Notícias
Criosfera 1, laboratório brasileiro na Antártica, vira cenário de documentário da National Geographic
O laboratório brasileiro Criosfera 1 foi cenário de um novo documentário da National Geographic, estrelado por Will Smith, intitulado “De Polo a Polo” (Pole to Pole, no original). A visita ocorreu durante o verão antártico de 2022 e teve como objetivo registrar o trabalho dos cientistas brasileiros na Antártica — uma das regiões mais extremas do planeta —, além de destacar a importância do laboratório para a compreensão do clima no hemisfério sul.
Localizado no Planalto Antártico, o Criosfera 1 é o primeiro laboratório remoto e autônomo de pesquisa do Brasil. Projetado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o laboratório funciona exclusivamente com energia solar e eólica. Seu principal objetivo é monitorar variáveis climáticas essenciais, como aerossóis atmosféricos e gases de efeito estufa, contribuindo para a compreensão dos processos que influenciam o clima global.
As pesquisas desenvolvidas no Criosfera 1 contam com a participação de diversas instituições científicas brasileiras, entre elas o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade de São Paulo (USP).

- Will Smith em base científica na Antártida durante gravações de docuséries do National Geographic | Crédito: Divulgação
Ciência brasileira para entender o clima da Terra
Em 2026, o laboratório dará continuidade ao estudo científico iniciado em 2014, que busca responder a uma questão central para o entendimento do clima na Terra: qual é o papel dos raios cósmicos na formação de nuvens?
As nuvens desempenham um papel crucial no equilíbrio de energia da Terra, mas estão entre os elementos mais difíceis de serem representados nos modelos climáticos. Já as partículas cósmicas que atingem a atmosfera contribuem para processos de eletrização do ar e podem influenciar a formação de nuvens, o que torna essa investigação especialmente relevante.
A contribuição do CBPF para o monitoramento atmosférico
|
Nesse contexto, o CBPF participa ativamente por meio do projeto Cosmic Ray Experiment for Atmosphere (CRE4AT), coordenado pelo pesquisador André Massafferri. O detector desenvolvido pelo Centro é composto por cintiladores plásticos, materiais que emitem pequenos flashes de luz (fótons) quando atravessados por partículas cósmicas — principalmente múons, partículas semelhantes ao elétron, porém mais massivas. O projeto conta com sistemas de medição instalados em diferentes locais estrategicamente escolhidos, como o ecossistema antártico (na Estação Antártica Comandante Ferraz e no Criosfera 1) e o Observatório da Torre Alta da Amazônia. Essa rede de instrumentos permite a coleta contínua de dados sobre a interação entre radiação cósmica e atmosfera. Com isso, o CBPF contribui de forma direta, com instrumentação científica de ponta, para o monitoramento de fenômenos atmosféricos, incluindo a recuperação da camada de ozônio e, de forma específica, o impacto do carbono negro (black carbon ou fuligem) — partículas extremamente pequenas, resultantes da queima incompleta de combustíveis fósseis, biomassa e resíduos — sobre o gelo e o sistema climático. Essas partículas são prejudiciais tanto ao meio ambiente como à saúde humana. |
Onde assistir
O episódio que destaca o Criosfera 1, intitulado “The South Pole”, pode ser assistido no canal da National Geographic no YouTube, com legendas em inglês: https://www.youtube.com/watch?v=tX4QOyRPUmU
A série completa está disponível na plataforma de streaming da Disney+.
