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CELEBRAÇÃO
Em cerimônia de aniversário, CNEN lança sua nova logomarca
Mesa de abertura da cerimônia de aniversário da CNEN composta por: Dr. Wilson Calvo, Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento; Dr. Francisco Rondinelli Júnior, presidente da CNEN; Dr. Pedro Maffia, diretor de Gestão Institucional; e Roberto Xavier, diretor de Planejamento. Foto: Douglas Trouffa.
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) realizou na última sexta-feira, 10 de outubro, em sua sede, no Rio de Janeiro, uma solenidade para comemorar o aniversário de 69 anos de fundação. A autarquia aproveitou a ocasião festiva para apresentar à comunidade científica presente sua nova logomarca, que estará estampada nos prédios, portais de comunicação, documentos e demais impressões.
A atualização da identidade visual representa a modernização de uma instituição estratégica para o desenvolvimento científico e tecnológico do país e traduz o compromisso da CNEN com a inovação, com a sustentabilidade e com o uso seguro e responsável da energia nuclear no Brasil contemporâneo, além de ser um primeiro elemento comemorativo do órgão para os 70 anos, a serem completados em 2026.
Em seu discurso, o presidente da CNEN, Dr. Francisco Rondinelli Júnior, destacou os avanços da instituição nesses últimos anos e os projetos que estão no porvir:
“A CNEN deu início às várias iniciativas do setor, desde a formação de pessoal, pesquisa de minerais, os primeiros radioisótopos do país foram trazidos por intermédio da CNEN, além de avançarmos no domínio do ciclo do combustível, uma pesquisa conduzida pela CNEN e seus institutos para o domínio da tecnologia de processamento de urânio. Mais recentemente, estamos trazendo novas tecnologias, estamos construindo o Reator Multipropósito Brasileiro, importante para a autonomia nacional na produção de radiofármacos. E toda essa discussão que temos atualmente com relação a terras raras, em que nós iremos retomar o programa sobre esse tema, que é um potencial enorme que o país tem. São 69 anos com muitas realizações pela frente”.
Palestras abordam a Rede de Fusão Nuclear e a Organização que garante a proteção contra testes nucleares
O evento contou com a realização da mesa-redonda intitulada “Rede de Fusão Nuclear: Desafios no Brasil”, com as participações do Dr. Ricardo Magnus Osorio Galvão, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Nilson Dias Vieira, pesquisador do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), Maria Célia Ramos de Andrade, pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e colaboradora da CNEN no projeto de Implantação do Laboratório de Fusão Nuclear, em Iperó-SP, e Gustavo Paganini Canal, Professor Associado ao Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP.
A iniciativa de criação da Rede Nacional de Fusão Nuclear havia partido da CNEN, em 2006, com a participação de instituições científicas como o INPE, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e universidades, com o intuito de capacitar a comunidade científica brasileira para o estudo sobre fusão, com foco na obtenção de energia limpa, e facilitar a participação em projetos internacionais. Nessa mesa-redonda, os especialistas envolvidos destacaram a necessidade do Brasil de se modernizar e investir, de forma estratégica, na rede de fusão nuclear:
“Durante a sua longa história, a CNEN soube promover muitas iniciativas de aplicação da ciência nuclear em benefício da sociedade. Em particular, quero chamar a atenção para a contribuição excepcional da CNEN para consolidar no país a pesquisa em fusão nuclear controlada que será, possivelmente, a grande fonte de energia no futuro. Nesta ocasião de aniversário, estruturamos novamente a rede nacional de fusão nuclear, que terá uma importância enorme, e nós almejamos, em pouco tempo, criar o laboratório de fusão nuclear”, declarou o Dr. Ricardo Galvão, que foi um dos precursores dessa rede no Brasil.

