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União de ciências: pesquisa do Museu Goeldi sobre poder da ‘aninga’ é baseada na vivência de ribeirinhos
Museu Goeldi | COP30 com Ciência – Um exemplo da união dos conhecimentos científicos e tradicionais está se revelando uma solução eficaz para a saúde pública na Amazônia. A pesquisa que aponta para a produção de vela repelente e de xampu inseticida à base de um princípio ativo da Montrichardia linifera, uma planta aquática típica da Amazônia, popularmente conhecida como ‘aninga’, foi destaque no painel “Bioeconomia amazônica potencializada pela ciência”, promovido pela Rede Bioamazônia, nesta quinta-feira (13/11). O evento – que integrou a Estação Amazônia Sempre no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) – aconteceu no auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico, em Belém (PA).
O coordenador do Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia (NIT/MPEG), Amílcar Mendes, historiou que a tecnologia social de autoria de pesquisadores do centro de pesquisa mais antigo da região tem por base o conhecimento tradicional de ribeirinhos. “O ponto de partida para o desenvolvimento dessa solução tecnológica (repelente e inseticida) foi o conhecimento tradicional que os ribeirinhos detinham sobre o poder repelente da planta. Onde essa planta existia, não havia concentração de mosquitos. Isso chamou atenção de uma de nossas pesquisadoras, Cristine Bastos do Amarante, que desenvolveu estudos sobre o motivo dessa planta ter esta propriedade de repelir mosquitos”, disse, acrescentando que foi pedida a patente da substância.
Amílcar lembra que um dos grandes desafios da saúde pública na Amazônia é a malária, tornando muito apropriada a observação de um bioativo aplicado como inseticida. Outras vantagens são apontadas por Amílcar: “Estamos falando de uma planta que tem insumo muito fácil de ser encontrado na natureza. É uma planta aquática originária da Amazônia, o manejo dessa planta não vai trazer grandes pressões ao ecossistema e tem a possibilidade de uma cadeia produtiva ser construída, levando em consideração o papel das comunidades tradicionais, que detém o conhecimento”.
Ademais, segundo os pesquisadores, são produtos com o prestígio da Amazônia, agrega, e são produtos livres de componentes químicos sintéticos na sua formulação, um diferencial comparado a repelentes tradicionais no mercado.
Modelos distintos – O pesquisador assegura que, em relação ao xampu inseticida, duas empresas já se mostraram interessadas na transferência da tecnologia. “A primeira pergunta que fizeram foi: estão protegidas? A patente dá uma segurança jurídica para quem vai investir nessa transferência”.
Amílcar pondera que, enquanto se pensa em uma escala industrial para o xampu, há uma perspectiva de se apostar no potencial social da vela repelente, estabelecendo cadeias produtivas em comunidades da região. “Uma cadeia estabelecida nesses moldes garante a facilidade do insumo, a rastreabilidade dos produtos decorrentes desses bioativos e a segurança do pagamento justo e inclusivo para as comunidades tradicionais”, justifica.
Reconhecimento – Luz Marina Mantilla Cárdenas, diretora do Instituto Sinchi (Colômbia) e presidenta da Rede Bioamazônia assegura que as instituições que conformam a frente transnacional, como o Museu Goeldi, “têm gerado conhecimento que evidencia o valor estratégico dos recursos biológicos e, paralelamente, têm impulsionado o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para articular algo chave: os saberes tradicionais com os avanços científicos”.
O painel contou com a participação de Carmen Rosa García Dávila, presidente executiva do Instituto Investigaciones de la Amazonía Peruana (IIAP); de Juliana Cardona, pesquisadora do Instituto Sinchi (Colômbia), que também discorreram sobre o tema. Como convidada especial, Yorgana Yajure Prado, pesquisadora de Inovação de Produtos na Natura Cosméticos. O painel da Rede Bioamazônia – composto por oito instituições de pesquisa, dentre as quais o Museu Goeldi – integra a programação da Estação Amazônia Sempre, iniciativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) durante a COP30, em Belém (PA). As atividades seguem até dia 15, inclusive com transmissão online, e o roteiro pode ser conferido aqui.
Texto: Erika Morhy
NA PLANETARY EMBASSY
“Os inimigos da floresta estão aumentando”, alerta Kopenawa
O escritor e líder político Davi Kopenawa Yanomami participou de um painel, na manhã desta quinta-feira (13/11), no espaço Planetary Embassy, montado no Parque do Museu Paraense Emílio Goeldi, sede da Embaixada da Suíça, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). O encontro reuniu um público diverso — incluindo indígenas, jornalistas, admiradores e o diretor da instituição anfitriã, Nilson Gabas Júnior —, todos atentos aos ensinamentos do xamã. A mensagem principal foi sobre a luta indígena pela proteção da Amazônia contra os “inimigos da floresta”, um conflito antigo dos povos originários.
