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CLAF e CNRS celebram a criação da Rede Latino-Americana de Astropartículas
Um novo capitulo para a comunidade científica da América Latina teve início na última terça-feira, 27 de janeiro, com a assinatura de acordo para a criação da Rede Latino-Americana de Astropartículas. A iniciativa é fruto de um trabalho de cooperação entre Centro Latino-Americano de Física (CLAF) e o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), da França.
A cerimônia foi realizada no auditório Ministro João Alberto, no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), e contou com a presença da alta direção do CNRS, além de diretores de institutos e representantes responsáveis pelas estratégias de cooperação internacional da instituição francesa. O encontro celebrou a parceria já existente entre as instituições e formalizou o apoio ao desenvolvimento de novas ferramentas de pesquisa estratégica na América Latina.
A mesa-redonda de abertura contou com a participação de Antoine Petit, CEO do CNRS, Christelle Roy, diretora do CNRS Nuclear & Particle Physics, Márcio P. de Albuquerque, diretor do CBPF, e Ulisses Barres, pesquisador do CBPF e diretor do CLAF.
Ao comentar a relevância da criação de uma rede dessa complexidade, o diretor do CBPF destacou: “Hoje, além dos desafios de financiamento e desenvolvimento institucional, enfrentamos preocupações globais mais amplas: a fragilidade da paz, a instabilidade geopolítica, a urgência climática e a crescente responsabilidade da ciência em tempos de incerteza. Nesse cenário, a cooperação científica internacional torna-se não apenas desejável, mas essencial”.
Antoine Petit relembrou sua visita ao CBPF em 2023 e ressaltou a importância de estabelecer relações científicas duradouras entre as nações. Segundo ele, a ciência é um dos pilares fundamentais da relação entre Brasil e França.
Em sua fala, Ulisses Barres classificou a física de astropartículas como um dos campos mais dinâmicos e internacionalizados da física contemporânea. Destacou ainda sua importância histórica na América Latina, lembrando que essa área esteve no embrião da pesquisa em física no continente, especialmente no campo experimental. Como exemplo, citou os trabalhos de um dos fundadores do CBPF, Cesar Lattes, realizados no Monte Chacaltaya, na Bolívia, na década de 1940, que culminaram na descoberta do píon. Mencionou também a colaboração entre Bolívia, Brasil e Japão iniciada poucos anos após o fim da Segunda Guerra Mundial para demonstrar que a ciência, há muito tempo, atua como linguagem comum entre sociedades, com o poder de estabelecer conexões e amizades entre pessoas e nações.
Christelle Roy ressaltou a ciência como um poderoso vetor de progresso e afirmou que o CLAF e o instituto que dirige compartilham valores voltados ao benefício da sociedade: “Estabelecer esta rede é uma via de mão dupla para que a América Latina e a Europa, por meio do CNRS, possam fortalecer e consolidar sua colaboração”, afirmou.
O evento também dedicou um momento à iniciativa Alumini Session, rede que reúne cientistas e pessoal de apoio à pesquisa de todo o mundo que tiveram o CNRS como empregador ao longo de suas carreiras. Pesquisadores presentes compartilharam suas trajetórias e experiências, entre eles o próprio diretor do CBPF, Márcio P. de Albuquerque, que realizou pesquisas durante seu período de pós-graduação no Laboratório Louis Néel — hoje parte do Institut Néel, um dos institutos de pesquisa do CNRS.
Ao sediar o evento, o CBPF reafirma sua capacidade de dialogar com a física internacional e de fomentar a colaboração científica. “Este encontro trouxe novas perspectivas para a cooperação na América Latina. O CBPF tem um papel importante nesse processo, pois além de ter sido o anfitrião, participa de diversos experimentos no âmbito da comunidade científica latino-americana e pode contribuir para o fortalecimento da cooperação entre a França e os atores da região”, avaliou Albuquerque.
Eventos como esse reforçam o papel da ciência como ponte entre nações, instrumento de diplomacia e linguagem comum. Isso confere ainda mais significado à parceria entre o CBPF, o CNRS e o CLAF, bem como à iniciativa celebrada com a criação da Rede Latino-Americana de Astropartículas.


