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IPEN-CNEN realiza I Workshop Nucleus & Life para debater o futuro da Medicina Nuclear no Brasil
Destinado à nova geração de pesquisadores e profissionais da saúde, no dia 26 de maio o IPEN-CNEN realizou o I Workshop Nucleus & Life: Tendências e Perspectivas da Medicina Nuclear. O evento reuniu especialistas para debater o domínio e o avanço das tecnologias nucleares aplicadas à vida.
A abertura foi conduzida por Isolda Costa, diretora-superintendente do IPEN, que resgatou a linha do tempo da Medicina Nuclear no Brasil, uma trajetória que se confunde com a própria história do Centro de Radiofarmácia do instituto. Entre os marcos históricos, Isolda destacou o início da produção de Iodo-131 (1963), de Geradores de Tecnécio (1981) e de Lutécio-177 (2007).
Na sequência, a organizadora do evento, Denise Levy, explicou que a iniciativa foi inspirada no centenário da visita de Marie Curie ao Brasil. Ela lembrou que as investigações pioneiras da cientista com o elemento Rádio pavimentaram o caminho para o surgimento da Medicina Nuclear.
Carlos Zeituni, gerente do Centro de Radiofarmácia, detalhou a complexa logística de produção e distribuição de radiofármacos do IPEN, responsável por viabilizar cerca de 2 milhões de procedimentos médicos anuais no país, e reforçou o papel de sua infraestrutura única.
A evolução da área foi tema da palestra de Elaine Bortoleti, coordenadora de Radiofarmácia. Elaine definiu os radiofármacos e introduziu o conceito de radioteranóstico, apontado como a grande fronteira da Medicina Nuclear, e enfatizou que o futuro da produção nacional está atrelado ao sucesso do Projeto RMB - Reator Multipropósito Brasileiro.
O impacto das pesquisas na saúde pública guiou as apresentações seguintes. Ademar Benévolo Lugão expôs o desenvolvimento de curativos avançados de baixo custo produzidos por radiação gama, enquanto Monica Mathor detalhou os processos de esterilização para bancos de tecidos humanos realizados no Centro de Tecnologia das Radiações do instituto.
A técnica da braquiterapia e seus usos no tratamento de cânceres de próstata, colo de útero e oftalmológico foram os temas trazidos por Carla Daruich de Souza. Carla aproveitou para fazer um importante alerta social: devido à desigualdade socioeconômica do país, apenas 30% dos pacientes têm acesso a essa terapia. Ela também compartilhou os avanços institucionais em pesquisas com nanopartículas.
O fortalecimento acadêmico do setor foi abordado por Denise Zezell, que apresentou a estrutura do Programa de Mestrado Profissional em Tecnologia das Radiações em Ciências da Saúde, sob sua coordenação.
Para garantir a viabilidade de todas essas atividades, a segurança é premissa básica. Katia Fonseca, chefe do Serviço de Radioproteção, encerrou o ciclo de palestras explicando os fundamentos técnicos que asseguram a integridade de pacientes e trabalhadores expostos às radiações de uso médico.
Além das apresentações teóricas, o workshop também ofereceu uma imersão prática por meio de visitas técnicas a quatro instalações do IPEN: Centro de Radiofarmácia, Centro de Lasers e Aplicações, Laboratório de Efeitos da Radiação em Tecidos Biológicos e Laboratório de Produção de Fontes Radioativas para Uso em Braquiterapia. O encerramento do evento foi marcado pelo sorteio de exemplares do livro “O IPEN e a Saúde”, obra organizada pelo pesquisador emérito Marcelo Linardi.