Adriana Carvalho: o olhar para a coletividade e as políticas públicas
Pessoas são um ativo imprescindível para Adriana Soares de Carvalho. É por isso que ela ama o carnaval, que não esquece dos esforços de sua mãe, Jocelha Soares, na sua criação e educação ou ainda é o porquê de considerar os amigos como uma família estendida. Também é o motivo pelo qual a ciência também faz tanto sentido para a nova tecnologista do Cetene. Afinal, em que outra área seria possível atuar de maneira tão colaborativa e com tanto impacto social? “A gente vai conseguir construir algo sólido e que consiga avançar, subir de nível, se atuarmos juntos”, resume.
A graduação em química, pela Universidade Federal de Pernambuco, de certa forma demonstra como as atitudes de pessoas impactam outras pessoas. Após um primeiro ano do ensino médio com aulas de química ministradas por uma bióloga, o que poderia se tornar uma lacuna na formação, Adriana teve a sorte de contar com o professor Josemar nas séries seguintes. Com esse aliado reforçando sua curiosidade inata, tornar-se cientista começou a parecer um caminho possível.
“Josemar era uma pessoa que sempre pegou na nossa mão e mostrou: olha, é possível a gente vencer assim através da educação. É possível vocês entrarem na universidade, vocês alcançarem coisas que não são uma realidade próxima. No terceiro ano do ensino médio ele fazia intensivão com revisão do conteúdo do primeiro ano. Então, foi a partir dele mesmo que eu me apaixonei pela química e a vi como possibilidade", detalha Adriana.
De fato, outros mundos possíveis se abriram com o mestrado em química e doutorado em ciência de materiais, em sequência, também na UFPE. Desse período, ela traz para o Cetene pelo menos uma das suas propostas de atuação: o desenvolvimento de materiais baseados em grafeno, derivado do carbono, com muito potencial para uso na economia digital, a exemplo de telas, entre outros. Isso por ser uma estrutura bidimensional, leve, muito fina, resistente e boa condutora tanto elétrica quanto térmica. “Podemos nacionalizar a produção desse tipo de tecnologia e deixarmos de ser tão dependentes do mercado externo”, pontua.
Outro caminho, também no mundo do carbono, é a pesquisa e criação de produtos e aplicações baseadas em biochar. Este material tem relevante impacto ambiental, pois captura carbono em sua produção, que é feita a partir da queima de resíduos orgânicos agroindustriais, como bagaço de cana-de-açúcar, restos de coco ou cascas de frutas em geral. Ele pode ser utilizado, por exemplo, como fertilizante inteligente na agricultura (podendo ser combinado com outros elementos), ou na área de energias.
“Meu desafio aqui é tirar a cabeça um pouquinho ali da bancada e visualizar quais são as problemáticas que existem aqui no Nordeste, como elas podem ser solucionadas com essa pesquisa que está sendo desenvolvida. A gente tem que ter um olhar aplicado mesmo, ver qual é a dor que a gente precisa sanar e ter o foco em melhorar a vida das pessoas. Acho que isso é o principal papel da ciência", reflete Adriana, lembrando que ela própria também não chegou aqui sozinha. Mas com apoio de uma escola pública de referência, na qual ela só conseguia chegar por causa do esforço materno e das políticas públicas de auxílio à população.