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Setembro Amarelo

Psicólogas da Rede Ebserh alertam para importância da informação e combate ao estigma na prevenção ao suicídio

Especialistas explicam que ações de prevenção devem ser realizadas durante todo o ano
Publicado em 29/09/2020 14h51
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Florianópolis (SC) – O mês de setembro é dedicado à prevenção do suicídio e as psicólogas Maria Emília Pereira Nunes e Luciana Bohrer Zanetello, que trabalham na Emergência do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina e vinculado à Rede Ebserh (HU-UFSC), esclareceram algumas dúvidas sobre o tema.

 

Segundo as profissionais o tema suicídio deve ser abordado com cautela, mas também com informação, que é uma das principais armas para esclarecer mitos e lutar contra o estigma e o preconceito. Ainda de acordo com elas, há o impacto do isolamento e do estresse decorrentes da pandemia, mas não existe uma relação linear e imediata com o suicídio. “O fenômeno da ideação suicida, das tentativas de suicídio e do suicídio em si é complexo e têm diferentes fatores associados”.

Além disso, acrescentam que a sensação de insegurança e o sentimento de solidão são reações normais dentro do contexto que estamos vivendo.

 

Qual é a importância da campanha Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo é uma iniciativa importante para dar visibilidade ao tema suicídio, mas devemos ter cautela sobre a forma como é abordado. Além disso, fazemos questão de destacar que as ações voltadas para a prevenção ao suicídio devem ser realizadas durante todo o ano.

 

Temos números sobre casos no HU-UFSC/Ebserh?

O Serviço de Psicologia da Emergência tem um protocolo de atendimento específico para pacientes que buscam a Emergência apresentando ideação suicida ou após tentativas de suicídio. No ano de 2019, as psicólogas da Emergência atenderam cerca de 230 casos de risco de suicídio. Além do atendimento e oferecimento de apoio psicológico, foram realizados os encaminhamentos necessários para tratamento, com base na avaliação do risco de suicídio. Os familiares também foram atendidos e orientados quanto às medidas de proteção que precisam ser oferecidas aos pacientes após a alta.

Em 2020, mesmo com as alterações realizadas na instituição devido à pandemia por Covid-19, o fluxo e atendimento aos casos de saúde mental e risco de suicídio permanecem ocorrendo normalmente.

 

O ano de 2020 está ligado à questão da solidão e do medo, devido à pandemia da Covid-19. Que impacto isso pode ter em termos de saúde mental e, por extensão, no risco de pensamentos suicidas?

O impacto dessas questões na saúde mental é diferente para cada um. Afinal, a forma como cada um reage a um mesmo estressor varia de acordo com uma série de aspectos, como qualidade dos relacionamentos, presença de fatores protetivos e aspectos resilientes e histórico de saúde mental. O mesmo vale para os pensamentos suicidas. O contexto de estresse associado à pandemia e à presença de outros fatores de risco podem aumentar a chance desse tipo de pensamento vir à tona. Mas não podemos falar de causa e efeito linear nessas situações. O fenômeno da ideação suicida, das tentativas de suicídio e do suicídio em si é complexo e tem diferentes fatores associados.

Solidão e medo são sentimentos que, provavelmente, todos experienciamos em algum grau, no contexto da pandemia. Tais reações emocionais, assim como a ansiedade e a preocupação, são esperadas e podem ser consideradas reações normais a uma situação anormal como a que estamos vivendo. Para algumas pessoas, porém, esses sentimentos são intensos e persistentes e causam sofrimento importante ou prejuízo no funcionamento. Nesses casos, é importante buscar ajuda especializada.

 

O uso de álcool pode ser associado ao suicídio? O uso desta substância no isolamento é mais arriscado?

O uso de substâncias psicoativas, como o álcool, por exemplo, é um dentre vários outros fatores de risco associado ao suicídio. O risco associado ao uso dessa substância deve ser avaliado individualmente, considerando aspectos como a frequência, a quantidade, o impacto e os prejuízos relacionados ao consumo.

 

Geralmente, nas campanhas de prevenção ao suicídio, somos alertados para observar sinais das pessoas com quem convivemos. E, neste ano, este tipo de cuidado está mais difícil por causa do distanciamento. Que sinais podemos identificar por meio de uma conversa virtual?

Os sinais de alerta são os mesmos, independentemente de o contato ser pessoal ou virtual. Os principais são: comentários que demonstram desespero (exemplo: “eu não aguento mais viver assim”, “não sei mais o que fazer”), desamparo (exemplo: “eu estou me sentindo muito sozinho”, “ninguém consegue me entender”) ou desesperança (exemplo: “não vale a pena viver assim”, “nunca vou conseguir melhorar”) podem ser manifestações de ideação suicida.

Situações estressoras, especialmente relacionadas ao histórico de transtorno mental, podem desencadear crises suicidas. Por exemplo, separações conjugais, falências, perdas; mensagens ou comportamentos de despedida; falas sobre a morte como uma “solução para um problema”, um “modo de descansar”, são exemplos de alerta.

Se você ouvir alguém falando assim, converse um pouco mais, tente entender como ela está se sentindo e se coloque à disposição para ajudar. Caso acredite que alguém está em risco, expresse preocupação e não tenha medo de perguntar diretamente sobre pensamentos suicidas.

 

E que tipo de ajuda uma pessoa pode buscar se identificar que algum parente ou colega está tendo pensamentos suicidas? Como esta pessoa pode agir?

Escute e ofereça apoio emocional, sem julgar. Mais importante do que saber o que falar é saber ouvir. Fique junto ou acione a rede de apoio, mas não deixe a pessoa sozinha. Incentive a pessoa a buscar ajuda profissional em serviços de saúde. O próprio familiar ou amigo pode buscar algum serviço de saúde para receber orientações individualizadas sobre como agir.

 

O que podemos dizer para uma pessoa idosa que está em casa, sozinha e com medo neste momento?

Escute, ofereça apoio, compartilhe informações claras, concisas e confiáveis sobre a situação atual; incentive estratégias de autocuidado, fique junto da forma como for possível (presencialmente ou por contatos telefônicos ou virtuais). Você não pode oferecer uma solução, mas pode oferecer esperança de que eventualmente a situação irá se reorganizar. Incentive a busca por ajuda, o acompanhamento psicológico pode auxiliar a pessoa a fortalecer seus recursos e desenvolver estratégias de enfrentamento para lidar melhor com esse contexto.

 

Que tipo de recursos uma pessoa em sofrimento mental tem para buscar ajuda? Existe algum serviço telefônico, algum contato?

É importante buscar uma avaliação profissional em algum serviço de saúde. Por exemplo: CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde); UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais. O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um serviço que atende pessoas em situação de crise tanto por telefone (Ligue 188 - ligação gratuita) ou pelo site: https://www.cvv.org.br/

 

Considerações gerais

Esclarecer os mitos é uma forma de combater o preconceito e o estigma. No endereço eletrônico: https://www.setembroamarelo.com/ tem uma série de materiais que ajudam a desmistificar a questão do suicídio. Lá é possível baixar uma cartilha que tem uma tabela com os mitos e verdades do suicídio. Vale a pena dar uma olhada.

Confira mais informações sobre o tema aqui e aqui.

Sobre a Ebserh 

O HU-UFSC faz parte da Rede Ebserh desde março de 2016. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. 

 Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Os hospitais universitários são, por sua natureza educacional, campos de formação de profissionais de saúde. A Rede Ebserh não é responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país, apenas atua de forma complementar ao SUS. 

Com informações do HU-UFSC/Ebserh