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CBPF articula cooperação com o INCA para ampliar impacto da ciência no SUS
O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) recebeu, nesta terça-feira (24/02), representantes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), vinculado ao Ministério da Saúde, para discutir possibilidades de cooperação científica e tecnológica no âmbito da Rede NanoSaúde — rede estadual de laboratórios de pesquisa em nanotecnologia apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e sediada no CBPF.
O encontro reuniu pesquisadores e gestores das instituições para identificar sinergias capazes de fortalecer o desenvolvimento de soluções inovadoras para a área da saúde, aproximando a pesquisa fundamental, a nanotecnologia e a aplicação clínica no Sistema Único de Saúde (SUS).
A iniciativa consolida aproximação consolida uma agenda de integração entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério da Saúde, alinhada às diretrizes nacionais de inovação em saúde e fortalecimento do SUS, ampliando a capacidade do país de transformar ciência fundamental em desenvolvimento tecnológico aplicado.
Ciência fundamental conectada à inovação
Durante a abertura, Márcio P. de Albuquerque, diretor do CBPF, apresentou o panorama institucional do Centro, destacando a ampla atuação científica da instituição e sua participação em grandes colaborações internacionais, como o Southern Wide-field Gamma-ray Observatory (SWGO) e projetos vinculados à Organização Europeia para Investigação Nuclear (CERN).
Segundo ele, o CBPF busca consolidar uma mudança de paradigma na ciência nacional: “Precisamos avançar do modelo de apenas adquirir tecnologia para um modelo capaz de agregar valor e transformar conhecimento básico em inovação”.
O diretor ressaltou ainda iniciativas estratégicas em andamento, como o fortalecimento do Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologia (SisNANO), o desenvolvimento da Rede Rio Quântica — voltada à comunicação quântica, considerada hoje um tema de segurança nacional — e a expansão da infraestrutura científica, incluindo novos servidores e investimentos em datacenter e cooperação internacional.
A aproximação com instituições da área da saúde, como o Inca e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), reflete o esforço do CBPF em ampliar o impacto social da física e da pesquisa básica.
Excelência científica a serviço da saúde pública
Representando o Inca, o coordenador de Pesquisa e Inovação e diretor-geral substituto, João Paulo Viola, apresentou a trajetória histórica do Instituto, fundado em 1937 já com a missão integrada de assistência, ensino e pesquisa.
Atualmente presente em 18 unidades no Rio de Janeiro, o Inca atua de forma articulada nas áreas de prevenção e vigilância, assistência, ensino e pesquisa, formando uma das principais estruturas científicas e assistenciais do país no enfrentamento do câncer.
O cenário epidemiológico reforça a urgência da cooperação científica: o câncer é hoje a segunda principal causa de morte no Brasil, com cerca de 700 mil novos casos por ano, podendo tornar-se a primeira nas próximas décadas.
Entre os projetos estratégicos apresentados estão estudos genômicos para caracterização do perfil do câncer na população brasileira; desenvolvimento de repositórios públicos de dados científicos; pesquisas clínicas envolvendo mais de 8 mil pacientes; aconselhamento genético para diagnóstico precoce; e desenvolvimento de terapias avançadas, como o tratamento CAR-T adaptado ao SUS, com potencial redução de custos de milhões para valores compatíveis com a rede pública.
O Instituto também mantém o único banco de tumores da América Latina certificado pela ISO 9001 e representa o Brasil na Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde.
Rede NanoSaúde: ponte entre pesquisa e aplicação
Coordenada pelo pesquisador Alexandre Rossi, a Rede NanoSaúde foi criada para integrar competências científicas do estado do Rio de Janeiro com foco na conversão da pesquisa em produtos e soluções reguladas para uso real.
A rede reúne universidades, institutos de pesquisa e órgãos tecnológicos — incluindo Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) — além de conectar cerca de 15 startups de base tecnológica.
Segundo Rossi, o diferencial da iniciativa é desenvolver pesquisas já orientadas à regulamentação e à futura incorporação tecnológica: “Queremos construir uma ligação produtiva entre ciência e sociedade. A aproximação com o INCA abre possibilidades concretas de cooperação científica, compartilhamento de infraestrutura e desenvolvimento de soluções voltadas ao SUS”. Entre as frentes prioritárias estão o desenvolvimento de novos materiais para uso clínico e o fortalecimento do ecossistema de inovação em saúde do estado.
O vice-coordenador da Rede NanoSaúde e coordenador do Laboratório de Nanorradiofármacos do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN), Ralph Oliveira, destacou que o diferencial da Rede NanoSaúde está na competência científica e no arcabouço legal já consolidado para a produção de rádiofármacos voltados ao diagnóstico e à terapia. “Com a congregação da rede e a entrada dos hospitais nesse ambiente colaborativo, podemos dar um salto mais consistente na etapa final de desenvolvimento de produtos”, afirmou.
Normalização e infraestrutura: papel estratégico do Inmetro
O encontro contou também com a participação do Inmetro, representado por Leonardo Boldrini, coordenador adjunto e docente permanente do Programa de Pós-graduação em Biomedicina Translacional, que apresentou ações voltadas à normalização e certificação de materiais nanotecnológicos.
Os esforços incluem o desenvolvimento de protocolos de caracterização e avaliação de segurança biológica, além da participação na elaboração de normas técnicas nacionais, buscando posicionar o Brasil não apenas como usuário, mas como produtor internacional de normas tecnológicas.
Cooperação como caminho para a inovação nacional
Ao longo do encontro, representantes do CBPF, do Inca e da Rede NanoSaúde destacaram o potencial da aproximação para estruturar ações conjuntas em pesquisa, inovação e apoio tecnológico à saúde pública. A articulação busca integrar competências científicas complementares e identificar demandas estratégicas capazes de acelerar o desenvolvimento de soluções voltadas ao enfrentamento de desafios nacionais na área da saúde.
Após as discussões institucionais, a comitiva do INCA visitou laboratórios do CBPF dedicados às áreas de tecnologias quânticas, inteligência artificial e biomateriais avançados, conhecendo de perto parte da infraestrutura científica e das linhas de pesquisa que poderão contribuir para futuras cooperações. A atividade permitiu aprofundar o diálogo técnico entre pesquisadores e evidenciou o potencial de aplicação das competências do Centro em iniciativas voltadas à inovação em saúde.
O encontro marca a continuidade de uma agenda permanente de cooperação interinstitucional, reforçando o papel do CBPF como espaço de convergência entre ciência fundamental, inovação tecnológica e políticas públicas nacionais. No âmbito da Rede NanoSaúde, a aproximação com o Inca soma-se a outras iniciativas recentes, como o avanço de entendimentos com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), ampliando a inserção da pesquisa científica do Centro em demandas estratégicas da saúde pública.
A agenda evidencia a atuação do CBPF como unidade estratégica do MCTI na construção de soluções para desafios estruturantes do país, ampliando o impacto social da pesquisa científica brasileira.
Acordo CBPF e INTO: https://www.gov.br/cbpf/pt-br/assuntos/noticias/acordo-historico-cbpf-e-into-firmam-parceria-para-pesquisa-em-reconstrucao-ossea-com-nanotecnologia

