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Luta contra o câncer
Modernização de aceleradores lineares transforma vidas no tratamento oncológico dos hospitais da Rede Ebserh
Atualizar os aceleradores também possibilita a redução de riscos e complicações clínicas, com menores taxas de toxicidade e aumento da sobrevida global dos pacientes.
Brasília (DF) – Rosilda Alves tem 68 anos e reside em Rio Largo, cidade a 27 km de Maceió (AL). Casada, com três filhos, um neto e, em breve, um bisneto, ela descobriu um câncer no útero em agosto, após realizar sete biópsias. Desde então, ela passa pelos tratamentos de radioterapia e quimioterapia no Hospital Universitário Alberto Antunes (HUPAA-Ufal), unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) na capital alagoana.

Rosilda comparece às sessões acompanhada pelo esposo ou por uma das irmãs. “O deslocamento até aqui é fácil, o meu genro se disponibilizou para me trazer todos os dias. Então ele vem pela manhã, fica aqui comigo, me aguarda até eu terminar e depois volta, porque à tarde ele começa a trabalhar”, conta Rosilda.
O acompanhamento do caso de Rosilda e outros pacientes do Centro de Oncologia (Cacon) do HUPAA-Ufal se tornou mais preciso graças à modernização dos aceleradores lineares (aparelhos utilizados na radioterapia).
A unidade alagoana foi a primeira da Ebserh a fazer essa atualização. E agora está em curso os equipamentos de outros 8 hospitais: CH-UFPR, HC-UFG, HE-UFPel, HU-UNB, HU-UFPI, HUM-UFSM, HUMAP-UFMS e CHC-UFRJ.
A atualização tecnológica é um “upgrade” no equipamento com a substituição de componentes e software que traz um impacto significativo na assistência oncológica por assegurar um tratamento mais preciso, com redução do tempo de tratamento por paciente e menos efeitos colaterais. Trata-se de um avanço significativo em termos de eficiência terapêutica e qualidade assistencial. Outro aspecto é o potencial de desospitalização precoce, que otimiza a ocupação de leitos e impacta positivamente na economia do SUS.
A previsão é que até março de 2026, todos os 8 equipamentos estejam em condições de funcionamento já com os recursos tecnológicos novos, oferecendo mais acesso e qualidade aos pacientes.
Para a diretora de Administração e Infraestrutura da Ebserh, Odete Gialdi, a modernização dos equipamentos vai permitir aos pacientes acesso a tratamentos mais rápidos, precisos e com menos efeitos colaterais. “Os estudos mostram que cânceres de próstata e mama, que juntos representam quase 50% da demanda atual de radioterapia, poderão ser tratados em muito menos tempo. Em vez de 39 dias, o tratamento de um câncer de próstata poderá ser feito em até 5. Isso vale para câncer de mama, cuja duração poderá cair de 15 para até 5 dias”, explica Gialdi.
Estes equipamentos foram adquiridos no âmbito do Plano de Expansão da Radioterapia no Sistema Único de Saúde - PERSUS I, programa coordenado pelo Ministério da Saúde com o objetivo de ampliar o acesso ao tratamento do câncer.
Agora, além da atualização dos equipamentos do primeiro programa, o Ministério da Saúde publicou o PERSUS II. A iniciativa do Ministério da Saúde é integrante do eixo saúde do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e visa ampliar a oferta de radioterapia, seja pela substituição de equipamentos de radioterapia em obsolescência (cuja atualização não é viável) ou pela implantação de novos.
Seis unidades da Ebserh foram contempladas com novos aparelhos do PERSUS II:
- Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB);
- Complexo Hospitalar da UFRJ (CH-UFRJ);
- Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM-UFSM);
- Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU);
- Complexo Hospitalar Universitário da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA);
- Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS).
Assim, a Ebserh, que já possui atualmente14 equipamentos em 12 hospitais da rede, irá ampliar ainda mais a oferta de radioterapia no SUS.
Rosilda Alves já sente os reflexos esses ganhos em precisão no atendimento. "Comecei descobrindo um sangramento nesse ano, fui para outros médicos, fazia exames e geralmente sangrava. O tempo foi passando e se prolongando; e, depois de conseguir fazer a biópsia, entrei no Cacon [do HUPAA-Ufal] para fazer meu tratamento. Agora estou me sentindo ótima, me recuperando bem e não sangro mais, graças a Deus,” finaliza.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Raoni Santos, com contribuição de Suzana Gonçalves
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh