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IPEN 70 ANOS: avanços na tecnologia nuclear e na formação de especialistas

Em 1964, o então Instituto de Energia Atômica (IEA), atual IPEN, alcançou importantes resultados tanto no desenvolvimento tecnológico quanto na capacitação de profissionais para o setor nuclear brasileiro. Entre os destaques do período esteve a fabricação de elementos combustíveis para reatores de pesquisa, atividade que demonstrava o avanço das competências técnicas desenvolvidas pelo Instituto.
Naquele ano, foram produzidos os elementos combustíveis destinados ao reator Argonauta, do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), no Rio de Janeiro. Para viabilizar esse trabalho, engenheiros do IEA receberam treinamento no Argonne National Laboratory, nos Estados Unidos, por meio do programa Átomos para a Paz. O Argonauta, construído com cerca de 93% de matéria-prima nacional, entrou em operação em 1965 e passou a ser utilizado para ensino, treinamento de operadores e estudos em física de reatores.
O Instituto também participou da fabricação dos elementos combustíveis para o Reator Nuclear Subcrítico (RESUCO), da Universidade Federal de Pernambuco. Nesse projeto, teve papel fundamental a Divisão de Engenharia Nuclear, criada em 1961 para apoiar o desenvolvimento das atividades relacionadas à tecnologia de reatores e combustíveis nucleares.
Outro marco de 1964 foi a criação da Divisão de Ensino e Formação, responsável por coordenar as atividades didáticas do Instituto. O setor se tornaria o embrião do atual programa de pós-graduação do IPEN, reforçando uma vocação presente desde os primeiros anos da instituição: a formação de profissionais de nível técnico e superior na área nuclear. Nesse mesmo contexto, o tradicional curso de capacitação do Instituto passou a adotar o nome de "Curso de Ciência e Tecnologia Nucleares", denominação que refletia a ampliação e consolidação das atividades de ensino desenvolvidas pela instituição.
Fontes:
GORDON, Ana Maria Pinho Leite. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1956-2000: um estudo de caso à luz da ciência, da tecnologia e da cultura brasileira. 2003. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
LINARDI, Marcelo (org.). O IPEN e a inovação tecnológica: passado, presente e futuro. São Paulo: SENAI-SP, 2016. (Inovação e tecnologia).