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Sem os povos da floresta, não há floresta: Museu Goeldi discute vulnerabilidade social nos territórios da Amazônia
Agência Museu Goeldi - Em nova rodada de diálogos climáticos, o Museu Paraense Emílio Goeldi debate a “Vulnerabilidade Social e Alternativas para Territórios Amazônicos”, destacando os diversos fatores que vulnerabilizam os povos da floresta, como a violação de direitos, disputas sobre seus territórios, a falta de governança, desmatamento e, consequentemente, as mudanças no clima. A quinta edição do ‘Ciclo de Diálogos COP 30 com Ciência’ acontece dia 18 de agosto, das 13h às 17h30, no auditório Paulo Cavalcante, no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, na Avenida Perimetral, em Belém, Pará.
O evento também pretende mostrar experiências de resistência e resiliência das populações tradicionais para se adaptar e/ou salvaguardar seus modos de vida frente a tantos fatores de vulnerabilidade.
Para dialogar com o público, os convidados desta edição são Edel Nazaré Moraes Tenório (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), Tatiana Sá (EMBRAPA Amazônia Oriental), Raimunda Monteiro (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável - CDESS/ SRI/PR), Parakye (Gilson Curuaia - COIAB), Ivanildo Brilhante (CNS Gurupá), Kelvyn Gomes (Museu da Vila da Barca), Marcos Wesley (portal Tapajós de Fato) e Catarina Barbosa (Sumaúma). A coordenação do 5º diálogo é de Roberto Araújo.
Perda da floresta - Uma das principais missões do Brasil para evitar o aquecimento global é combater o desmatamento e a degradação ambiental. Um verdadeiro desafio já que regiões como a Amazônia continuam sendo pensadas como um lugar de conquista e exploração extensiva de recursos naturais e biodiversidade.
Para a coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Goeldi e também do Ciclo de Diálogos, Marlúcia Martins, o desmatamento vulnerabiliza extremamente às populações na medida em que elas perdem a sua conexão com a floresta, o seu modo de vida, o seu modo de produção e precisam, de alguma forma, construir formas de resistência.
É importante que a sociedade tenha a real dimensão do problema que a vulnerabilidade causa no cenário climático, pois sem os povos da floresta não tem como haver floresta em pé. “Floresta em pé significa pessoas ligadas à floresta, com heranças centenárias, até milenares de convivência com a floresta, que conseguem manter o seu modo de vida, seu modo de subsistência e a manutenção da sua cultura”, explica Marlúcia.
Racismo ambiental- A pesquisadora chama a atenção também para aquelas populações vulnerabilizadas em contexto urbano e que enfrentam outros tipos de vulnerabilidade e resistência às mudanças climáticas. “Na discussão ambiental é preciso incluir a vulnerabilidade das populações que já não vivem nas florestas, mas estão nos centros urbanos, onde elas enfrentam além dos vários desafios do processo de urbanização, de apagamento das suas verdades, das suas heranças culturais quando chegam na cidade, também vão ter que enfrentar o racismo ambiental e as consequências de uma má organização dessa cidade”, acrescenta Marlúcia.
O ‘Ciclo de Diálogos COP 30 com Ciência’ é um evento aberto ao público, gratuito, sem necessidade de inscrição prévia e que também terá transmissão ao vivo pelo canal do Museu Goeldi no YouTube.
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Texto: Denise Salomão
Edição: Joice Santos
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Serviço:
Ciclo de Diálogos COP 30 com Ciência
“Vulnerabilidade Social e Alternativas para Territórios Amazônicos”
Data: 18 de agosto de 2025
Local: Auditório Paulo Cavalcante, Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, na Avenida Perimetral, 1901, Belém - Pará
13:30 -15:00 mesa 1
Quais são os fatores de vulnerabilidade social que mais ameaçam as populações amazônicas, em cenários de mudança climáticas?
Debatedores; Edel Nazaré Moraes Tenório (MMA) Tatiana Sá (EMBRAPA), Raimunda Monteiro (MPPA)
Moderador: Marcos Wesley (portal Tapajós de Fato)
15:00- Intervalo
15:30-17:30 mesa 2
Como a resistência e luta por territórios pode contribuir para aumentar a resiliência amazônica aos desafios climáticos?
Debatedores: Parakye (Gilson Curuaia -(COIAB), Ivanildo Brilhante (CNS Gurupá), Kelvyn Gomes (Museu da Vila da Barca)
Moderadora: Catarina Barbosa (Sumaúma)
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Transmissão ao vivo pelo canal do Museu Goeldi no YouTube.