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Dia das Mulheres do CTI Renato Archer foi celebrado com lançamento de edital, mesa redonda e homenagem

- Viviane Nogueira Hamanaka, Thais Colicchio, Erica Dias, Juliana Daguano, Pâmela Ponce, Samanta Machado Falchi e Lívia Bernardes.
O CTI Renato Archer celebrou o Dia das Mulheres com uma manhã especial no auditório da instituição, no dia 9 de março. A programação incluiu mesa redonda sobre empreendedorismo e políticas de diversidade, o lançamento de um edital para capacitação em negócios voltado a pesquisadoras, falas de representantes do Poder Executivo e uma homenagem surpresa a uma servidora veterana da instituição.
A diretora do CTI, Juliana Daguano, abriu o dia lembrando de importantes conquistas das mulheres no século 20, como o direito ao voto – uma das causas defendidas pela bióloga e ativista Bertha Lutz, personalidade homenageada no painel do evento. Ela trouxe, entretanto, uma série de dados demonstrando o quanto a desigualdade de gênero continua sendo um enorme problema na sociedade brasileira. No campo da ciência, ela lembrou que, apesar dos avanços (como o fato de mulheres serem maioria entre pessoas com doutorado), ainda há baixa representatividade feminina em reitorias de universidade – um exemplo do “teto de vidro”, a estagnação que atinge a carreira de mulheres em determinado ponto de uma trajetória de sucesso. A discriminação sofrida por mulheres mais velhas – inclusive em relação ao tabu da menopausa, sobre a qual ainda há muita ignorância – também foi posta em relevo.
“Tem a máxima que diz que lugar de mulher é onde ela quiser, mas para que isso aconteça, é preciso que as nossas diferenças sejam respeitadas”, declarou a diretora do CTI. No âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Juliana comemorou a recentíssima publicação de uma nova portaria instituindo o Comitê Permanente de Gênero, Raça e Diversidade.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas marcou presença por meio da Diretora de Tecnologia e Inovação, Dayane Cordeiro, que pôs em relevo a discrepância de gênero na Câmara Municipal – são 28 vereadores e apenas 5 vereadoras. Os dados alarmantes sobre feminicídio – crime cuja incidência tem aumentado no País e também no Município – também foram comentados. “A lei é um instrumento de mudança cultural, mas ela não é suficiente. Mulheres ocupando espaços como este, diante de um auditório cheio, é fantástico”.
A Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, enviou mensagem de vídeo direcionada às colaboradoras do CTI. “A ciência brasileira é mais forte quando é diversa”, afirmou; “cada projeto desenvolvido, cada inovação implementada, cada desafio superado contribui para um Brasil mais soberano, competitivo e justo”.
Programa vai capacitar mulheres empreendedoras
Um dos momentos mais aguardados da programação foi o lançamento do Programa Mulheres na Tecnologia. Iniciativa do Parque Tecnológico CTI-Tec e da Fundepag, o programa irá capacitar 50 mulheres com projetos em fase inicial que possam ser convertidos em negócios inovadores. Durante um mês, serão realizadas ações de capacitação em Empreendedorismo, Modelagem de Negócios, Modelo C para negócios de impacto socioambientais e Propostas Tecnológicas. As capacitações serão realizadas pelas instituições parceiras Coalizão pelo Impacto, IAPRENDI e Sebrae Campinas.
Ao fim do mês de capacitação, os dez projetos com maior potencial serão convidados para serem acelerados, acessando a infraestrutura de pesquisa científica do CTI Renato Archer por um período de três a quatro meses. Dentre os dez selecionados, os cinco projetos de maior destaque receberão ainda um prêmio em dinheiro no valor de R$ 5 mil para ser aplicado no desenvolvimento do projeto. O edital completo será lançado em evento no dia 31 de março.
Justificando a importância da iniciativa, a Coordenadora de Ambientes de Inovação da Fundepag, Lívia Bernardes, explicou que somente 15% das startups são fundadas por mulheres, e somente 2% do venture capital são investidos em startups fundadas unicamente por mulheres. “É um número muito baixo quando pensamos na quantidade de startups no Brasil”, comentou.
