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Ex-diretor Roberto Lobo visita CBPF e revisita capítulo importante da ciência brasileira
O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) recebeu na última sexta-feira, 13/03, o físico Roberto Leal Lobo e Silva Filho. Diretor do CBPF entre 1979 e 1982, Lobo teve sua trajetória marcada pela atuação no ensino superior, na pesquisa científica e na formulação de políticas de ciência e tecnologia no Brasil.
A visita buscou reaproximar pesquisador e instituição, além de registrar historicamente o período em que esteve à frente do CBPF. A programação incluiu uma apresentação institucional realizada pelo diretor do centro, Márcio P. de Albuquerque, conversa com os coordenadores da casa e visitas a laboratórios e setores estratégicos da instituição.
Contexto histórico
No fim de 1979, quando assumiu a direção do CBPF, o Brasil vivia um período de transformação política e institucional. O governo do general João Baptista Figueiredo havia iniciado o processo de abertura que buscava conduzir o país à redemocratização, marcado naquele mesmo ano pela aprovação da Lei da Anistia. No campo científico, a comunidade acadêmica buscava fortalecer suas instituições e retomar projetos de longo prazo após anos de restrições políticas e instabilidade econômica.
Naquele período, a presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) era ocupada pelo matemático Maurício Matos Peixoto, um dos protagonistas da estruturação do sistema científico brasileiro. Foi ele quem convidou Lobo para assumir a direção do CBPF, sinalizando a confiança depositada na instituição e em seu papel estratégico para o desenvolvimento da física no país.
Ao aceitar o convite, Lobo estabeleceu duas condições: que sua gestão tivesse duração de três anos e que fossem viabilizados os retornos de dois dos fundadores do instituto — os físicos Jayme Tiomno e José Leite Lopes —, afastados do país em razão da ditadura militar.
“Foi um período desafiador e construtivo”, avaliou Lobo sobre sua gestão no CBPF.
Infraestrutura científica e o projeto do sincrotron
Na época, também começaram a ganhar corpo, na comunidade científica brasileira, as discussões sobre a criação de grandes infraestruturas de pesquisa. Entre elas estava o projeto de um laboratório nacional de luz síncrotron.
Lobo esteve na linha de frente dessa iniciativa, atuando como coordenador do projeto de implantação e diretor do empreendimento que daria origem ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS).
“A ideia era realizar um projeto com durabilidade científica, em que o desenvolvimento tecnológico fosse entendido como parte do próprio processo de pesquisa — mesmo quando os resultados não surgem no curto prazo”, explicou. Segundo Lobo, a iniciativa contou com o apoio de diversos pesquisadores ligados ao CBPF, entre eles Jacques Danon e Alberto Salmeron.
Ao revisitar o centro, Lobo destacou o papel histórico do CBPF na construção da ciência brasileira e na formação de novas gerações de pesquisadores. Para ele, a trajetória da instituição demonstra como ideias cultivadas em ambientes acadêmicos podem se transformar em projetos de impacto nacional.
“O CBPF deve se orgulhar da sua história, de ser uma fonte de ideias, de projetos que têm impacto para o país”, conclui.
