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Mês do Orgulho LGBTTIA+ no MAST
Palestrantes, organizadores e participantes juntos ao final da mesa-redonda do dia 27 de junho
Em junho, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) celebrou o Mês do Orgulho LGBTTIA+. O evento ganhou ainda mais destaque na última semana quando foram promovidos debates do campo científico, da divulgação da temática LGBTTIA+ e quando vários palestrantes foram convidados e puderam falar sobre Ciência, Astronomia e diversidade.
Uma das palestras foi “Quando meu corpo LGBTTIA+ causa controvérsia dentro do museu de ciências?”. Entre as palestrantes estavam Dougg Colarés, do Museu Ciência e Vida; Jennifer Kelli, da Bio-Manguinhos; e Toni e Prepina Blue, da Fiocruz. A mediação foi da Isabella Santos, educadora museal do MAST. A outra palestra teve o tema “Astronomia em Cores” e foi apresentada pelo astrofísico, escritor e educador da UFRGS, Alan Alves Brito, com a mediação de Kaique Pinto.
Coordenadora de Educação em Ciências do MAST, Josiane Kunzler disse que o evento realizado teve grande relevância por ir além da questão da inclusão: “envolvemos neste evento pessoas historicamente marginalizadas não apenas da Ciência como da instituição museus” – disse. Josiane lembrou que há uma questão relacionada à cidadania e que tem relação com a presença da tecnologia em nossas vidas: “este tipo de evento atrai as pessoas e as fazem pensar em Ciência e Tecnologia – que são temas do cotidiano: então o objetivo do MAST, que foi alcançado, era permitir e promover ações com este alcance”.
O astrofísico Alan Alves Brito disse que um dos grandes desafios da atualidade é atender as demandas sociais com aquilo que o próprio conceito de Ciência nos traz, que é a Ciência como construção humana. “Portanto”, afirmou, “precisamos estender esta ideia de humanidade para outros corpos, sobretudo para aqueles que foram historicamente excluídos”, disse.
Ele lembrou que uma das maneiras de combatermos o preconceito é ampliando a diversidade e a inclusão nas áreas de debates: “e a ciência não poderia ficar de fora!”. O palestrante afirmou que a homotransfobia é uma realidade no Brasil e precisa ser enfrentada:
- Uma Ciência mais diversa significa outras cabeças, outras propostas e soluções para problemas que existem no mundo!
Mestra em Educação, Cultura e Comunicação da UERJ e Especialista em Divulgação da Ciência pela Fiocruz, Isabella Santos destacou a importância do evento: “se a ciência está dentro da sociedade, é fundamental que todos os corpos sejam ouvidos, participem e estejam incluídos no debate”.
E completou:
- Eu penso muito na questão das ausências que verificamos em museus e universidades. Trata-se de algo histórico. E se as pessoas LGBTTIA+ estão ausentes é natural que, por isso mesmo, sejam ignoradas no debate. Daí a importância do que acontece aqui no MAST.
Educador museal do Museu de Astronomia, Kaique Pinto chamou o evento realizado no MAST de “histórico” por externar para outras instituições e museus que as ciências são produções humanas e por isso mesmo exigem toda a representação: “E, neste conceito, a gente percebe que nelas estão incluídas as vivências LGBTTIA+. E queremos que estas pessoas saibam que o MAST as acolhe e valoriza a diversidade”.



