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Impressão 3D micrométrica com células vivas é avanço inédito na área de biomateriais
Pesquisadores do CTI Renato Archer realizaram um feito inédito na América Latina: imprimir microestruturas tridimensionais por polimerização de dois fótons, com células vivas já integradas ao material. A façanha representa um grande avanço para o estudo de tecidos, e é um passo significativo em direção à medicina do futuro.
A Divisão de Tecnologias para Produção e Saúde da instituição introduziu células vivas retiradas da hipoderme de camundongos em um hidrogel biocompatível, um material propício à proliferação de culturas celulares. Essa mistura, chamada de biotinta, foi utilizada como matéria-prima para a construção de minúsculos scaffolds – estruturas tridimensionais repletas de microporos onde as células podem se multiplicar de maneira parecida à que ocorre no organismo.
Também chamados de arcabouços, os scaffolds são amplamente utilizados em pesquisas por permitirem a reprodução tridimensional da arquitetura e função de tecidos biológicos – ao contrário das culturas celulares em placas de Petri, onde as células crescem em um plano 2D. O mais comum é que células vivas sejam inseridas em arcabouços já impressos. “O que nós observamos é que as células tendem a ficar na superfície do scaffold, ou então elas descem até o fundo. Na prática, a cultura celular acaba se desenvolvendo de forma bidimensional, como numa placa”, explicam os pesquisadores Claudio Y. Morassuti e Luciana Trino Albano.
A grande vantagem de imprimir os scaffolds já com as células integradas ao material é que esse método garante que elas sejam distribuídas de maneira mais uniforme por toda a estrutura, contribuindo para um crescimento verdadeiramente tridimensional da cultura, como acontece no corpo. A dificuldade é fazer com que as células sobrevivam ao processo de impressão.
O CTI Renato Archer resolveu o problema empregando um equipamento de polimerização de dois fótons (ou 2PP) – uma técnica avançada de manufatura aditiva por varredura a laser com comprimento de onda de 780 nanômetros. Esse comprimento, na faixa do infravermelho próximo, não danifica as células; outros métodos de impressão 3D, pelo contrário, utilizam ondas na faixa do azul e do ultravioleta, que podem ocasionar morte celular, comprometendo a impressão de biotintas com materiais já cultivados.
O equipamento, de origem austríaca, foi adquirido pelo projeto EMUTISAUDE, financiado pela Finep e coordenado pela diretora do CTI, Juliana Daguano, e pelo tecnologista Izaque Maia. O 2PP permite a construção de estruturas complexas com resolução submicrométrica; os scaffolds impressos no experimento têm apenas 3 milímetros de diâmetro e 700 micrômetros de altura. O tamanho pequenino, entretanto, contém a promessa enorme de um conhecimento cada vez mais avançado sobre o funcionamento dos tecidos biológicos.
Divisão de Relações Institucionais
Contato: dirin@cti.gov.br


