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CBPF é destaque em colaboração internacional
No mês de julho, a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) reafirmou, em seu site, a importância do experimento Connie (Experimento de Interação Coerente entre Neutrino-Núcleo, na sigla em inglês) na busca por solucionar os mistérios da Física dos neutrinos, destacando a participação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). O instituto é responsável pela instalação e operação do Connie, incluindo a infraestrutura e o monitoramento do local.
Connie está localizado na usina nuclear Angra 2, onde os neutrinos são detectados próximo ao reator, e é um grande projeto de cooperação científica internacional que envolve cerca de 35 membros de seis países (Brasil, Argentina, México, Estados Unidos, Paraguai e Suíça).
Para a Faperj, a física e pesquisadora Carla Bonifazi, do CBPF, spokesperson (porta-voz) do experimento, conta que ser nomeada para a função envolve assumir a responsabilidade de cuidar de todos os aspectos de instalação, operação, manutenção e análise de dados do experimento, além de liderar o projeto internacional:
“Foi uma alegria ser escolhida. Ao mesmo tempo, é um enorme desafio e uma oportunidade única ter um experimento de física de partículas sediado no Brasil e na América Latina. Sabemos que a maioria dos experimentos de Física de partículas está concentrada nos Estados Unidos, Europa e, mais recentemente, na China. O Connie nos oferece a chance de desenvolver e consolidar expertise local, fortalecendo nossa atuação científica na região. Como spokesperson, também atuo na articulação com novos colaboradores internacionais e na definição dos rumos científicos que o experimento deve seguir”.
A importância do experimento Connie envolve, principalmente, a possibilidade de um entendimento melhor da Física e a geração de aplicações práticas para a sociedade. “Com o estudo dos neutrinos, poderemos, por exemplo, usar esse conhecimento para monitorar o funcionamento de reatores nucleares. No futuro, essa tecnologia poderá ser utilizada no desenvolvimento de mecanismos de controle do uso dos reatores, garantindo que sejam utilizados para fins pacíficos, como parte de ações de salvaguarda”, aponta Carla.

- As físicas Carla Bonifazi, do CBPF, e Irina Nasteva, da UFRJ, que lideram o Connie e destacam o Brasil no cenário da Física internacional. - Crédito: NCS/CBPF
Rio de Janeiro em destaque
Líder do projeto, a física Irina Nasteva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta que entre os pesquisadores envolvidos na colaboração internacional Connie, os brasileiros representam aproximadamente um terço. Entre os brasileiros, os fluminenses são maioria: “Nós lideramos o experimento desde a instalação e operações, até a análise e interpretação de dados e publicações”.
Nesse contexto, o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar, de 9 a 11 de junho, no CBPF, o Workshop Magnificent CEvNS, que apresentou discussões de alto nível em Física das partículas e foi precedido por um curso de formação, a CEvNS School, que ocorreu de 5 a 7 de junho, para a formação de recursos humanos na área. Foi a primeira vez que esse evento, que reúne os maiores especialistas mundiais da área, foi organizado no Brasil e no Hemisfério Sul.
No Brasil, o grupo de pesquisa é formado por pesquisadores do CBPF – Carla Bonifazi e o físico Martin Makler, contemplado pelo programa Cientista do Nosso Estado da Faperj –, da UFRJ e do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ).
Para conhecer um pouco mais sobre o experimento, acesse o link do artigo publicado pelos pesquisadores, em fevereiro de 2025, na revista científica internacional Physical Review Letters, intitulado "Search for Reactor-Produced Millicharged Particles with Skipper-CCDs at the CONNIE and Atucha-II Experiments".
Artigo: https://journals.aps.org/prl/abstract/10.1103/PhysRevLett.134.071801