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25 de novembro
Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres
Em 25 de novembro de 1960, as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa) foram assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo, na República Dominicana, por fazerem oposição ao governo. Tornaram-se símbolo da resistência popular e da luta feminista. Em 1999, as Nações Unidas (ONU) reconhecem a data como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.
O dia tornou-se então um convite para recordar e combater as violências historicamente sofridas por mulheres. No Brasil, entre os 434 mortos e desaparecidos pela ditadura militar reconhecidos no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade, 51 são mulheres. À sombra deste número, estão dezenas de rostos, sonhos, histórias de vida. Mulheres que, sobretudo, não aceitavam a resignação socialmente imposta. Optaram por resistir e lutar por liberdade, ainda que as condições sociais e biológicas femininas tornassem o preço sempre muito alto.
Heleny Guariba foi uma dessas mulheres. Paulista, cursou filosofia na USP e deu aulas na Escola de Arte Dramática de São Paulo. Entre 1965 e 1967, especializou-se na Europa e, ao voltar ao Brasil, dirigiu o grupo de teatro da prefeitura de Santo André (SP). Foi casada com Ulisses Telles Guariba, com quem teve dois filhos e exerceu a militância na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) até a separação do casal, em 1969.
Em março de 1970, foi presa por sua atuação na VPR e brutalmente torturada no DOI-CODI/SP. Chegou a ser internada no Hospital Militar, em função de hemorragia provocada pelos espancamentos sofridos. Foi solta em abril de 1971 e mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 12 de julho, foi presa novamente e nunca mais encontrada. Segundo depoimento de Inês Etienne Romeu, única sobrevivente da Casa da Morte de Petrópolis (RJ), Heleny Guariba esteve presa em julho de 1971, sendo barbaramente torturada com choques elétricos em seus órgãos genitais por três dias.
Erradicar a violência de gênero, em todas as esferas, deve ser uma luta humanitária mundial pelo fim de relações sociais desiguais e hierárquicas de poder entre homens e mulheres.
Em memória de Heleny, Pátria, Minerva, Maria Teresa e de tantas mais.