Da ciência aos negócios
A atração principal da programação foi a mesa redonda sobre empreendimento feminino na área de tecnologia e inovação. Mediadas por Thais Colicchio, da organização Coalizão pelo Impacto, a chefe da Divisão de Gestão de Cooperações e Parcerias do CTI, Erica Dias, e as convidadas Pâmela Ponce, da plataforma IAPRENDI, Samanta Machado Falchi, gerente global de propriedade intelectual da Mondelez, e Viviane Nogueira Hamanaka, CEO da Autocoat, falaram das suas experiências como mulheres, pesquisadoras e empreendedoras.
Além de um debate franco sobre os desafios da inclusão em ambientes corporativos – e que medidas concretas podem ser tomadas para assegurar a diversidade –, a conversa foi cheia de insights e dicas valiosas para cientistas interessadas em levar os resultados das suas pesquisas ao mercado.
Foi exatamente esse o percurso trilhado por Viviane, que transformou as suas descobertas como pesquisadora em diversas instituições – entre elas o CTI Renato Archer – na Autocoat, empresa de equipamentos e processos automatizados de deposição de filmes finos por blade coating.
Especialista em conectar startups a investidores, Pâmela revelou que o principal erro cometido por cientistas buscando empreender é levar toda a complexidade da pesquisa acadêmica aos financiadores. O que o mercado compra, segundo a investor relations, é simplicidade, clareza e redução de riscos. “Não precisa trair a ciência, só é preciso inverter a ordem; faça um recorte do problema e leve-o ao mercado”, afirmou. É preciso dar uma resposta para a pergunta mais importante dos potenciais investidores: “qual é a dor resolvida por esse produto?”.
Para Samanta, “todo cientista é um empreendedor”, pois muitas das habilidades exigidas para empreender já estão presentes na pesquisa: capacidade de iniciativa, organização, planejamento e o desejo de se lançar no desconhecido. Na sua experiência profissional, a gerente identifica outras habilidades essenciais: os chamados soft skills, competências subjetivas ligadas à inteligência emocional e facilidade de comunicação – “a tecnologia social da conversa”, nas palavras de Thais. A gerente de PI afirma que, na sua equipe na Mondelez, são essas competências, frequentemente associadas ao feminino, as mais trabalhadas.
A fala de Erica focou nas políticas de empresas e organizações para estimular a diversidade. Muito além da contratação, é preciso desenvolver estratégias para garantir a permanência de pessoas com necessidades diversas nos quadros das instituições. Dentre as medidas discutidas na mesa redonda e com o público, algumas das soluções sugeridas para gestantes e pessoas com crianças pequenas incluíram lactários, espaços de cuidado infantil, licença parental também para pais, trabalho híbrido temporário, vagas de estacionamento reservadas e auxílio financeiro.
É necessário, acima de tudo, promover mudanças atitudinais, com um foco no acolhimento e na empatia. “Mostrar fragilidade não é mostrar fraqueza”, refletiu Samanta; “é mostrar o ponto em que você precisa de ajuda, e onde você pode ajudar o outro”. São transformações que não deveriam ser responsabilidade apenas das mulheres. Como arrematou Erica: “falando para os homens, já que estamos falando que a inovação é coletiva: incluam as mulheres nas suas redes de contato e apoiem a liderança de mulheres”.
Encerrando a programação, Angela Alves, uma das servidoras mais antigas do CTI Renato Archer, foi surpreendida com uma homenagem pelos seus anos de dedicação e competência, recebendo orquídeas das mãos da diretora da instituição, Juliana Daguano. Desde 1984 no CTI, Angela nem pensa em se aposentar: “Engenheiro é pra resolver problema. Lugar nenhum vai me dar essa vida intelectual que eu preciso. Eu estarei aqui até a morte!”
O evento de Dia das Mulheres pode ser assistido na íntegra no canal do CTI Renato Archer no YouTube.
Divisão de Relações Institucionais
Contato: dirin@cti.gov.br


