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Povos indígenas no Pará recebem Boletim de Ciências Humanas do Museu Goeldi
Agência Museu Goeldi – Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e de instituições parceiras envolvidas na confecção do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas (Vol. 20. Nº 3) protagonizaram um feito inédito na história da publicação. Lançado em dezembro de 2025 com sólidos estudos compondo o dossiê “Direitos ‘sequestrados’ aos povos tradicionais”, o material em versão impressa foi entregue a lideranças dos povos Aikewara e Gavião. O evento ocorreu nos dias 9 e 11 de janeiro nas respectivas aldeias, localizadas na região Sudeste do Pará. A versão online está disponível gratuitamente no site do boletim.
A iniciativa se dá em um momento emblemático para o Museu Goeldi, que completará 160 anos de fundação no próximo mês de outubro, e se trata da chamada “devolução”, em que os pesquisadores reconhecem a produção do conhecimento compartilhado pelos povos originários e fazem questão de entregar a eles o conteúdo produzido conjuntamente. Desse modo, como parte do projeto de pesquisa e extensão “Nossa escola, nossos traços”, coordenado pela antropóloga Luiza Mastop, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), em parceria com o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e Universidade Federal do Pará (UFPA), pesquisadoras compareceram, no último dia 9, à Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Indígena Sawarapy Suruí, na Aldeia Sororó, município de Brejo Grande do Araguaia.
Na abertura do evento, houve uma apresentação cultural de estudantes da unidade escolar, e, logo depois, uma mesa de diálogos entre lideranças do povo Aikewara, pesquisadoras e pesquisadores indígenas e não indígenas. Participaram da mesa o cacique Maira Surui; o vice-cacique Mahu Surui; o ancião/guerreiro Miho Surui; o diretor da escola, Sawarapi Surui; a historiadora Mirtes Manaças (MPPA); a professora Jane Beltrão (UFPA); e Luiza Mastop (Unifesspa).
Miho Surui representou Arihera Surui, que estava adoentada na ocasião não pôde participar do evento. Arihera e Luiza Mastop são autoras do artigo “Construindo memórias com Arihera: educação e identidade aikewara em foco”.
Na aldeia Sororó, foi entregue uma cópia impressa do dossiê para a biblioteca da escola Sawarapy Surui e outra para Arihera. Já na Aldeia Akrãtikatêjê, o exemplar foi passado às mãos de Kátia Tônkyre (Kátia Silene Valdenilson), a primeira mulher cacica em uma aldeia dos Gavião, na Reserva Indígena Mãe Maria, na região de Marabá, sudeste do Pará. Ela é a protagonista do artigo e ensaio fotográfico “Kátia Tônkyre, a guerreira que se forjou na luta”, assinado pelo pesquisador indígena José Ubiratan Sompré (UFPA).
Avanços - No texto de apresentação do dossiê, os autores destacam mais uma característica peculiar à publicação. “Acreditamos que produzir um número do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas contemplando intelectuais indígenas e quilombolas preenche uma lacuna existente nas revistas brasileiras, além de dar visibilidade às vozes até então silenciadas em face do ‘racismo à brasileira’”, argumentam.
Em sua estrutura, esta edição conta com a seção Artigo Científicos, reunindo sete textos; Memória, um; Dossiê, sete; Dossiê-Memória, três; Dossiê-Debate, um; Dossiê-Ensaio Fotográfico, um; e Dossiê-Resenha, com três.
Trajetória - O Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi é um dos periódicos científicos mais antigos do Brasil. Criado por Emílio Goeldi sob o nome original de Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia, seu primeiro número data de setembro de 1894. Atualmente, é publicado três vezes ao ano, em duas versões: Ciências Naturais e Ciências Humanas. O Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas (ISSN 1981-8122) tem a missão de publicar trabalhos originais nas áreas de Antropologia, Linguística, Arqueologia e em disciplinas correlatas.
Texto: Eduardo Rocha/Boletim Ciências Humanas
Edição: Erika Morhy