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Brasil liga a chave das terras raras em MG: Poços de Caldas inaugura 1º laboratório de extração
Planta piloto de US$ 1,5 milhão sob vigilância nuclear, enquanto licenciamento da mina Caldeira segue adiado no Copam
Fonte: Click Petróleo e Gás
Em 12/12/2025, a Meteoric inaugurou em Poços de Caldas um laboratório de terras raras, planta piloto do Projeto Caldeira. O investimento foi de US$ 1,5 milhão e a capacidade anual é de 500 kg de carbonato misto. A mina em Caldas segue sem licença no Copam após dois adiamentos seguidos.
Em 13/12/2025, após a inauguração oficial realizada em 12/12/2025, Poços de Caldas (MG) passou a operar o primeiro laboratório de extração de terras raras do país, segundo a mineradora Meteoric. A estrutura funciona como planta piloto do Projeto Caldeira, voltada a testar rotas de processo e comprovar a qualidade do material antes de uma operação em escala maior.
O avanço industrial ocorre enquanto o licenciamento ambiental da mina do Projeto Caldeira, em Caldas (MG), permanece sem votação no Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam). A apreciação, prevista inicialmente para outubro, foi adiada duas vezes, elevando a pressão por respostas técnicas sobre riscos, controles e impactos do empreendimento.
O que começou a operar em Poços de Caldas
Na prática, a unidade foi desenhada para executar testes contínuos, ajustar parâmetros e consolidar procedimentos industriais a partir de amostras já coletadas durante a fase de pesquisa mineral.
A empresa informa que o laboratório integra o Projeto Caldeira, que prevê exploração mineral em uma área de 193 km² no município de Caldas.
A planta piloto recebeu licença ambiental específica para instalação e funcionamento em Minas Gerais, apresentada como a primeira autorização do tipo para uma estrutura piloto dedicada à extração de terras raras no estado.
Capacidade anual e diferença para a escala da mina
A estrutura de Poços de Caldas tem capacidade de processar 500 kg por ano de carbonato misto de terras raras, um concentrado inicial obtido do minério e que reúne os elementos de terras raras.
Trata-se de um volume classificado como pequeno quando comparado ao plano de produção da mina do Projeto Caldeira.
Segundo a própria descrição do projeto, a mina prevê 18 mil toneladas anuais de extração, número que evidencia a função do laboratório como etapa de desenvolvimento e validação de processo, e não como operação comercial em escala plena.
Rotina diária de processamento e composição do produto
O plano operacional do laboratório prevê o processamento de 600 kg de argila por dia, com geração estimada de 2 kg de carbonato misto ao final do ciclo.
A empresa afirma que 53% da composição desse carbonato misto é formada por óxidos de terras raras, indicador usado para demonstrar teor e qualidade do material produzido na planta piloto.
O foco declarado é calibrar a operação antes da construção de uma planta definitiva em Caldas.
O diretor executivo da Meteoric, Marcelo Juliano de Carvalho, descreveu a planta piloto como um ambiente de otimização, com atenção para eficiência e controle ambiental, citando ajuste de recuperação de reagentes e de água em circuito fechado.
Vigilância nuclear e controle de radioatividade
Os processos de extração de terras raras podem envolver radioatividade porque esses minérios frequentemente contêm elementos como urânio e tório.
Por essa razão, as atividades do novo laboratório serão acompanhadas pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), conforme informado pela empresa.
A Meteoric declarou que apresentou à ANSN resultados de testes pilotos feitos na Austrália, com análise das fases do processo, e que a agência emitiu certificado negativo de radioatividade.
Ainda assim, o laboratório em Poços de Caldas seguirá sob acompanhamento contínuo para verificação de níveis, descritos pela empresa como baixos.
Licenciamento da mina Caldeira e adiamentos no Copam
Enquanto o laboratório avança, o licenciamento para exploração de terras raras em Caldas, envolvendo a Meteoric, e em Poços de Caldas, envolvendo a Viridis, permanece atrasado.
A votação no Copam, prevista inicialmente para outubro, foi adiada duas vezes.
O primeiro adiamento ocorreu por pedido de vista de conselheiros, em meio a pressão popular e política por mais informações.
O segundo adiamento veio após recomendação do Ministério Público Federal (MPF), com questionamentos sobre segurança dos projetos para comunidades próximas e para o meio ambiente.
A Meteoric afirma que respondeu tecnicamente aos questionamentos com laudos e que o processo deve voltar à pauta do Copam.
Por que a cratera de Poços de Caldas é estratégica
A região conhecida como Planalto de Poços de Caldas, também chamada de Cratera de Poços de Caldas, é apontada como uma das maiores jazidas de terras raras do mundo.
Com cerca de 800 km², a área engloba Poços de Caldas, Andradas e Caldas, em Minas Gerais, além de Águas da Prata, em São Paulo.
O geólogo Álvaro Fochi, citado como responsável por encontrar a jazida no início dos anos 2010, atribui ao local capacidade de gerar 300 milhões de toneladas de terras raras e potencial de suprir 20% da demanda global desses minérios.
Em 2023 e 2024, a Agência Nacional de Mineração (ANM) recebeu mais de uma centena de pedidos de pesquisa na cratera e no entorno, o equivalente a cerca de um terço das autorizações para Minas Gerais no período.
O que este laboratório muda no curto prazo
A entrada em operação do laboratório cria um marco industrial porque desloca parte do desenvolvimento de processo para dentro do país, com testes de refino ligados a um projeto de mineração já em fase avançada de licenciamento.
A planta piloto, porém, não elimina o gargalo do Copam, já que a exploração mineral em Caldas ainda depende de votação da licença ambiental.
Na prática, o laboratório tende a produzir evidências técnicas sobre rotas de processo, controles de água e reagentes e monitoramento de radioatividade, pontos que podem pesar no debate sobre riscos e mitigação.
A definição de cronograma para uma planta definitiva e para produção em maior escala continua condicionada ao licenciamento ambiental e às exigências de fiscalização.