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IPEN e Universidade de Macau assinam acordo histórico para o desenvolvimento de reatores nucleares do futuro
O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) assinou um Memorando de Entendimento (MoU) histórico com a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) para lançar uma iniciativa conjunta e transfronteiriça de pesquisa em energia nuclear.
A colaboração internacional terá como base o Laboratório-Chave Estatal de Ciências Lunares e Planetárias (SKLPlanets) da MUST. A cerimônia de assinatura foi realizada em formato híbrido. O Professor Xiaoping Zhang, vice-diretor do SKLPlanets, assinou o documento presencialmente, enquanto a Dra. Isolda Costa representou o IPEN remotamente.
O evento contou com a presença do vice-presidente da MUST, Yong Chen, e do Dr. Kwan Wong, presidente da WI HARPER (Macau). Para apoiar a parceria, o Fundo de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (FDCT) aprovou um financiamento especial destinado a viabilizar a implementação do equipamento Alpha-E.
A pesquisa a ser desenvolvida busca acelerar a avaliação de materiais para os reatores nucleares do futuro
O desenvolvimento de reatores nucleares mais modernos, seguros e eficientes depende de materiais capazes de suportar condições extremas de temperatura, pressão e radiação. O MOU assinado tem como objetivo desenvolver pesquisa para compreender como diferentes materiais respondem à radiação. Busca-se criar métodos mais rápidos e confiáveis para avaliar a resistência e vida útil em reatores avançados, Pequenos Reatores Modulares (SMRs) e futuros reatores de fusão.
Como os testes em reatores nucleares são longos, complexos e caros, o projeto busca complementá-los utilizando irradiação por íons e nêutrons, acelerando os estudos laboratoriais. O objetivo é entender os danos causados pela radiação desde a escala atômica até o desempenho dos componentes, combinando experimentos, caracterização avançada e simulações computacionais. A proposta busca compreender as diferenças e estabelecer correlações científicas confiáveis entre os danos produzidos por radiações com nêutron e por testes com íons. Com isso, espera-se desenvolver uma metodologia capaz de acelerar a qualificação de novos materiais, reduzir o
tempo de avaliação e aumentar a confiabilidade das previsões sobre seu desempenho e vida útil em ambientes de intensa radiação.
A pesquisa reúne competências e infraestrutura complementares. No Brasil, serão utilizadas instalações como o reator IEA-R1 e o acelerador Pelletron da USP. A MUST contribuirá com expertise em irradiação por íons, simulações computacionais e análise da estrutura dos materiais.
Além de fortalecer a cooperação científica entre Brasil e Macau, a pesquisa contribuirá para o desenvolvimento de materiais mais resistentes, seguros e confiáveis para as futuras gerações de sistemas nucleares e para a formação de recursos humanos altamente qualificados em uma área estratégica para a ciência e a tecnologia.