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Revista Museologia e Patrimônio Parceria MAST-PPG-PMUS alcança grau A3 do CAPES
A Revista Museologia e Patrimônio, uma parceria MAST-PPG-PMUS, alcançou nota A3 conferida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A conquista coloca o periódico muito próximo de outras respeitáveis publicações nacionais e estrangeiras - graus A2 e A1. Editor responsável pela publicação desde 2012, o engenheiro, docente e pesquisador Marcus Granato divide o feito com os demais colaboradores nos mais variados períodos, entre eles: Diana Farjala Correia Lima e Monique Magaldi, ambas docentes da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO -, e ao egresso de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (PPG-PMUS), Antonio Carlos dos Santos Oliveira, que trabalhou na revista durante o período em que fez parte como bolsista do Programa de Capacitação Institucional do MAST.
A Comunicação conversou com Marcus Granato.
Comunicação - Qual a importância da Revista Museologia e Patrimônio alcançar este estágio que a deixa muito próxima das publicações internacionais mais procuradas?
Marcus Granato - A Revista Museologia e Patrimônio é a primeira revista nacional acadêmica no campo da Museologia. E assim, espera-se que ela seja referência para outras revistas que surjam e se constitua num fórum de discussão das pesquisas realizadas no campo. Deste modo, possa promover articulações entre articuladores e grupos de pesquisa. E quanto mais
qualificada é a revista, mais atrairá pesquisadores. Cada arquivo publicado em revistas mais qualificadas tem uma pontuação maior junto à CAPES. .
C- - É claro que a caminhada até aqui, como editor da publicação, não foi nada fácil. O que mudou de 2008, quando do primeiro número da revista, até hoje?
MG - Nâo foi nada fácil mesmo. Isso porque desenvolvemos a revista sem patrocínio. As agências de financiamento do setor acadêmico financiam o desenvolvimento, a impressão e até a publicação de revistas acadêmicas. No entanto, para que isso aconteça, é necessário que as publicações estejam em nível de qualidade bastante elevado. Com este critério, somente as revistas já consagradas conseguem recursos. Isso tem um lado compreensível, mas, por
outro lado, as publicações que estão iniciando as suas atividades ficam de fora. A ausência de recursos traz dificuldades bastante significativas. É o nosso caso: nunca tivemos financiamento. Tudo foi feito por nós mesmos: textos, contatos com autores, pré-avaliação, escolhas dos pareceristas, retornos dos pareceres, revisões, enfim... tudo foi feito por nós mesmos. Todo o trabalho fica na mão dos editores.
C - Neste último número houve recurso externo da UNIRIO?
MG -. A UNIRIO utilizou, através de verbas de pesquisa, para fazer a parte de revisão ortográfica, formatação, textos, modelos e etc. Isso foi muito importante e esperamos poder contar com a continuidade deste apoio. Mas a experiência, por outro lado, foi muito gratificante. Cada número da revista que sai é uma certeza de que há uma contribuição significativa para o desenvolvimento do campo. A escolha da capa, por exemplo, é feita por mim, com a orientação dos outros editores e produzida pelo Ivo Almico. E percebemos que aumentou o nível de exigência de todos os campos acadêmicos. E isso deve-se à própria atuação da CAPES junto aos programas de pós- graduação stricto sensu do país. A elevação dos níveis de qualidade se refletem nas revistas.
C - Isso aumenta a responsabilidade?
MG - Sim. Com certeza aumenta muito a responsabilidade. As poucas pessoas que trabalharam na revista precisaram se desdobrar. E obviamente nós não fazemos apenas a revista: damos aula, orientamos alunos, fazemos pesquisas, projetos, gestão.
C - A avaliação de excelência alcançada pela revista fará aumentar a procura de pesquisadores interessados na publicação de trabalhos. Fale sobre isso.
MG- Esperamos que sim. Isso vai ampliar o interesse porque a publicação em revista gera pontos para os autores. E pontua para o programa de pós-graduação onde estes autores são professores. O que os coordenadores de pós-graduação fazem é pressionar seus professores para que publiquem muito e em revistas bem qualificadas. Isso vai gerar mais pontos para o programa de pós-graduação elevando seu nível de qualidade. Recentemente, elevamos o
nível do nosso programa de pós-graduação Museologia e Patrimônio e passamos do nível 4 para o 5. É algo que buscávamos há muitos anos.
