidade, a qual teria sido enviada pelo II Exército, recomendando a não recontratação desses professores, sem contudo esclarecer os motivos de tal recomendação. Tendo em vista a enorme importância do Professor Doutor Paulo Emílio Salles Gomes para o Curso de Cinema da Escola de Comunicações e Artes da USP e para todo o cinema brasileiro, vimos por esse comunicado repudiar veementemente essa arbitrariedade, que fere, entre tantas coisas, a autonomia que os estatutos da Universidade de São Paulo lhe confere. (...) São Paulo, novembro de 1974 (...)
Em resposta, seus alunos organizaram uma carta de protesto contra a não renovação de seu contrato na USP em 1974. A contribuição de Paulo Emílio Salles Gomes para a historiografia, preservação e análise crítica do cinema brasileiro é inestimável. Suas reflexões sobre a produção cinematográfica brasileira, na condição de país subdesenvolvido e dominado pelo mercado norte-americano, são base para a pesquisa e o reconhecimento sobre o cinema nacional.