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Começa XIV Olimpíada de Ciências de Caxiuanã, na Estação Científica do Museu Goeldi
Agência Museu Goeldi – Eles chegaram em barcos enfeitados com balões e faixas e, com seus gritos de guerra, anunciaram que estava oficialmente aberta, na manhã desta segunda-feira (24/11), a “XIV Olimpíada de Ciências de Caxiuanã”, que, este ano, tem como tema “Baía de saberes: soluções marajoaras para a crise climática”. O evento – realizado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), na base localizada na Floresta Nacional de Caxiuanã – reúne estudantes, educadores e integrantes das comunidades de Portel e de Melgaço para as atividades de fechamento do Programa de Educação da Estação Científica Ferreira Penna. Durante a semana, o grupo vai consolidar a imersão científica na qual esteve envolvido nos últimos meses. Os integrantes farão oficinas, apresentarão trabalhos e participarão de atividades culturais. É claro que os jogos e as medalhas farão parte do evento, mas, para os mais de 80 estudantes e professores desta olimpíada, a premiação principal é terem desembarcado nessa baía de conhecimentos.
O Programa de Educação do Museu Goeldi tem como estratégia a difusão da ciência, agregando esse objetivo ao de melhorar o desempenho dos estudantes nas disciplinas consideradas de base para a medição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Por meio da iniciativa, há 30 anos, a ciência é usada como instrumento de educação, sendo 14 deles com a realização da olimpíada. Na abertura desta edição, em cerimônia na entrada da Estação Ferreira Penna, representantes dos municípios e do Goeldi deram as boas-vindas aos estudantes e aos educadores. Pouco tempo depois, já foram iniciadas as primeiras oficinas do evento.
A chefe do Serviço de Educação (Seedu) do Museu Goeldi, Mayara Larrys, agradeceu aos estudantes e aos professores por terem se engajado nos projetos deste ano e a toda a equipe que trabalhou neles e estava apoiando a olimpíada, entre os quais bombeiros militares, profissionais de saúde e apoiadores das comunidades: “O Museu espera que vocês desfrutem da experiência de construção de conhecimento, e que seja de uma forma afetiva, que vocês lembrem desses momentos daqui a muitos anos. Que alguns de vocês (que estão como alunos e alunas hoje), possam retornar, daqui a uns anos, como professores, professoras. Sejam bem-vindos”.
Atravessaram a baía em busca de saberes
Também saudaram os participantes os representantes da Secretaria de Educação de Portel, Vilmar Cruz e Emerson Flores, educadores das escolas de referência Estefânia Monteiro e Andreia Raulino. Eles agradeceram ao Museu Goeldi a oportunidade de trocar saberes e de poder compartilhá-los, mais tarde, de volta às suas escolas. “A gente atravessou a Baía de Caxiuanã para estar aqui, isso não é algo simples. Na Estação, no meio da floresta, vocês terão uma troca de conhecimentos que nunca terão em nenhum lugar do planeta”, disse Flores. “É uma alegria voltar a esse lugar, trazer, buscar e levar conhecimentos a outros que não puderam vir. No próximo ano, outros virão e terão essa oportunidade que vocês estão tendo”, afirmou Cruz, aconselhando a comunidade escolar a aproveitar a experiência.
A professora Helena Jardim, representante das escolas de Melgaço, destacou um pouco da alegria de ter, na infância, ajudado o pai seringueiro a extrair borracha e poder se tornar professora e trabalhar com seus alunos o tema, do ponto de vista da ciência, a partir do incentivo do programa de educação executado pelo Museu Goeldi. “É um evento único. Mais do que uma competição, é um momento de integração entre a ciência e a educação e tenho certeza que será grande o resultado”, disse agradecendo o empenho de todos que chegaram ao momento.
“Eles deram um show!”
