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Humanidades Digitais no MAST: Seminário e Oficina abordam novos métodos e ferramentas de pesquisa
Aconteceu no MAST: Seminário e Oficina sobre Humanidades Digitais
Organizados pela Coordenação de História das Ciências (COCIT), o “II Seminário de Humanidades Digitais - Do analógico ao digital: perspectivas e desafios para a História das Ciências” e a “3ª Oficina de Acervos Audiovisuais e Relatos em História Oral” aconteceram no MAST, nos dias 18 e 19 de março, respectivamente
Acervos Digitais
A mesa de abertura do Seminário foi composta por Marcio Rangel, diretor do Museu, e Alfredo Tolmasquim, ex-diretor do MAST, pesquisador da COCIT e organizador do evento.
A primeira apresentação do Seminário foi do historiador Tiago Lima Nicodemo, diretor-geral do Arquivo Público de São Paulo e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em sua fala, Tiago frisou a importância de os pesquisadores pensarem, a partir de agora, na guarda dos acervos que já nascem digitais. São os materiais produzidos a partir desta nova era e que precisam ser armazenados e tornados acessíveis para pesquisas. Ele reforçou a necessidade de centros de pesquisa pensarem a criação e a manutenção de repositórios digitais, como maneira de garantir a preservação e a disponibilização destes acervos.

O pesquisador citou acontecimentos do cotidiano que, por conta da Internet, extrapolam o universo de pesquisadores e alcançam rapidamente o conhecimento em escala mundial. Um exemplo sobre essa mudança na velocidade da informação, lembrou, foi a tragédia do Holocausto, que só ganhou publicidade mundial a partir de 1942 - três anos após o início da II Guerra Mundial.
- “O caso oposto foi o chamado "11 de Setembro de 2001", nos Estados Unidos, quando o mundo pode acompanhar online a explosão das Torres Gêmeas. As TVs mostravam ao vivo e a população no entorno fazia as próprias imagens”, afirmou.
As discussões seguiram com Juliana Marques, doutora em Sociologia e servidora do MAST, falando sobre sua experiência no trabalho de elaboração de acervos utilizando ferramentas de pesquisa. Um destes trabalhos foi sobre a figura do ex-presidente Ernesto Geisel, o penúltimo ditador do ciclo militar no Brasil. A pesquisadora explicou que foram utilizadas técnicas de mineração de textos que garantiram a análise de cerca de 67 mil páginas de documentos, no período de 2015 a 2017. Outra figura histórica sobre o qual Juliana pesquisou, utilizando as mesmas técnicas, e cujo material será transformado em livro a ser lançado em breve é Juarez Távora. Personagem da primeira metade do século passado, Távora integrou a Coluna Prestes. Teve longa carreira política até ser cassado pela ditadura militar.
Luiza Lobato (Laboratório de Humanidades Digitais / PUC‑Rio), também falou sobre técnicas que ampliam o aspecto histórico dos acervos, mas que permitem lançar um olhar crítico sobre os mesmos:
- Precisamos avaliar o que podemos considerar "memória" - afirmou.
Ex-bolsista do MAST e hoje pesquisador na universidade portuguesa de Évora, Anderson Antunes também participou do Seminário e salientou que é fundamental que os estudiosos das Humanidades Digitais lembrem que é preciso alcançar um público que vai além do ambiente acadêmico.
- As humanidades digitais não trazem apenas novas ferramentas, mas novas formas de interagir com a documentação, de formular perguntas, histórias, cruzar evidências e visualizar relações que, em suportes tradicionais, muitas vezes permanecem dispersas ou invisíveis. Elas trazem, ainda, novas formas de comunicar o conhecimento histórico para o público - frisou.

Na segunda parte do Seminário, o público pôde também acompanhar a palestra “Das Estantes ao Ciberespaço: Organização do Conhecimento e a Complexa Identidade da História da Ciência”, ministrada por Ana Maria Alfonso‑Goldfarb e Márcia Ferraz, pesquisadoras do Núcleo de Humanidades para Ciência e Tecnologia da PUC-SP. Em uma apresentação conjunta, as duas recuperaram o percurso que resultou na montagem da CESIMA Digital, uma das primeiras bibliotecas universitárias digitais do país.
Para fechar o dia, a mesa “Pesquisa e preservação em ambientes digitais” contou com as participações de Cláudia Lacombe, pesquisadora do Arquivo Nacional, e Luis Sayão, servidor da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Enquanto Cláudia falou sobre os desafios que envolvem a preservação e o acesso às fontes digitais, Luis encerrou o Seminário trazendo à tona a questão do reuso de acervos digitais científicos e culturais.
Acervos Audiovisuais e Relatos de História Oral
No dia 19, uma oficina trouxe a oportunidade para que o público participasse diretamente do evento. Após palestras com Nicholas Andueza, da Central Técnica da Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM), e conversas com Alyne dos Santos Goncalves (Instituto Nacional da Mata Atlântica/ES), Lucas Erichsen (Instituto Nacional da Mata Atlântica/ES) e Anmily Paula Martins (Laboratório Nacional de Computação Científica/RJ) sobre a importância da captação e preservação dos relatos em História Oral, os participantes puderam produzir roteiros de montagem, com o auxílio de Sayd Mansur, pesquisador que integra o projeto Vozes da Ciência no Brasil, do MAST.
