Yolice Moreno: ciência com impacto e relevância
Yolice Patricia Moreno Ruiz nasceu em Sincelejo, na região da Costa Atlântica da Colômbia. Ela escolheu a Universidade Nacional da Colômbia, em Medellín, para estudar engenharia química e também foi lá onde iniciou a formação como pesquisadora e cursou o mestrado na área. A sua última parada foi o Brasil, onde ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para fazer seu doutorado no campo de estudo, em 2012. Ela já vislumbrava o estudo no exterior quando recebeu de um colega a indicação do professor que viria a ser seu orientador. E foi nessa época em que descobriu o mundo da nanotecnologia.
Sua carreira já revela uma cientista que transita por diferentes aplicações do conhecimento. Ela desenvolve pesquisas em química de materiais e já trabalhou tanto na área de saúde pública, com bactérias multirresistentes a antibióticos, quanto no desenvolvimento de nanofertilizantes. Agora, iniciando sua jornada como pesquisadora do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), unidade de pesquisa do MCTI, ela será a responsável pela área de nanotecnologia do centro e pelo Laboratório de Nanotecnologia Aplicada ao Tratamento de Efluentes.
No Cetene, pretende se dedicar inicialmente a duas temáticas. A primeira é o tratamento de efluentes, em especial na remoção de corantes azóicos, um tipo utilizado com frequência na produção de vestuário infantil. Entre seus objetivos neste campo está o de otimizar os sistemas de catálise, de quebra, das moléculas contaminantes. Uma possibilidade é avançar no uso da fotocatálise, com emprego de luz solar para mineralização dos compostos orgânicos existentes nos corantes. O desafio é escalonar a viabilidade da técnica do nível de laboratório para o industrial.
Numa segunda perspectiva, a cientista pretende consolidar sua atuação na área de saúde. “Eu sou uma pessoa multidisciplinar que gosta de transitar por vários campos. Aqui eu gostaria de desenvolver materiais que além de fazer remoção de poluentes, também tenham propriedades antibactericidas e multifuncionais”, resume Yolice.
Esses interesses não são gratuitos. A conversa com Yolice Moreno revela com facilidade o seu carinho pelos filhos, Adrian (4 anos) e Esther (recém-nascida). “Eu me identifico primeiramente como mãe e como esposa de Euzébio”. Também mostra o seu amor pela família como um todo, em especial o afeto pelos pais. “Eles sempre apoiaram minhas escolhas, mesmo isso tendo me levado cada vez para mais longe deles. Inicialmente a Medellín e depois aqui para o Brasil”, revela.
Esse apoio foi importante desde a formação inicial da pesquisadora. Ela revela que o interesse inicial por pesquisa surgiu ainda no ensino médio, ainda sem uma área específica. Ao optar pela graduação, sua primeira opção seria engenharia nuclear, mas acabou sendo levada para engenharia química porque a Colômbia não oferecia o outro curso no país.
Sua investigação científica revela mais do que um cuidado com os filhos, mas também o compromisso com sua visão de ciência. “A pesquisa precisa dar retorno à sociedade, resolver os seus problemas. A publicação é importante, a divulgação é necessária, mas nós recebemos muito investimento, temos acesso a uma formação que exige de nós a entrega de resultado, de um produto que demonstre a relevância da ciência e da tecnologia”, defende.