“Sou filho daquele que defende a floresta. Sou filho de Omama, que, na cosmologia Yanomami, é o criador do nosso povo. Foi Omama quem plantou a floresta, quem deu vida a tudo o que existe. É ali que nós vivemos. Eu defendo a floresta. Nós estamos aqui para defendê-la, para protegê-la. Nós somos ‘mesquinhos’ (no sentido de não abrir mão) com a floresta e eu fico muito preocupado porque os ‘napë’, os não indígenas inimigos da floresta, estão aumentando muito”, afirmou Kopenawa, apresentado-se numa reafirmação da sua identidade como líder e guardião da terra Yanomami.
O diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, interrompeu sua agenda para prestigiar a palestra do xamã. Após o painel, ele cumprimentou o líder indígena, agradecendo sua presença no Museu. Em vários momentos da programação da COP no Museu, Gabas destacou que a instituição de pesquisa mais antiga da Amazônia sempre está de portas abertas para acolher os povos tradicionais e para compartilhar as ciências feitas no Museu e na floresta. “Aqui também é terra indígena”. A referência ao território é baseada em uma declaração simbólica feita em 2023 e ratificada pelo MPEG a cada nova oportunidade.
Uma tradução de mundos – No espaço Planetary Embassy, criado pela Swissnex no Brasil, o líder indígena dialogou ao lado da antropóloga e tradutora da língua yanomami Ana Maria Machado. A plateia o escutou por um pouco mais de uma hora. Antes de iniciar sua fala, Ana se apresentou ao público e destacou que seu objetivo ali não era desenvolver uma tradução literal de palavras, mas sim permitir que acontecesse uma “tradução de mundos”, evidenciando a complexidade e a sensibilidade envolvidas na mediação entre diferentes culturas.
Ao ser perguntado, como a COP30 pode fazer para aprender a ouvir a floresta também, o xamã respondeu em um tom crítico à sociedade: “Vocês já cresceram. Então, para o pensamento de vocês, voltar para a floresta, é difícil. E por quê? É como na cidade de Belém: não tem como voltar. Aqui, há muitos políticos, deputados, governadores, professores, presidentes… e eles não voltam. Eu não quero dizer para vocês voltarem com os pensamentos de vocês, porque eu não quero enganar vocês”.
Precisamos conversar com a COP30 – Kopenawa chamou atenção para a diferença na forma como as crianças aprendem a se conectar com o mundo: “Desde pequenos, os Yanomami escutam a floresta, enquanto os ‘napë’ crescem ouvindo o celular”, disse, criticando a desconexão da sociedade não indígena com a natureza. Davi Kopenawa reforçou, muitas vezes, a necessidade de preservação e de ação coletiva para garantir a sobrevivência da terra e do povo Yanomami. “Por isso, precisamos conversar com a COP30, entender o que os ‘napë’ estão fazendo sobre as nossas terras”.
Ele ressaltou também os impactos da tecnologia sobre o pensamento humano. “Hoje todos estão grudados no celular — os ‘napë’, os Yanomami, os povos negros também. E ainda tem o satélite, que está atrapalhando o pensamento de todo mundo. Isso acontece porque estão presos à política e ao dinheiro, e é por isso que nosso pensamento não volta”.
Pelo caminho da floresta – Mesmo assim, Kopenawa destacou a importância de ensinar as novas gerações a valorizar e proteger a natureza. “Seus filhos, aqueles que têm um ou dois anos, ainda podem aprender o caminho certo. Digam a eles: ‘Esse caminho é bom, vamos pelo caminho da floresta, vamos proteger a floresta’. Se nos unirmos e tivermos sabedoria, isso pode dar certo”, afirmou
O xamã também falou sobre o conceito de ‘në ropë’, que representa o poder de fertilidade da floresta e garante o crescimento e a vitalidade das plantas. Ao se alimentarem dos frutos, os Yanomami invocam esse poder, reforçando o equilíbrio entre a vida humana e a natureza: “O fruto das árvores que os alimenta e os faz sonhar”.
Kopenawa explicou que, para os Yanomami, o ato de comer frutos está diretamente ligado à capacidade de sonhar e de se conectar com o mundo espiritual. “Se não comemos as frutas, não sonhamos. Se bebemos apenas água, também não sonhamos. Nós somos amigos da floresta, porque a floresta nos abriga. Da mesma forma como vocês cuidam uns dos outros em um casamento, a floresta cuida de nós, nós cuidamos da floresta. É, nós não tratamos a floresta como fazem vocês, napë” afirmou.
