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18 de dezembro de 1942 – 27 de abril de 2015
Inês Etienne Romeu
Em 1979, Inês Etienne Romeu, única sobrevivente da Casa da Morte de Petrópolis, entregou seu depoimento ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), denunciando torturas e abusos a que foi submetida durante o período que viveu em cárcere clandestino. Durante 96 dias, foi submetida à violência física, sexual e psicológica, humilhações e perseguição, instrumentos de terror de um regime que utilizou instituições e agentes do Estado para eliminar opositores.
No ano de 2014, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) retomou esse capítulo doloroso e, com auxílio do relato de Inês Etienne no Auditório do Arquivo Nacional, identificou seus torturadores, que usavam codinomes como Pardal, Camarão, Carneiro e Pepe, além do proprietário Mario Lodders. Os depoimentos corroboram que o espaço funcionava como centro clandestino de tortura, execução e ocultação de corpos, revelando uma rede de violência articulada pelo aparelho repressivo da ditadura.
O acervo da CNV, sob a guarda do Arquivo Nacional, reúne os relatórios parciais sobre a Casa da Morte, testemunhos, denúncias e farta documentação sobre o caso. Mais do que um registro pessoal, a memória de Inês e a validação de seu relato pela CNV é documento de interesse público que aponta para a urgência das políticas de memória, verdade, justiça e reparação para a prevenção à tortura e a não repetição das violações de direitos humanos.
Um ano após o testemunho, em 27 de abril de 2015, Inês faleceu. Sua memória, no entanto, permanece viva e inspira as vozes que hoje se levantam e lutam pela ressignificação do espaço da Casa de Petrópolis. Inês Etienne, presente!