Notícias
Missão científica leva pesquisa do CBPF à China
Alinhado às diretrizes da presidência brasileira do Brics em 2025, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) fortaleceu a cooperação científica do Sul global com a missão do pesquisador Andreij de Carvalho Gadelha a Xangai, na China, em julho.
O físico participou da Escola Internacional de Verão da Universidade Tongji — uma das maiores e mais prestigiadas da Ásia — a convite da instituição. Com o seminário The Rise of Moiré Physics, compartilhou sua expertise na preparação de heteroestruturas de materiais bidimensionais (2D), técnica desenvolvida por ele e, hoje, aplicada no CBPF.
Além de ministrar treinamentos em nanofabricação e preparação de materiais 2D – com introdução de uma técnica inovadora desenvolvida no Brasil para produzir amostras 2D rotacionadas com maior qualidade, área ampliada e menor tempo de fabricação em relação aos métodos convencionais –, Gadelha se reuniu com colegas da Tongji e com pesquisadores de outros países do Brics. “A cooperação já gerou resultados concretos, como amostras inovadoras em colaboração com estudantes chineses e a observação de efeitos físicos inéditos, que estão em análise para futura publicação”, destacou.
Expansão diplomática
A missão também abriu espaço para negociações formais de mobilidade acadêmica entre o CBPF e a Tongji University, atualmente, em fase de consolidação. Para Gadelha, tais acordos são fundamentais para fortalecer o Brasil como polo de ciência de fronteira e ampliar o acesso de jovens pesquisadores a centros internacionais de excelência.
“O sucesso da missão reafirma o potencial transformador da ciência brasileira e mostra como alianças estratégicas com países parceiros, como a China, são essenciais no contexto dos Brics”, avaliou. “Trata-se de uma oportunidade concreta de posicionar o Brasil como protagonista global em ciência, tecnologia e inovação”.
Linha de pesquisa
A trajetória de Gadelha na área de materiais 2D tem destaque internacional. Em 2021, ao lado de colegas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), publicou, na revista Nature, o estudo Localization of lattice dynamics in low-angle twisted bilayer graphene — primeira capa da revista liderada por brasileiros. O trabalho revelou como vibrações em materiais ultrafinos, como o grafeno, podem influenciar a supercondutividade, abrindo novas perspectivas para a nanotecnologia.
Entender a dinâmica dos elétrons e das vibrações na supercondutividade do grafeno significa aproximar a temperatura crítica desse fenômeno da temperatura ambiente. Isso abriria caminho para revoluções profundas na tecnologia, como baterias capazes de recarregar em segundos e processadores ultrarrápidos sem perdas de energia por dissipação. Além disso, os estados de vibrações localizadas podem ser explorados para a geração de estados quânticos, com impacto direto em tecnologias emergentes, como sensores de altíssima precisão e dispositivos de comunicação quântica.
O CBPF, com essa missão, reafirma o potencial transformador da ciência brasileira e reforça seu compromisso com a pesquisa de fronteira e a cooperação internacional.
Para saber mais sobre a pesquisa de Andreij de Carvalho Gadelha:
Notícia: https://globoplay.globo.com/v/9323987/
Entrevista SBF: https://www.youtube.com/watch?v=V8n5-S8Mvog