Texto: Gabriela Moura
NA CASA DA CIÊNCIA
“Não existe fronteira quando a gente fala de mudanças climáticas”
A utilização de satélites para o fornecimento de dados sobre as mudanças ambientais no Brasil foi o tema da manhã do terceiro dia de mesas-redondas realizadas no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, a Casa da Ciência. “Não existe fronteira quando a gente fala de mudanças climáticas. Então, ao monitorar, a gente toma conhecimento da situação e isso nos permite agir”, disse Márcia Alvarenga dos Santos, chefe de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB).
O Brasil é pioneiro na disponibilização de dados espaciais gratuitos a partir do monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esses dados são de acesso público, para acompanhar relatórios sobre as queimadas na Amazônia e o desmatamento, por exemplo. “Para que que a gente usa essas imagens? A gente usa essas imagens para fazer o monitoramento do desmatamento da Amazônia, que tem uma grande importância para o equilíbrio do clima”, apontou ela.
Apesar de ser uma ideia combatida, os dados acessíveis são distribuídos atualmente por diferentes agências e instituições mundiais. O engenheiro da Agência Espacial Europeia, Frank Martin, afirmou: “Todos os dados são gratuitos. Todos podem usá-los, não apenas os europeus, mas todos ao redor do mundo, isso é importante para a democracia dos dados.”
Aprendendo a ler dados – É necessário, ainda, capacitar a população e as autoridades regionais para entender e utilizar os dados, que trazem consigo ferramentas para emissão de alertas em áreas de risco e de desmatamento acelerado. “Nós apoiamos hoje a ideia de que, não apenas os dados, mas a capacidade de usá-los tem que ser livre. O próprio Brasil tem essa necessidade. É preciso, também, fornecer gratuitamente a capacidade de usar os benefícios do espaço. A nossa proposta é essa”, relatou Marco Antonio Chamon, presidente da Agência Espacial Brasileira.
O grande passo discutido na mesa é para, a partir de dados espaciais, utilizá-los para o combate às mudanças climáticas, em destaque na Amazônia. “Eu acho que esses dados, imagens, programas e sistemas que são produzidos com satélites, dão toda a ferramenta para que haja uma mudança. É preciso ter ação”, finalizou Márcia dos Santos.
As mesas foram continuadas ao longo do dia, totalizando seis painéis de debate sobre a acessibilidade dos dados e sobre transição energética na Amazônia, com a participação de pesquisadores do MCTI. A programação da Casa da Ciência é aberta ao público e continua até o dia 21 deste mês, com atividades e mesas-redondas no Museu Goeldi.
Texto: Isabella Gabas
AGENDA INSTITUCIONAL
Museu Goeldi recebe comitiva argentina interessada em parceria
Durante a COP30, o Museu Goeldi tem atraído a atenção de representantes de diversos países, interessados em formalizar acordos de cooperação técnica para aprender com a sua experiência científica de quase 160 anos. Nesta quinta (13/11), foi a vez da Província de Santa Fé, localizada na Argentina, estreitar os laços com a unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A comitiva liderada pelo ministro do Ambiente e Mudanças Climáticas de Santa Fé, Enrique Estévez, teve a oportunidade de conhecer mais sobre os avanços na produção do conhecimento promovido pelo Museu Goeldi em parceria com os povos da Amazônia.
O grupo foi recebido pela diretora substituta do MPEG, Roseny Mendonça; pela coordenadora de Comunicação e Extensão, Sue Costa; e pela pesquisadora e ex-diretora do Museu Goeldi, Ima Vieira, atualmente integrante da equipe da Finep, também vinculada ao MCTI. “Esse é um primeiro contato. Nossas ações são similares, são convergentes, voltadas para a biodiversidade e para a sociobioeconomia”, explicou Roseny, afirmando que a instituição está sempre disposta a ultrapassar as fronteiras para colaborar com o desenvolvimento da ciência. “O Museu Goeldi tem todo interesse em trocar experiências nas áreas científica e cultural a partir do que tem desenvolvido, como a articulação entre a arte, ciência e educação”, elencou.
