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Os 91 anos do astrônomo mais popular do Brasil
Hoje, 25 de maio, Ronaldo Freitas Mourão faria 91 anos. E embora seu signo solar indicasse ser de Gêmeos, regido por Mercúrio, Mourão era completamente cético quando o assunto era Astrologia. Considerava a pseudociência produto de superstições. Mas ele era, sim, adepto dos temas da Astronomia. Foi, por décadas, o principal incentivador de estudos astronômicos e de sua popularização. Este ano, completam 70 anos que Ronaldo Mourão ingressou na Universidade do Distrito Federal (atual UERJ) e tornou-se auxiliar no Observatório Nacional. Foi neste local de trabalho, ao qual se dedicou até a morte, que seria erguido, em 1985, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), instituição que ajudou a fundar.
Mourão foi casado, teve quatro filhos, e era tal sua devoção à Astronomia que ele fincou residência no mesmo espaço onde estão instalados hoje o Observatório Nacional e o MAST. Desenvolto diante das câmeras de TV e dos microfones de rádio, ele ajudou a popularizar a Astronomia, falando sobre o tema para leigos de maneira popular. Uma das suas ações foi a criação de radionovelas, onde narrava histórias ligadas aos planetas distantes. Nestas, além de narrador, figurava como roteirista.
O esforço de Ronaldo Mourão para criar o MAST, uma instituição voltada à preservação de documentos históricos e equipamentos, como lunetas e telescópios, teve uma razão até particular. Ele guardava em casa objetos raros adquiridos, em parte, em sebos e feiras de antiquários, sujeitos à perda e deterioração. Mourão ficava inconformado com o pouco valor que se dava a uma parte da história guardada em papel.
Assim, ajudou a reunir assinaturas de pessoas influentes em todo o país, como artistas, políticos e especialmente cientistas, e conseguiu apoio político para a criação do MAST. A instituição já nasceu com um vasto acervo para visitação e pesquisa e com a missão de preservar e recuperar toda essa história.
Ainda em 1985, como sinal de que vivia um ciclo auspicioso, Ronaldo viu seu nome ser utilizado para batizar um asteróide por ele descoberto cinco anos antes. O Asteróide 2590 Mourão, localizado no cinturão principal de asteróides, foi tornado oficial com a publicação de seu nome na Mirror Planet Circular.
Mourão faleceu em 2014. O astrônomo brasileiro que encarnava o cientista imaginário das histórias de aventuras, com densa cabeleira branca e óculos com grossas lentes, acumularia muitas homenagens ao longo da vida. Foram centenas de entrevistas e livros, entre eles “Astronomia na época dos descobrimentos“, que lhe rendeu o principal prêmio da literatura brasileira: do Jabuti, em 2001, na Categoria Ensaios.