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IPEN 70 ANOS: acordo nuclear entre Brasil e Alemanha foi marco na década de 1970
A crise mundial do petróleo, ocorrida em 1973 logo depois da Guerra do Yom Kippur, levou os países árabes membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a restringirem a oferta e a decidirem pelo aumento significativo dos preços internacionais do barril do petróleo - o que provocou uma profunda crise econômica mundial. No Brasil, cuja matriz energética dependia da importação de petróleo, a economia foi particularmente atingida, o que prejudicou o desenvolvimento industrial.
Uma das estratégias adotadas pelo governo militar brasileiro foi a diversificação de parcerias internacionais. Foram ampliados acordos com outros países, e entre eles destacou-se, no âmbito europeu, um com a República Federal da Alemanha, com a qual o Brasil já havia firmado um amplo acordo em 1969.
A busca de alternativas para a geração de energia tornou-se prioridade, e a nuclear passou a ser uma das possibilidades centrais. As negociações bilaterais com o governo alemão culminaram com a assinatura do Acordo Nuclear, em 1975. Como observa a literatura especializada, o “[..] Acordo Nuclear previa urgente transferência de tecnologia nuclear, sendo uma alternativa bastante viável à dependência de petróleo que o Brasil tinha e, uma forma de manter o crescimento industrial em elevação.
Era a primeira operação desse tipo entre uma nação europeia industrializada e um país periférico, com transferência de equipamentos e de tecnologia.
Um dos frutos dessa cooperação Brasil-Alemanha foi a implantação da usina nuclear Angra 2, o que contribuiu para o desenvolvimento tecnológico próprio e para o domínio de praticamente todas as etapas do ciclo combustível nuclear. Os centros de pesquisa no setor foram fortalecidos, a exemplo do IPEN, com destaque para o enriquecimento e a fabricação de elementos combustíveis para reatores de pesquisa e de potência.
Nesse ano de 1975, aliás, o IEA alcançou a primeira geração eletrolítica de flúor. O flúor produzido por eletrólise é utilizado, principalmente, na fabricação de hexafluoreto de urânio (UF₆), empregado no enriquecimento isotópico do urânio, representando, assim, mais um passo decisivo no domínio nacional do ciclo do combustível nuclear.
Imagens disponíveis em: https://www.funag.gov.br/chdd/images/Resenhas/RPEB_5_abr_mai_jun_1975.pdf?utm_source=chatgpt.com
Referências:
GORDON, Ana Maria Pinho Leite. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1956-2000: um estudo de caso à luz da ciência, da tecnologia e da cultura brasileira. 2003. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
LIMA, Maria Regina Soares de. Acordo Nuclear Brasil-Alemanha. ATLAS HISTÓRICO DO BRASIL/FGV CPDOC. Disponível em: https://atlas.fgv.br/verbete/5722#:~:text=Em%2027%20de%20junho%20de,Usos%20Pacíficos%20da%20Energia%20Nuclear
[1] DIAS, Sabrina Melchíades. Os efeitos da crise do petróleo na política externa brasileira durante o governo Geisel. In Fronteira. Belo Horizonte, v. 20, n. 39, p. 25 - 47, 1° sem. 2021. Página 39.