O ministro Enrique Estévez explicou que a Província de Santa Fé está trabalhando na recriação de alguns museus semelhantes ao Museu Goeldi, dedicado à educação ambiental, à conservação da biodiversidade e ao trabalho com povos indígenas. “O trabalho que o Museu Goeldi desenvolve é muito importante. Queremos trocar experiências para sermos mais eficazes no nosso planejamento”, atestou Estévez, acrescentando que o projeto é criar uma rede de 55 centros de inovação climática e interpretação da biodiversidade na província, com recursos da Agência Francesa de Desenvolvimento. "Temos muita experiência com centros de resgate de animais selvagens e vamos transformar essa instituição para que ela seja, não apenas um centro de resgate, mas também um centro de educação ambiental”, afirmou, interessado em firmar parceria com o Museu Goeldi.
Florestas sociais - A pesquisadora Ima Vieira apresentou um panorama do trabalho realizado pelo Museu Goeldi em articulação com os povos indígenas e comunidades tradicionais. Ela também explicou sobre os principais desafios da Amazônia frente às mudanças climáticas: “A Amazônia é uma floresta tropical úmida e está queimando por conta das mudanças do uso da terra e das mudanças climáticas, mas muito mais pelas mudanças do uso da terra”, disse. Ela também ressaltou a importância de investir em propostas que considerem os interesses das populações locais. “Temos desenvolvido uma proposta biocultural de restauração para as florestas densas queimadas, que envolve a participação das comunidades desde a formulação do projeto, considerando as espécies de interesse da própria comunidade, não de interesse do pesquisador ou somente do ponto de vista ecológico. Estamos chamando essas florestas, depois de recuperadas e utilizadas pela comunidade, de florestas sociais”, acrescentou.
Ima Vieira apresentou uma visão macro do interesse brasileiro na área da preservação ambiental e localizou a importância do Museu Goeldi como produtor de conhecimento que interfere nas políticas públicas adotadas pelo Governo Federal. “Temos trabalhado, por exemplo, a proposta do desmatamento zero, que é uma bandeira do governo Lula e que surgiu aqui no Museu Goeldi”. Ela elencou o monitoramento da biodiversidade e a identificação de áreas prioritárias para conservação como outros exemplos da participação do MPEG nas estratégias nacionais. “O Museu Goeldi fez a última avaliação, de 2018, do Ministério do Meio Ambiente, que aponta cerca de 720 mil quilômetros quadrados de áreas públicas que poderiam ser destinadas às unidades de conservação”. A pesquisadora citou ainda o trabalho da instituição na atualização da lista de espécies ameaçadas de extinção no Pará.
Acesso à ciência - A coordenadora de Comunicação e Extensão do Museu Goeldi, Sue Costa, falou sobre o compromisso de promover o acesso à ciência produzida pela instituição. “Nosso objetivo é também transformar esse conhecimento em uma linguagem acessível para o público. Temos programas educacionais específicos para comunidades ribeirinhas na floresta e projetos para atender a comunidade mais urbana de Belém e região”, explicou, falando sobre a preocupação do Museu com a educação socioambiental. “A gente recebe mais de 500 escolas e realizamos mais de 10 mil ações educativas por ano”, afirmou Sue Costa.
Ela também mencionou as ações realizadas na Estação Científica Ferreira Penna, na Floresta Nacional de Caxiuanã, outra base física do MPEG: “Temos uma atividade intensa com essas comunidades da floresta, a partir de um programa de educação que dura o ano inteiro. O Museu Goeldi constrói uma comunicação científica muito firme dentro de suas bases, com respeito às comunidades tradicionais e com o uso de linguagens adaptáveis para diferentes públicos. Agora, durante a COP, estamos introjetando bastante o elemento da arte”, falou Sui Costa.
Além do ministro Enrique Estévez, a comitiva da Província de Santa Fé, distante cerca de 400 quilômetros da capital da Argentina, Buenos Aires, foi composta por María Rosa Aguirre, diretora de financiamento internacional de Santa Fé; Florencia Mitchell e Carlos Amanquez, ambos do Conselho Federal de Investimentos; Mariano Villares e Nasha Cuello, representantes da ONG Sustentabilidade sem Fronteiras; e Diego Martínez, secretário de mudanças climáticas de Santa Fé.
Texto: Carla Serqueira
Edição: Andréa Batista
CONFIRA AS PROGRAMAÇÕES DO MUSEU GOELDI NA COP30
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NO PARQUE – Presença Suíça: Chalé João Batista de Sá - Parque Zoobotânico Museu Paraense Emílio Goeldi, Av. Gov Magalhães Barata, 376 - São Braz, Belém-PA.
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NO PARQUE – Estação Amazônia Sempre – Endereço: Av. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém (PA)
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NO PARQUE – Casa da Ciência – Endereço: Av. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém (PA)
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NO CAMPUS – Espaço Chico Mendes – Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi – Av. Perimetral, 1901 - Terra Firme, Belém (PA)