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CBPF participa de descoberta publicada na Nature Astronomy e tem pesquisador eleito para academia internacional
O trabalho descreve a estrela PicII-503, localizada na galáxia anã ultrafaint Pictor II, como um objeto excepcionalmente primitivo, capaz de preservar em sua composição química a assinatura de uma supernova de primeira geração.
Os cientistas observaram que essa estrela tem pouquíssimo ferro e cálcio, mas uma quantidade muito alta de carbono. Esse “padrão químico” funciona como uma espécie de impressão digital das primeiras gerações de estrelas, ajudando a entender como os elementos químicos começaram a se formar no Universo. A descoberta reforça a hipótese de que estrelas pobres em metais e ricas em carbono possam ter se formado a partir do material ejetado por supernovas de baixa energia do início do cosmos. Isso fortalece o papel das galáxias anãs como fósseis cósmicos, capazes de preservar informações sobre processos físicos inacessíveis às observações diretas do Universo muito distante.
A participação do CBPF no estudo se insere no contexto do projeto DELVE (Decam Local Volume Exploration Survey) – que utiliza o Dark Energy Camera (DECam) para investigar galáxias satélites e estruturas estelares no Universo Local –, cujos dados fotométricos do DELVE DR2 integram a base empregada na pesquisa.
Para Clécio R. De Bom, esse trabalho é cientificamente importante porque ajuda a responder uma das questões mais fundamentais da astrofísica de como as primeiras estrelas constituíram os elementos pesados do Universo e como esse processo moldou a formação das primeiras galáxias: “Descobertas assim criam uma ponte entre o estudo detalhado de estrelas muito antigas no Universo local e a compreensão das condições físicas que prevaleceram nos primeiros tempos cósmicos. No contexto do projeto DELVE, esse resultado também mostra como infraestrutura de pesquisa, catálogos de qualidade, observações bem planejadas e colaboração internacional são decisivos para abrir novas janelas sobre a origem da matéria visível no cosmos e transformar grandes levantamentos astronômicos em descobertas de alto impacto”.
Global Young Academy: ciência brasileira em destaque internacional
Clécio é um dos autores do artigo publicado. Coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial para a Física do CBPF, recentemente, foi eleito membro da Global Young Academy (GYA), organização internacional de referência dedicada a jovens cientistas em início e meio de carreira.
Fundada em 2010 e com sede na Alemanha, a GYA seleciona cerca de 200 membros – com base na excelência acadêmica e no comprometimento com o engajamento social – para mandatos de cinco anos. Sua missão é dar voz a jovens cientistas de todo o mundo, promovendo liderança científica, colaboração internacional, diálogo interdisciplinar e intergeracional, além de maior participação da ciência na formulação de respostas para desafios globais.
O pesquisador do CBPF passará a integrar a GYA representando as áreas de Física & Inteligência Artificial, tornando-se o primeiro físico brasileiro – e o único físico latino-americano entre os membros atuais – a compor a academia. A posse ocorrerá em 30 de junho de 2026, na abertura da Annual General Meeting (AGM), em Bremen, Alemanha.
No CBPF, o Laboratório de IA desenvolve aplicações avançadas para desafios científicos complexos, combinando formação de recursos humanos, projetos estratégicos e uma agenda de pesquisa que aproxima ciência fundamental, computação avançada e inovação.
A publicação na Nature Astronomy e a entrada na GYA reforçam a inserção internacional de pesquisadores do CBPF em um espaço estratégico de liderança científica e cooperação global, ampliando a presença brasileira em uma rede comprometida com uma ciência mais conectada à sociedade e aos grandes desafios do futuro.
Leia o artigo: https://www.nature.com/articles/s41550-026-02802-z