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Lideranças se reúnem no IEN/CNEN para debaterem maior presença da Mulher no Setor Nuclear
Dr. Ralph Santos-Oliveira e as demais palestrantes e convidadas do evento sobre as Mulheres na Ciência Nuclear. Foto: Raiane Castro (Secos/ IEN)
O Instituto de Engenharia Nuclear recebeu representantes do poder público e a comunidade científica para o encontro “Mulheres na Ciência Nuclear: Novas lideranças em Inovação e Tecnologia” no último dia 13 de maio, com o objetivo de evidenciar a importância do protagonismo feminino no setor e celebrar projetos vigentes no serviço público que dão oportunidades para meninas ingressarem na área.
Sob a organização do Laboratório de Nanorradiofármacos do IEN/CNEN, em parceria com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o evento foi composto por palestras e apresentações conduzidas por mulheres que trabalham, nas esferas de poder e na academia, por um maior reconhecimento às contribuições femininas na Ciência e Tecnologia do país.
Na abertura do evento, o diretor do IEN/CNEN, Cristóvão Araripe Marinho, informou que apesar de, atualmente, haver apenas 20% de servidoras na Força de Trabalho do Instituto, algumas das principais coordenações e setores do órgão são chefiadas por mulheres: Coordenação de Pesquisa e Desenvolvimento (COPED), Coordenação de Gestão (COGES), Serviço de Gestão de Ensino (SEGEN), Serviço de Comunicação Social e Seção de Apoio Institucional (SECAPI):
“O IEN/CNEN tem procurado colocar as mulheres cada vez mais em papéis de destaque pelo próprio mérito que elas têm na área nuclear. Eventos como este engrandecem e dão a esperança de que haja um maior equilíbrio entre os gêneros nas instituições públicas da área nuclear”, declarou o diretor.
Essa representatividade também se reflete, segundo Marinho, no comando de duas unidades técnico-científicas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN): o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), em São Paulo, dirigido pela Dra. Isolda Costa, e o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN/ CNEN), cedido em Belo Horizonte, sob o comando da Dra. Amenônia Maria Ferreira Pinto.

- Mesa de abertura do evento composta pelo diretor do IEN/CNEN, Cristóvão Araripe, pela pesquisadora do IPEN/CNEN, Dra. Denise Zezell, pela Professora da Uerj, Renata Angeli, e pela vice-prefeita de Nova Iguaçu e secretária da mulher do município, Dra. Roberta Teixeira. Foto: Gledson Júnior
Para além de haver mais mulheres em cargos de chefia em instituições de C&T, as palestrantes do evento ressaltaram a necessidade de abrir-se mais oportunidades para reduzir a disparidade entre gêneros nessa carreira, conforme defendeu Renata Angeli, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e assessora da Diretoria de Tecnologia da Faperj, durante a sua apresentação.
Já a palestra “Entre Territórios, Ciência e Resistência – O cenário da Pesquisa”, conduzida pela professora Luciana Magalhães, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), apontou para a cobrança excessiva imposta às mulheres cientistas para que produzam e orientem mais no campo acadêmico, fruto de um sistema, segundo ela, ainda machista, que desconsideram fatores, como a maternidade, que são comuns no percurso dessas profissionais.
Representantes da Política em defesa da inserção da Mulher nas Ciências Exatas

