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CBPF reúne estudantes do Brasil e da América Latina na 9ª Escola Avançada de Física Experimental
De 26 de janeiro a 6 de fevereiro, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro, realizou a 9ª edição da Escola Avançada de Física Experimental (EAFExp). O programa reuniu cerca de 70 estudantes de graduação e pós-graduação de diferentes regiões do Brasil e da América Latina para uma imersão intensiva no cotidiano da pesquisa científica.
Ao longo de duas semanas, os participantes trabalharam em laboratórios de ponta do CBPF, enfrentando desafios reais da física experimental – da formulação do problema científico à análise e interpretação dos dados. A proposta da escola é aproximar estudantes da rotina da pesquisa e estimular a construção coletiva da ciência na inter-relação com diferentes disciplinas e saberes.

- Alunos e comitês da organização no último dia de evento. Crédito: NCS/CBPF
Nesse contexto, a decisão da organização da EAFExp pela diversidade do perfil dos participantes se torna ainda mais importante. Cerca de metade dos estudantes são mulheres, vindas de diferentes regiões do país e de diversas cidades do Rio de Janeiro, ampliando o alcance da escola e fortalecendo a presença feminina na física experimental, área historicamente marcada pela baixa representatividade.
O coordenador da 9ª EAFExp, André Linhares Rossi, destaca que a escola vai além de cursos tradicionais porque foi pensada, desde sua primeira edição, para colocar estudantes dentro do laboratório, lidando com as dificuldades reais da experimentação científica, que nem sempre aparecem nas disciplinas regulares: “É uma formação intensa, que exige autonomia, trabalho em grupo e capacidade de tomar decisões a partir dos dados.”
Nesta edição, estudantes de graduação e de pós-graduação em física e áreas correlatas puderam escolher entre 14 módulos experimentais, que abordaram temas da física contemporânea, como física de partículas, materiais quânticos, spintrônica e tecnologias emergentes.
As atividades foram conduzidas e acompanhadas por pesquisadores do CBPF e de instituições parceiras, entre elas Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal Fluminense (UFF), Centro Nacional de Pesquisa em Energias e Materiais (CNPEM), Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP Portugal) e Petrobras, ampliando o intercâmbio acadêmico e científico.
Este ano, a Escola também contou com maior número de alunos e professores da América Latina, em função do apoio do Centro Latino-Americano de Física (CLAF), que assinou acordo de cooperação técnica com o CBPF em maio de 2025.
Para quem participou, a experiência representou o contato direto com a prática científica em alto nível e a construção de novas amizades e conexões com docentes, pesquisadores e pesquisadoras. Rálita Murila Souza, da Universidade Federal de Tocantins, conta que se empolgou com a estrutura e com os pesquisadores: “Tive contato com assuntos e tecnologias que nunca teria tido de outra forma. Estar aqui me abriu os olhos para novas possibilidades”.
Maria Antonia de Castro, da PUC-Rio, ressalta que só tem coisas boas a dizer da 9ª EaFexp: “Entrei uma cientista e saio outra, completamente diferente. Mudou totalmente minha trajetória. A gente ganhou muita autonomia e independência para descobrir e entender as coisas. Saio com muito mais confiança e conhecimento”.

- Rálita e Maria Antonia participaram do Módulo de Instrumentação em Física de Partículas I. Crédito: NCS/CBPF
O sentimento de Rálita e Maria Antonia é também compartilhado por David Goes Costa, da Universidade Federal de Sergipe: “Tinha muitas e boas expectativas relacionadas à EAFExp, e o CBPF entregou todas. Trabalhamos com os equipamentos nos laboratórios, agregamos conhecimento no geral e na formação científica e ainda fizemos novas amizades e construímos network. A experiência foi muito enriquecedora”.
O encerramento da EAFExp teve uma sessão de seminários, na qual cada grupo apresentou os resultados e conclusões dos projetos desenvolvidos, além de uma confraternização que consolidou a vivência e a experiência acumuladas durante os dez dias de curso. Além disso, contou com a premiação dos três melhores pôsteres apresentados durante os primeiros dias de escola e uma menção honrosa.
Para João Paulo Sinnecker, vice-diretor do CBPF, ao apostar na formação experimental, na diversidade e na circulação de talentos de diferentes territórios, a escola reafirma o papel do CBPF na construção da ciência brasileira: “Dizem que o ano começa depois do Carnaval, mas, para a gente, começa depois da EAFExp”.
Realizada anualmente, a Escola Avançada de Física Experimental é uma das principais iniciativas do CBPF para a formação de recursos humanos na área experimental, consolidando-se como um programa estratégico para o fortalecimento da física experimental no Brasil e na América Latina.
