Notícias
PIC/PIT
Projetos premiados pela Ebserh contribuem no tratamento do zumbido no ouvido e no acesso a dados essenciais para a gestão em saúde
Em 2025, os programas ofereceram 758 bolsas, sendo 446 para o PIC e 312 para o PIT (Imagem ilustrativa: Freepik).
Brasília (DF) – Estimular a pesquisa e o desenvolvimento de soluções inovadoras. Esse é o objetivo dos Programas de Iniciação Científica e Tecnológica (PIC/PIT) da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Criados em 2022, os programas oferecem bolsas para estudantes de graduação que desenvolvem projetos de pesquisa nos hospitais universitários da Rede Ebserh. O trabalho é feito com a orientação de pesquisadores qualificados.
Em 2024, foram ofertadas 665 bolsas, com duração de 12 meses e valor mensal de R$ 700. Desse total, 399 foram para o PIC e 266 para o PIT. Ao final do ciclo, os três melhores projetos de cada programa foram premiados pela Ebserh. “Promover o ensino e a iniciação científica e tecnológica de milhares de jovens que serão os futuros docentes, pesquisadores ou profissionais que utilizarão o conhecimento científico de forma crítica e íntegra, não tem preço”, afirmou o presidente da Ebserh, Arthur Chioro.
Transtorno de zumbido
Comprovar a eficácia da avaliação e tratamento direcionados e individualizados nos casos de transtorno de zumbido. Esse foi o objetivo do trabalho realizado pela estudante do oitavo semestre do curso de fonoaudiologia Fabiana Cristina Toillier, no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM-UFSM/Ebserh). O projeto ficou em primeiro lugar entre os que participaram do PIC em 2024.
O estudo foi baseado no atendimento de 155 pacientes no período de junho de 2024 a agosto de 2025. O primeiro passo foi realizar um protocolo de avaliação, que identificou que 34 pessoas precisavam apenas de orientações e acompanhamento. Os outros 121 pacientes passaram por tratamento direcionado e individualizado e 78 concluíram o protocolo.
Além de comprovar a melhora do transtorno em mais de 85% das pessoas atendidas, o projeto resultou em 22 resumos em anais nacionais e internacionais, dois artigos publicados, três aceitos e dois submetidos. “É necessário não somente investigar as características do zumbido, mas também compreender o cotidiano, os hábitos de vida, como sono, emoções e alimentação para, se necessário, intervir diretamente nesses fatores, proporcionando uma intervenção especializada em cada caso e um prognóstico mais favorável”, explica Fabiana Toillier.
O zumbido no ouvido é a percepção de um som sem fonte sonora externa que afeta cerca de 28 milhões de pessoas no Brasil, e o transtorno é a presença persistente e contínua desse sintoma. “Mais do que investigar o fenômeno, buscamos entender o paciente em sua totalidade, considerando aspectos auditivos, musculares, metabólicos, cognitivos e emocionais. Em muitos casos tivemos cura. Em outros, mostramos que é possível viver bem mesmo com o zumbido e reduzir sua percepção de forma significativa”, explicou a professora do Serviço de Atendimento Fonoaudiológico do HUSM e orientadora do projeto, Michele Garcia.
Repositório de Painéis
O projeto vencedor do Programa de Iniciação Tecnológica foi desenvolvido no Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC/Ebserh) com o tema Repositório de Painéis Públicos. O trabalho foi baseado no tratamento de dados do DATASUS, o Departamento de Informação e Informática do SUS, com o objetivo de facilitar o acesso a dados essenciais para a gestão em saúde, transformando-os em informações estratégicas.
Neste último ciclo, o projeto contou com a participação do estudante de estatística Luan Augusto Nascimento. “Participar desse trabalho teve uma contribuição muito relevante na minha trajetória acadêmica, pois me desafiou a pensar fora da caixa e buscar soluções criativas para lidar com um problema real, utilizando dados dos sistemas de saúde”, afirmou.
O objetivo é oferecer aos gestores e equipe de profissionais de dados autonomia na construção dos painéis sobre quatro temas: mortalidade; produtividade ambulatorial e hospitalar; nascidos vivos; e gestão hospitalar. A plataforma permite transformar dados brutos em informações visuais, interativas e coerentes e disponibiliza o código fonte que pode ser usado para a implementação desses produtos. O projeto pode ser acessado por meio do link https://github.com/repositorio-paineis-publicos.
Além de um importante reconhecimento institucional, o projeto obteve registro de propriedade intelectual, realizado com o apoio da Unidade de Gestão da Inovação Tecnológica em Saúde, vinculada à Gerência de Ensino e Pesquisa do CH-UFC. Esse marco reforça o compromisso da instituição com a inovação e a produção de conhecimento. Os painéis também ajudam a reduzir o tempo dedicado a tarefas operacionais e libera gestores e pesquisadores para se concentrarem na interpretação e no uso estratégico dos dados.
“Nossa motivação é disponibilizar quatro produtos prontos para o consumo e implantação para os hospitais universitários, além de manter as atualizações desses produtos mensalmente. Será um desafio, pois são muitos dados, mas estamos trabalhando nesse ambiente de produção, que sem dúvidas irá beneficiar várias áreas na Rede Ebserh”, explicou o orientador do projeto e chefe da Unidade de Sistemas de Informação e Inteligência de Dados do CH-UFC, Abel Silva.
PIC/PIT 2025
Em 2025, os programas ofereceram 758 bolsas, sendo 446 para o PIC e 312 para o PIT. Cerca de 50% das vagas foram destinadas às ações afirmativas, que incluem candidatos com renda familiar bruta inferior a um salário-mínimo per capita (RF), Pessoas Negras ou Pardas (PNP), Pessoas com Deficiência (PCD), Pessoas Indígenas (PI), Pessoas Quilombolas (PQ), e que tenham cursado integralmente o ensino médio em escola pública. O início das atividades está previsto para 1º de setembro, com vigência até 31 de agosto de 2026. Para mais informações, acompanhe a página oficial dos programas.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh