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Ciência e evidências no centro do debate: CBPF sedia encontro inaugural de rede por novas políticas de segurança no RJ
De acordo com dados consolidados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Estado do Rio de Janeiro, mais de 170 mil mortes violentas foram registradas no estado entre 1998 e 2025. Diante desse cenário, foi realizado ontem (26), no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), o primeiro encontro da Rede Universitária Segurança Pública para Todos – Artigo 5º.
A iniciativa reúne instituições científicas e núcleos de pesquisa com o objetivo de promover um debate qualificado sobre segurança pública, fundamentado em dados e evidências. De caráter multidisciplinar, a Rede busca coletar, sistematizar e divulgar informações sobre a violência, produzir análises críticas e contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficazes e alinhadas à Constituição.
Durante a abertura, o diretor do CBPF, Marcio P. de Albuquerque, destacou a relevância da articulação: “A segurança pública é um desafio complexo. A iniciativa marca um movimento importante da comunidade científica e tecnológica em direção a uma atuação mais estruturada e integrada, baseada em dados, cooperação e troca de conhecimento”.
Ainda neste momento, Ligia Bahia, presidente da Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ADUFRJ), expressou que cabe também à academia pensar os problemas contemporâneos: “Para nós, a perspectiva de contribuir para uma abordagem racional sobre segurança pública é vital. Vivemos e trabalhamos no Rio”, afirma a pesquisadora, que é referência nacional em saúde coletiva.
O evento contou com duas mesas-redondas. A primeira reuniu grupos de pesquisa universitários atuantes na área, que apresentaram o campo de estudos e o contexto que motivou a criação da Rede. A segunda trouxe contribuições de autoridades científicas envolvidas na iniciativa.
Para o pesquisador João Trajano Sento-Sé, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV/UERJ), o momento representa uma retomada da participação acadêmica no debate público: “Há uma produção consistente de conhecimento sobre segurança pública que, por diferentes razões, foi sendo afastada do debate público. A Rede surge como uma forma de retomar esse espaço e contribuir, de maneira qualificada, para a construção de alternativas”.
Na mesma linha, Carolina Grillo, do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF), ressaltou o papel da articulação entre universidade e poder público: “A proposta é fortalecer o diálogo com as autoridades, para que o conhecimento acumulado ao longo de décadas possa subsidiar políticas públicas mais eficazes, comprometidas com os direitos humanos e com a ampliação da segurança”.

- Representantes das instituições participantes da Rede Universitária Segurança Pública para Todos RJ - Artigo 5° - Crédito: Ana Gouveia
Já o pesquisador Ignácio Cano, também do LAV/UERJ, destacou a necessidade de novas abordagens para o enfrentamento da violência: “As estratégias adotadas até agora não resolveram o problema e, em muitos casos, o agravaram. A Rede busca contribuir para a construção de políticas mais eficazes, que respeitem os direitos e fortaleçam um processo civilizatório”.
Articulação institucional
A Rede é formada por pesquisadoras e pesquisadores do Departamento de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli da Fundação Oswaldo Cruz (CLAVES/Fiocruz); do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (INCT-InEAC) e do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF); do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV/UERJ); do Núcleo de Estudos de Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Necvu/UFRJ); e do Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
A iniciativa conta ainda com o apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ADUFRJ) e do CBPF.
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