- Acima da dir. para esq.: imagens da Secretária e Vice-prefeita de Nova Iguaçu, Roberta Teixeira, e a deputada estadual Dani Balbi. Abaixo: imagem da vereadora Tatiana Roque. Todas discursando no evento voltado às mulheres na Ciência Nuclear realizado pelo IEN/CNEN Fotos: Gledson Júnior
Além de atrair a sociedade civil, estudantes dos ensinos fundamental e médio de escolas da rede municipal do Rio de Janeiro, e pesquisadoras de outras instituições de ensino, o evento Mulheres na Ciência Nuclear contou com a participação de representantes da política estadual do Rio de Janeiro cuja atuação está alinhada tanto à área científica quanto à ampliação de direitos e oportunidades para as mulheres.
Em sua apresentação, a vice-prefeita de Nova Iguaçu e chefe da Secretaria da Mulher do município, Dra. Roberta Teixeira (PL), celebrou o fato das mulheres estarem ocupando mais espaços de liderança em instituições de ciência e pesquisa, como o IEN/CNEN, em oposição ao cenário de outros setores da sociedade onde não há uma equidade de gênero. Além disso, destacou algumas ações implementadas pelo poder público iguaçuano para, não somente, combater a violência doméstica e prestar maior assistência às mulheres gestantes, mas também promover o empreendedorismo e a inserção profissional em áreas ainda dominadas pelos homens.
A vereadora Tatiana Roque (PSB-RJ), que até março deste ano estava a frente da Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, criticou a invisibilidade dada a algumas importantes pesquisadoras do país, como Elisa Frota Pessoa, uma das primeiras mulheres a se formar em física no Brasil, nos 1940, e que dá nome à 4ª edição de uma premiação criada pela secretaria, em parceria com o Museu do Amanhã, para reconhecer trabalhos de excelência acadêmica produzidos por mulheres.
A parlamentar criticou a baixa representatividade dessa população nas esferas de poder e decisão, o que dificultaria a elaboração de políticas públicas voltadas para esse público, e destacou o projeto das “Navezinhas Cariocas”, versões reduzidas das “Naves do Conhecimento”, com o objetivo de democratizar o acesso ao universo digital a regiões periféricas da capital fluminense.
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Já a deputada estadual Dani Balbi (PcdoB-RJ), declarou que o futuro da produção de energia com baixo impacto na atmosfera passa pelo desenvolvimento de soluções em energia nuclear e também pela atuação efetiva das mulheres, que sofrem com os impactos do colapso climático:
“Não tem como pensar a Ciência apartada do impacto social que ela produz, seja na melhoria dos níveis de renda, seja na melhoria do incremento do orçamento público, seja na concretização de condições melhores para a qualidade de vida. Somos nós, mulheres, o maior contingente populacional do país e do estado, que temos mais expertise, que temos mais condições de colaborar com esse debate, seja para melhorar o nível médio da renda das famílias brasileiras, seja para contribuir com soluções reais a partir da vivência e das experiências daquelas que, em sua maioria, vivenciam as contradições e os desafios de habitarem em um país subdesenvolvido”, declarou a deputada.
A participação do IEN/CNEN na formação de novas cientistas
Para o coordenador do Laboratório de Nanorradiofármacos do IEN/CNEN e idealizador desse evento, Ralph Santos-Oliveira, a presença da classe política se mostrou relevante para expor o uso da verba pública, quando aplicada a projetos de democratização da Ciência e Tecnologia, resultam em transformações efetivas na vida das jovens cientistas que são beneficiadas por iniciativas, como o programa “Jovens Talentos” da Faperj.
No ano passado, o IEN/CNEN foi contemplado nesse edital para receber duas alunas do ensino médio e médio/técnico de instituições de ensino público sediados no município do Rio de Janeiro para ingressarem no Laboratório de Nanorradiofármacos e começarem a se desenvolverem na carreira científica. Gabriela Paixão Cardoso e Luisa Muniz de Oliveira apresentaram para o público participante do evento um relatório com seus aprendizados e os projetos com Medicina Nuclear a qual estiveram envolvidas nesse último ano como bolsistas.

- Da Dir. para Esq.: Gabriela Paixão e Luisa Muniz, estudantes contempladas com o projeto da Faperj “Jovens Talentos”. Fotos: Gledson Júnior
Segundo a Faperj, a iniciativa impactou a vida de um total de 17 estudantes no último ano, que incentiva a permanência e um bom rendimento nas escolas por parte das participantes, contribui para um melhor acesso a materiais didáticos e uniformes, além dessas beneficiárias poderem cooperar com suas rendas nas despesas familiares.
O Laboratório de Nanorradiofármacos do IEN/CNEN, vale lembrar, também coordena o projeto “Partículas de Igualdade: Integrando Meninas e Mulheres às Ciências Nucleares no Rio de Janeiro”, financiado pela Faperj para estimular a participação e a formação de meninas mulheres nas Ciências Exatas, sendo mais um dispositivo favorável a redução das desigualdades nesse campo do conhecimento.
Escrita por: José Lucas Brito (Secos/ IEN)