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IPEN, Unicamp e Instituto Butantan lançam rede para preservar embriões de animais usados em pesquisas biomédicas
Da esquerda para direita: Vânia Mattaraia (Centro de Bem-Estar Animal do Instituto Butantan, Luiz Augusto Corrêa Passos (CEMIB/Unicamp), Martina Crispo (Instituto Pasteur de Montevideo - Uruguai), Patrick Spencer (IPEN) e Andréia Ruis Salgado (CEMIB/Unicamp) - Foto: SECOI/IPEN
O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN-CNEN), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Instituto Butantan lançaram, nesta sexta-feira (11/09/2026), a Rede Brasileira de Reprodução Assistida e Germoplasma Murino (Rebragem). A iniciativa reúne esforços das instituições para preservar linhagens de roedores criados em laboratório e ampliar o desenvolvimento e o compartilhamento de conhecimentos e tecnologias nas áreas de criopreservação e reprodução assistida.
A cerimônia de lançamento ocorreu na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e foi organizada pelo Centro Multidisciplinar para Investigação Biológica na Área da Ciência em Animais de Laboratório (Cemib). Participaram da cerimônia de abertura a diretora-superintendente do IPEN, Isolda Costa; o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner; o vice-diretor do Instituto Butantan, Rui Curi; a assessora científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Sandra Dias; o coordenador do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), André Silva Carissimi, e a coordenadora do Cemib, Daniele Masselli Rodrigues Demolin.
A Rede surge em um momento de expansão das pesquisas biomédicas que utilizam animais geneticamente modificados. Para manter essas linhagens, é preciso espaço adequado e acompanhamento constante das condições sanitárias e genéticas dos animais, o que demanda estrutura e recursos.
Nesse contexto, a criopreservação, técnica que permite congelar embriões, representa uma alternativa para conservação do material genético. Dessa forma, as linhagens podem ser preservadas e recuperadas quando necessário, reduzindo o risco de perda do material após o uso de animais nas pesquisas. O método também ajuda a garantir que as características genéticas dos modelos sejam mantidas.
Para Isolda Costa, a criação da Rede representa uma oportunidade de integrar competências científicas e tecnológicas das instituições participantes. “Mais do que o lançamento de uma nova rede, vejo este momento como a expressão de uma ideia fundamental para o Brasil: quando nossas instituições unem competências, infraestrutura e pessoas, transformamos capacidades individuais em capacidade nacional”, ressaltou.
A participação do IPEN na Rede expressa sua experiência de produção de linhagens de camundongos utilizadas em testes de radiofármacos e pesquisas biomédicas, que vem sendo realizada, há mais de 20 anos, pelo Biotério, vinculado ao Centro de Biotecnologia (CEBIO) do Instituto.
IPEN implantará banco de germoplasma
Com o apoio da FAPESP, o Instituto deverá inaugurar nos próximos meses a reforma do Biotério, com a implementação de germoplasma de roedores de laboratório. O germoplasma é o material genético de uma espécie de roedor que pode ser armazenado e preservado para pesquisas futuras.
Segundo o diretor do Biotério, Patrick Spencer, manter o aumento de animais em laboratório é fisicamente impossível, pois o seu crescimento ocorre de maneira acelerada.
“Entre muitas vantagens dessa estrutura em rede, com as três instituições, destacaria a integração de um trabalho em grupo, em que um laboratório auxilia o outro”, enfatizou.
Segundo Daniele Masselli Rodrigues Demolin, do Cemib, essa integração de experiência das instituições participantes está relacionada também aos avanços nas técnicas de edição genética, como o CRISPR-Cas9, que permite modificar o DNA de forma precisa e tem ampliado o desenvolvimento de modelos de animais para pesquisas biomédicas.
“Um biotério não vai comportar a quantidade de linhagens in vivo e a importância dessa rede é trabalhar na criopreservação de linhagens que já tenham sido utilizadas em pesquisas”, afirmou.
Rede pode reduzir custos na manutenção de animais usados em pesquisas
A Rebragem também prevê a criação de um repositório destinado à preservação do material genético de roedores de laboratório, além de iniciativas de formação e capacitação de profissionais na área, por meio do Programa de Treinamento Estabelecido.
A criopreservação permite conservar o material genético dessas linhagens como uma reserva para futuras pesquisas, diminuindo a necessidade de manter animais vivos continuamente e ajudando a preservar as características genéticas de determinados modelos.
Para Rui Curi (Instituto Butantan), congelar os embriões não reduz somente os custos de manutenção das colônias nos biotérios, mas torna a pesquisa viável do ponto de vista da confirmação de resultados.
“Isso permite que o pesquisador possa sempre reproduzir aquilo que ele obteve antes e comprovar o que observou. Nós estamos entrando na tecnologia que o mundo já utiliza há muito tempo”, destacou.