Olavo Cardozo: movido a energia solar e paixão pelo Nordeste
Olavo Cardozo é acima de tudo um nordestino. Movido pelo entusiasmo com a energia solar. Essas identidades regional e profissional são os nortes que devem reger a atuação do novo pesquisador do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE). “São dois grandes ideais que persigo. Eu tenho muito esse foco de ciência, tecnologia e engenharia pelo desenvolvimento do Nordeste”, resume. Olavo Cardozo cresceu em um ambiente onde a educação sempre foi uma prioridade. Com forte influência familiar, desde os avós, passando por sua mãe, que é professora universitária. Seu caminho em direção às ciências exatas foi pavimentado desde cedo.
Sua jornada acadêmica, no entanto, ganhou contornos próprios quando ingressou no curso de Engenharia Biomédica na UFPE, momento em que enxergou com clareza o caminho da pesquisa científica. A partir dali, ele mergulhou em um tema que se tornaria a grande missão de sua carreira: as energias renováveis. Durante o mestrado e o doutorado, realizados na mesma universidade, teve a oportunidade de atuar em uma instituição pioneira no mundo na produção de células fotovoltaicas: foi a Johannes Kepler Universitat Linz, na Áustria, onde aprendeu na prática como desenvolver dispositivos eficientes para a geração de energia solar, durante um período sanduíche de seu doutorado.
A internacionalização do CETENE também é uma das contribuições com as quais ele pretende se comprometer. “Eu acho que às vezes tem um processo que está sendo feito com eficiência baixa, que você consegue ir num centro de pesquisa em outro país onde se faz isso bem, você manda um estudante, e consegue fazer esse processo de transferência de tecnologia”, reflete. Hoje, como pesquisador Centro, Olavo dedica-se a projetos que estão no centro do debate sobre a transição energética global. Ele atua em duas frentes principais: a produção de células fotovoltaicas de terceira geração — cujo processo de fabricação é mais acessível do que as tradicionais células de silício — e o desenvolvimento de tecnologias de armazenamento para fontes de energia sustentáveis.
O pesquisador destaca que um dos maiores desafios das fontes renováveis, como a solar e a eólica, é a intermitência. "Você não controla o vento, nem controla o sol", explica. Por isso, desenvolver formas de armazenar essa energia é crucial para viabilizar a substituição definitiva dos combustíveis fósseis, que carregam não apenas o peso das altas emissões de CO2, mas também complexos problemas geopolíticos globais. Nesse contexto, ele ainda destaca que o caminho para a superação deste cenário não passa por uma única solução. "Não se resolve tudo apenas com energia eólica ou solar, quem afirma isso está equivocado. A energia tem esse conceito que as soluções são múltiplas", defende.
Já para atuar no problema do armazenamento, Olavo busca inspiração na própria natureza. Ele propõe pesquisas na área de "fotossíntese artificial", observando que a natureza, há bilhões de anos, não armazena energia na forma elétrica, mas sim na forma química. A ideia de seu projeto é utilizar a energia solar para produzir hidrogênio e, a partir da captura e reciclagem de CO2 da atmosfera (descarbonização), gerar combustíveis líquidos, como o metanol.
Para além das bancadas do laboratório, Olavo defende que a comunidade científica precisa assumir um papel ativo e contundente no debate público. Olavo acredita que é fundamental traduzir esses dados para a sociedade, mostrando que a sustentabilidade e a transição energética são urgências baseadas em evidências concretas. Ao unir inovação tecnológica inspirada na natureza com a defesa intransigente do conhecimento científico, ele espera que seu trabalho no Cetene ajude a pavimentar o caminho para um futuro verdadeiramente sustentável.