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24 de março de 1976
50 anos do golpe na Argentina
O Dia Internacional da Memória ou Dia do Nunca Mais, 24 de março, é a data do golpe militar ocorrido na Argentina em 1976, um dos acontecimentos mais traumáticos da história do país. 50 anos atrás, as Forças Armadas depuseram o governo constitucional de Isabel Perón e instituíram uma Junta Militar na presidência. O golpe deu início a um período de repressão sistemática aos opositores e graves violações de direitos humanos. Estima-se que cerca de 30 mil pessoas foram sequestradas e mortas durante a ditadura argentina que perdurou
até 1983.
A ausência de esclarecimentos sobre o paradeiro das vítimas de desaparecimentos forçados impulsionou um movimento inédito. Usando pañuelos brancos sobre os cabelos, as mães de desaparecidos passaram a se reunir para exigir informações sobre seus filhos e filhas. O primeiro encontro aconteceu em 30 de abril de 1977, quando catorze mulheres se reuniram na histórica Plaza de Mayo em Buenos Aires. Caminhando em círculos ao redor da praça, deram origem à famosa ronda silenciosa das quintas-feiras, realizada até hoje.
Entre os desaparecidos estavam centenas de mulheres grávidas, mantidas em centros clandestinos de detenção. Muitas deram à luz em cativeiro e seus bebês foram retirados e entregues ilegalmente a outras famílias, configurando uma política sistemática de apropriação de crianças levada adiante pelo regime.
Com o tempo, algumas das Madres de Plaza de Mayo também passaram a buscar por seus netos, nascidos em cativeiro ou sequestrados junto com seus pais, dando início ao movimento das Abuelas de Plaza de Mayo.
O documento em destaque, produzido pelo movimento de mães e avós na Argentina, integra o relatório de pesquisa sobre o Acervo Clamor. Milhares de páginas de documentos sobre as ditaduras latinoamericanas podem ser consultadas no fundo Comissão Nacional da Verdade do Arquivo Nacional.
E na próxima semana, o Centro de Referência Memórias Reveladas receberá Maria Fabiana de Almeida, representante do movimento Madres de Plazo de Mayo - Línea fundadora, para conversar sobre os arquivos de direitos humanos na Argentina e as aproximações entre Ditadura, Arquivos e Memória.
Mais informações sobre o evento na bio.