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Santos recebe 1º Simpósio Internacional de Microplásticos em Ecossistemas Aquáticos, em junho
70% das praias do Brasil já estão contaminadas e o SIMPEA irá protagonizar discussões e reflexões sobre a problemática do plástico com palestras e workshops técnicos e científicos.
Fonte: Instituto EcoFaxina
Profissionais nacionais e internacionais irão se reunir durante cinco dias na UNISANTA para a realização do 1º SIMPEA - Simpósio Internacional de Microplásticos em Ecossistemas Aquáticos, de 9 a 13 de junho. O objetivo é propor soluções e técnicas de pesquisa para mitigação do problema do microplástico em ambientes aquáticos - estima-se que cerca de 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todos os anos. O assunto, que está no centro da crise climática, coloca a Baixada Santista no meio da discussão, pois o sistema estuarino de Santos-São Vicente abriga o segundo rio mais poluído do mundo por microplásticos, o Rio dos Bugres. O Simpósio é uma parceria entre o Instituto EcoFaxina e o IPEN - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, com o apoio da UNISANTA.
"A realização do 1º SIMPEA marca um passo decisivo na governança ambiental e na produção de conhecimento sobre uma das ameaças mais invisíveis e persistentes da nossa era: os microplásticos. Trazer esse tema para o centro do debate não é apenas uma questão de preservação da biodiversidade marinha, mas um imperativo de saúde pública e social. Já sabemos que esses fragmentos permeiam a cadeia alimentar e os recursos hídricos, tornando urgente a conexão entre a ciência de ponta e a formulação de políticas públicas eficazes. O Simpósio celebra a semana do Dia Mundial dos Oceanos e traz a necessidade de transformarmos a conscientização em ações estruturadas”, declara William Schepis, biólogo e diretor do Instituto EcoFaxina, que há 18 anos atua na conservação ambiental da baixada santista.
No Brasil, um dos maiores levantamentos já feitos no país - publicado na revista científica Environmental Research - mostrou que 69,3% das praias brasileiras estão contaminadas por microplásticos. Em Santos (SP), a situação é ainda mais crítica: o estuário da cidade foi classificado como um dos mais contaminados do mundo. Em pesquisa feita pelo Instituto EcoFaxina em parceria com o IPEN, o Rio dos Bugres foi apontado o segundo mais poluído por microplástico do mundo, atrás apenas do Rio Pasur, em Bangladesh.
Para que a verdadeira mudança aconteça, as soluções de mitigação precisam sair da discussão acadêmica e alcançar a sociedade política e civil. Para Ademar Lugão, líder de pesquisa do Centro de Química e Meio Ambiente em Ciência de Polímeros, Nanotecnologia e Biomateriais, a promoção da responsabilidade social para a redução da poluição por plásticos é fundamental.
“O problema da poluição por plásticos dos oceanos e outros ecossistemas aquáticos é basicamente um problema de gestão do lixo urbano. Essa tarefa cabe às municipalidades e a cada cidadão, pois sistemas de coleta eficientes só funcionam se os resíduos são dispostos adequadamente. O SIMPEA visa atrair agentes multiplicadores, educadores, autoridades e voluntários que consigam entender a urgência na promoção de ações de gestão e mitigação”, explica Lugão.
O trabalho de pesquisa do IPEN - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, é combater a poluição plástica em duas frentes: na origem, introduzindo novas tecnologias para melhorar a reciclagem de plásticos; e no monitoramento do solo de rios e oceanos, onde a maior parte dos resíduos plásticos é depositada. A ciência e a tecnologia nucleares podem desempenhar um papel fundamental em ambas as frentes.
“A irradiação pode ser usada para tratar plásticos existentes e torná-los aptos para reutilização – ampliando o potencial de reciclagem atual e permitindo uma reutilização mais ampla e de maior valor. A ciência nuclear é usada também para identificar, rastrear e monitorar plásticos no oceano, particularmente microplásticos”, finaliza.
Técnicas, pesquisas, legislação, controle de qualidade entre outras serão apresentados pelo IPEN no 1º Workshop de Coleta, Caracterização e Aplicações Nucleares para Mitigação de Microplásticos (NuclearMicro), que acontecerá dentro do SIMPEA. Além disso, os participantes poderão fazer visita técnica ao IPEN, em São Paulo.
SERVIÇO:
Endereço: R. Doutor Cesário da Mota, 8 - Boqueirão, Santos - SP
Data: 9 a 13 de junho de 2026.
Informações e inscrições: www.simpea.eco.br
Organização: Instituto EcoFaxina e IPEN
Apoio: UNISANTA, CETESB, Grupo Tribuna, Prefeitura de Santos e Governo do Estado de São Paulo.
Sobre o Instituto EcoFaxina
O Instituto EcoFaxina é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) fundada em 2008 na cidade de Santos para combater a poluição marinha e a degradação de ecossistemas aquáticos por meio da elaboração de projetos, desenvolvimento de pesquisas e promoção de políticas públicas, tendo como estratégia a contenção do resíduo sólido flutuante e a recuperação de áreas de preservação permanente, em parceria com o poder público, comunidades de palafitas e setor privado. O Instituto EcoFaxina inspira pessoas a falar e agir pelo Oceano. Desde sua fundação, realizou 208 ações envolvendo mais de 6.500 voluntários que retiraram 94.865 kg de resíduos sólidos de ecossistemas aquáticos dulcícolas, estuarinos e marinhos. Site: www.institutoecofaxina.org.br
Sobre o IPEN
O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) é uma autarquia vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) do Governo do Estado de São Paulo e gerido técnica e administrativamente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Governo Federal. Tem como missão a melhoria da qualidade de vida da população brasileira, produzindo conhecimentos científicos, desenvolvendo tecnologias, gerando produtos e serviços de maneira segura e formando recursos humanos nas áreas nuclear e correlatas.
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