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MAST lança Programa de História Oral da C&T
Solenidade de abertura do evento de lançamento do Programa de História Oral da Ciência e Tecnologia do MAST
Foi lançado nesta quinta-feira (12), o Programa de História Oral da Ciência e Tecnologia (ProHOCT) do Museu de Astronomia e Ciências Afins. A cerimônia ocorreu no auditório Ronaldo Morão, no MAST. Diante de dezenas de representantes do mundo científico, ligados a associações e instituições de pesquisa, o programa foi apresentado pela coordenadora de História da Ciência e Tecnologia, Larissa Medeiros, numa mesa integrada também pelo diretor do MAST, Marcio Rangel, Everaldo Frade, da Coordenação de Documentação e Arquivo e pela subsecretária das Unidades de Pesquisa e Organizações Sociais do MCTI, Isa Assef, representando a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
O programa, pioneiro entre as unidades de pesquisa do MCTI, tem o objetivo de incentivar a produção, a guarda, a preservação, a pesquisa e a divulgação de entrevistas de história oral que contribuam para o entendimento da história e do processo de constituição da ciência e da tecnologia no Brasil.
Às voltas com uma sessão no STF que dizia respeito ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), a ministra Luciana Santos não pode comparecer. No entanto, gravou um vídeo onde enfatizou a importância da criação do programa pelo MAST:
- Este programa é fundamental para a preservação da História para as futuras gerações e revela nosso compromisso com a Cultura e a Ciência - disse.
A ministra lembrou que a História Oral é um farol para a preservação do patrimônio.
Após a fala exibida em um telão, o diretor Marcio Rangel assinou digitalmente a portaria que instituiu o programa. Em seu discurso, Rangel lembrou que dois anos antes da criação do MAST, em 1983, um dos fundadores do Museu, o astrônomo Ronaldo Mourão, defendeu em uma carta encaminhada ao então presidente do CNPQ, Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque, a necessidade de criação de um museu no Brasil que preservasse a memória, incluindo registros de depoimentos orais de cientistas e administradores da política científica - dada a sua importância para a pesquisa e a preservação.
- E 40 anos após a inauguração do museu, cá estamos colocando em prática o anseio de um cientista que foi fundamental para a criação do MAST - lembrou Rangel.
Responsável por instituir o grupo de trabalho que estruturou o ProHOCT, Larissa Medeiros, que será a coordenadora do programa, lembrou que não apenas a COCIT e a CODAR, envolvidas diretamente neste processo, serão beneficiadas, mas todas as áreas finalísticas do MAST:
- As demais áreas também poderão trabalhar com estas entrevistas que serão transcritas e terão usos diversos como iniciativas de divulgação científica, exposições, organização de acervos e pesquisa.
Everaldo Frade, que substituiu o coordenador da CODAR, José Benito Abellas, disse que o trabalho de sistematização e tratamento das entrevistas vai garantir o uso de procedimentos éticos adequados. Ele lembrou que o MAST possui atualmente 70 arquivos pessoais, 50% deles já catalogados e disponibilizados para pesquisadores. Entre os trabalhos disponíveis estão os de matemáticos, físicos e astrônomos.
Representante da ministra Luciana Santos, Isa Assef lamentou que as instituições de pesquisa experimentem historicamente problemas como falta de equipamentos e capacidade de contratar mão de obra qualificada, o que compromete o avanço mais sistemático de iniciativas como essa:
- Há escassez de recursos humanos e unidades de pesquisa. Por isso, os cientistas brasileiros merecem destaque. A Ciência é a nossa luta e o nosso sacerdócio - afirmou.
Isa Assef salientou que o trabalho de pesquisa torna-se ainda mais importante agora quando a Ciência e a verdade histórica estão sob ameaça das fakenews: "nossos esforços e atenção precisam ser redobrados".
Elementos da História Oral são fonte de pesquisa
Primeira presidenta da Associação Brasileira de História Oral do Brasil, entidade que completou 31 anos, a doutora em História, Marieta Ferreira, revelou o bastidor de uma história ocorrida há décadas quando decidiu trabalhar com História Oral. Naquele momento ela ouviu de uma professora:
- Não faça isso, Marieta. Você é tão talentosa! História Oral é o mesmo que fofoca!
Anos depois de ouvir a frase, da qual se lembra com humor, Marieta afirma que a História Oral ocupa importante papel na preservação histórica. E que a técnica exige preparo do pesquisador para colocar em prática as entrevistas e os contatos com as fontes de pesquisa:
- É fundamental escolher o tema, conduzir a entrevista e saber como catalogar e preservar o material para que não se torne um emaranhado de informação mal preservada - alertou.
A historiadora lembrou ainda que há uma demanda social por "memórias" e que isso impõe a reconciliação entre a "História" (coletada em documentos e papel) e a "Memória" (a história oral):
- E a reconciliação será alcançada com a construção de acervos para preservação.
Marieta Ferreira encerrou sua exposição com uma frase que revela a relevância do programa inaugurado pelo MAST: "A memória lida com o passado com os óculos do presente".
Compareceram ao evento representantes das seguintes entidades e instituições: MCTI, INT, ABC, LNA, LNCC, CBPF, Consulado da Suíça e o deputado federal pelo PT, Reimont Otoni, entre outros.