- Professor Ricardo Galvão, do CNPq, discursando durante a mesa-redonda que abordou a rede de fusão nuclear. Foto: Douglas Trouffa
Na sequência dos trabalhos, houve a palestra institucional do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O pesquisador sênior do órgão, Dr. Carlos Frederico de Angelis, apresentou como essa instituição executa a identificação de riscos de incidentes naturais em todo o território nacional. O Cemaden atuará na central de dados da unidade da Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO), que será instalada no Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCR-Ne), unidade da CNEN localizada no Recife, em Pernambuco.
A CTBTO, que foi assinada pelo Brasil e outros 186 estados-membros da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), opera um sistema de monitoramento internacional para detectar explosões nucleares, terremotos e tsunamis, em qualquer parte do mundo.
A palestra conduzida pelo Dr. Paulo Ferreira, especialista técnico do Laboratório de Radônio do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD), onde já existe uma unidade dessa organização no Brasil, abordou como a CTBTO, junto à comunidade científica internacional, estados-membros e governos, assegura o uso pacífico do potencial nuclear.
Homenagens e Premiações
O evento também serviu de oportunidade para a CNEN prestar homenagem a duas importantes cientistas do setor nuclear brasileiro que faleceram neste ano: a professora Helen Jamil Khoury, idealizadora do projeto de museus de ciências nucleares, e Dra. Constância Pagano Gonçalves da Silva, responsável por liderar a produção nacional de radioisótopos para uso médico. Seus respectivos filhos, Vivian Khoury e Sérgio Pagano Gonçalves, receberam as placas de homenagem às cientistas.
A CNEN também celebrou a atuação de importantes áreas que lideraram questões de funcionamento na instituição: o setor do Plano Médico, coordenado pela servidora Albanici Matias; o setor de orçamento, através da servidora Ângela Cristina Pessanha; e a área de computação, a qual o reconhecimento foi entregue ao servidor Emerson Antunes Coimbra, em função do trabalho do setor para reduzir os impactos do ataque cibernético contra os sistema do IPEN/CNEN, ocorrido em março deste ano.
Outros dois servidores receberam diplomas de reconhecimento pela trajetória de destaque na Comissão: Mara Lúcia de Lara Rocha, servidora que está incorporada à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) e Marcos Santos da Silveira, que atua na área de transportes do IPEN/CNEN.
A cerimônia marcou ainda a entrega das premiações aos vencedores da edição deste ano nas categorias iniciação científica, pós-graduação lato sensu, mestrado profissional, mestrado acadêmico e doutorado. Esse é um reconhecimento às pesquisas e projetos inovadores desenvolvidos por jovens talentos na área nuclear, que estão em formação acadêmica na CNEN e nas unidades técnico-científicas.

- Aluna Hilary Lima e o orientador Dr. Cláudio Grecco, do IEN/CNEN, recebendo o Prêmio CNEN 2025 na categoria de iniciação científica. Foto: Douglas Trouffa.
O Instituto de Engenharia Nuclear venceu na categoria de iniciação científica com o trabalho “Museu do Conhecimento Nuclear e Divulgação Científica: A Contribuição do IEN na História da Ciência e Tecnologia Brasileira”, de autoria da bolsista Hilary da Silva Lima, orientada pelo professor permanente de pós-graduação da instituição, Dr. Cláudio Henrique dos Santos Grecco.
“Essa premiação foi uma congregação de ideias, projetos estratégicos e de inovação, pois nossa intenção é de que esses futuros pesquisadores gerem conhecimento para o país, autonomia e soberania e incentivamos para que fiquem conosco para os próximo desafios que a sociedade brasileira precisa”, afirmou Dr. Wilson Calvo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN.
Já o Diretor de Gestão Institucional da CNEN, Dr. Pedro Maffia, lembra que a autarquia está na iminência de receber os servidores, aprovados no concurso público aberto em fevereiro deste ano, cujo resultado final foi homologado e publicado recentemente no Diário Oficial da União: “Estamos esperando 150 novos servidores, 100 para a CNEN e 50 para a ANSN, que dará um fôlego extra para todo esse trabalho que é atribuído à CNEN e que o Brasil tanto precisa”, afirma o diretor.
Escrita por: José Lucas Brito