C - E isso exigirá mais recursos?
MG - Sim. Levará editores e coordenadores do programa de pós-graduação, a que a revista está ligada, a buscar fonte de recursos para melhorar o fluxo e reduzir o excesso de trabalho. Claro que a avaliação final, a verificação da qualidade da publicação, da forma que está publicada e a escolha da ordem em que os textos são publicados, definição da capa e etc., sempre estarão nas mãos dos editores. Mas sem a ajuda tudo ficará muito difícil.
C - Quantos são os leitores cadastrados da Revista Museologia e Patrimônio? Podemos esperar um crescimento a partir da nova avaliação?
MG - São cerca de quatro mil cadastrados na base da revista. Um número que considero muito bom. É uma revista antiga. Ela acompanhou a ampliação do campo e do número de graduações e pós-graduações na área. Quando a revista foi criada, só havia o nosso programa. Depois é que conseguimos criar o curso em nível de doutorado. Isso porque evoluímos do nível, na CAPES, de 3 para nível 4. Agora alcançamos o patamar 5. Mas a nossa meta é o 6 e em seguida o 7. São os mais elevados e nos colocariam no nível internacional.
C - O que representa, para o pesquisador, a publicação do seu trabalho numa revista acadêmica?
MG - É uma das atividades do pesquisador. É quando são apresentados para a comunidade os resultados da pesquisa que ele fez. E, sendo publicado, receberá uma leitura crítica daqueles que têm interesse no tema. E estes leitores poderão concordar ou não. Por isso é necessário que o pesquisador tenha muito cuidado com o que está escrevendo. É importante que não paire nenhuma dúvida sobre o que foi feito ou sobre os procedimentos usados. O mérito da publicação será reconhecido pela comunidade.
C - O trabalho coletivo é importante nestas conquistas. O que você diria sobre as pessoas envolvidas com você neste projeto?
MG - Tive poucas pessoas trabalhando comigo, mas sempre de forma muito colaborativa. Sempre contamos com o auxílio luxuoso do artista plástico Ivo Almico, que trabalha na Coordenação de Museologia do MAST, para a elaboração das capas. E também editora e professora Diana Farjalla Correia Lima. Nós contratamos uma tradutora profissional, de língua inglesa, e também uma outra em espanhola para que a apresentação de cada número da revista saísse também nestes dois idiomas. E nós nos responsabilizávamos pelo pagamento deste trabalho. Mais recentemente, o programa, nos últimos números, assumiu este pagamento. Nos últimos dois anos, um doutor em Museologia e Patrimônio, que foi meu aluno no doutorado, Antonio Carlos dos Santos Oliveira, nos deu uma boa ajuda ao atualizar a versão do software que usávamos para a edição da revista. Então ele e a professora Monique Magaldi, da UNIRIO, se disponibilizaram e se tornaram divisores de água. Afinal, nos permitiram colocar a revista num formato mais contemporâneo. Outra pessoa muito importante foi Bruno Araújo, professor da UFPE. Ele nos auxiliou como editor por um período curto, mas muito significativo.
C - Com este reconhecimento, a possibilidade de conquistar status mais elevados, A2 e A1, torna-se uma meta?
MG - Temos publicações brasileiras com nível A2, assim como há revistas estrangeiras num nível inferior. Eu diria que, estando agora no nível A3, sabemos que chegar aos níveis A2 e A1 é uma subida longa. Para alcançar um degrau mais elevado é necessário que a revista esteja indexada em bases internacionais. E esta indexação é difícil. Exige muito trabalho. A menos que consigamos recursos razoáveis de financiamento, que nos permitam traduzir todos os textos para o inglês e ainda conseguir que a revista seja incluída nas bases estrangeiras, será muito difícil para níveis superiores. Mas estamos todos satisfeitos e seguros na nossa caminhada.