Este ano, o desafio das escolas de Portel e Melgaço, os dois municípios abrangidos pela Flona, foi buscar soluções direto das comunidades localizadas no arquipélago do Marajó para o enfrentamento da crise climática, apresentando, na olimpíada, tecnologias sociais que melhorem suas vidas em comunidade. De acordo com a chefe do Serviço de Educação (Seedu) do Museu Goeldi, Mayara Larrys, a olimpíada é a terceira etapa do programa de educação do Museu e foi reservada aos projetos selecionados nas fases anteriores. A primeira aconteceu no início deste ano, uma jornada pedagógica aberta a todos os professores dos dois municípios. Os educadores receberam orientação para fazer seus projetos trabalhando temas científicos de forma interdisciplinar e contextualizada com as demandas do território. Esses projetos se transformaram em aulas de língua portuguesa, de matemática, de ciências, e em tecnologias sociais.
Segundo ela, acompanhados por padrinhos e madrinhas científicas, os professores trabalharam os conteúdos propostos com seus alunos, que apresentaram os resultados na Feira de Ciências de Caxiuanã, no último mês de setembro. “E eles deram um show! Durante o evento, eles diziam: ‘Olha, aqui temos uma horta escolar. O nosso problema era a comida, porque o barco não consegue chegar quando a maré está baixa, e a maré está baixa por causa da crise climática’. Então, eles detalhavam como aquele assunto foi tratado em diversas disciplinas, com produção de texto, pesquisa sobre benefícios dos alimentos ao organismo, cálculos de escala e profundidade para o plantio, capacidade de suporte de solo… Enfim, os projetos ficaram tão bons que a gente precisou colocar a nota de corte em 8”, comemorou a chefe do Serviço de Educação.
E agora chegou a terceira etapa, que reúne 57 estudantes e 30 professores de 13 escolas (oito de Portel e cinco de Melgaço). “A expectativa para a Olimpíada é que as comunidades possam, junto com nossos formadores e colaboradores, construir e ampliar experiências que potencializam a iniciação científica, debate sobre justiça climática e bem viver com e na Amazônia. É uma oportunidade de promover trocas de saberes entre o museu e as comunidades, potencializar projetos e tecnologias sociais construídas ao longo do ano, enriquecer a formação continuada de professores e contribuir com soluções científico-educativas para as demandas que emergem desse Programa.
“A expectativa para a Olimpíada é que as comunidades possam, junto a nossos formadores e colaboradores, construir e ampliar experiências que potencializam a iniciação científica, o debate sobre justiça climática e o bem-viver com e na Amazônia. É uma oportunidade de promover trocas de saberes entre o Museu e as comunidades, de potencializar projetos e tecnologias sociais construídas ao longo do ano, de enriquecer a formação continuada de professores e de contribuir com soluções científico-educativas para as demandas que emergem desse do programa”, afirmou Mayara Larrys.
A realização da Olimpíada de Ciências de Caxiuanã é do Museu Goeldi e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A iniciativa conta com o patrocínio da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp) e da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).
AS ESCOLAS PARTICIPANTES:
1. Escola Piedade - Portel (Estefânia Monteiro)
2. Escola Santo Antônio- Portel (Andreia Raulino)
3. Escola Santa Rita- Portel (Andreia Raulino)
4. Escola Chico Mendes- Portel (Estefânia Monteiro)
5. Escola Edisvan Cordeiro- Portel (Estefânia Monteiro)
6. Escola Antônio Quaresma- Portel (Estefânia Monteiro)
7. Escola São Sebastião - Melgaço
8. Escola José Maria Rodrigues Viegas Júnior - Melgaço
9. Escola Getúlio Vargas - Melgaço
10. Escola Nossa Senhora da Conceição - Melgaço
11. Escola Fazenda Laranjal - Melgaço
12. Escola Estefânia Monteiro (referência)
13. Escola São Sebastião Maneca (Andreia Raulino)
A PROGRAMAÇÃO:
Segunda-feira (24/11/2025)
8h – Abertura da XIV Olimpíada de Ciências de Caxiuanã
9h – Realização das oficinas (alunos) Oficina para professores “Escrita inventiva e o ensino de ciências: experimentações com as palavras” (Me. Glenda Moraes)
12h – Intervalo para almoço
14h – Montagem da Exposição de Tecnologia Social (com professores e alunos)
15h – Jogos esportivos (Cabo de força e Circuito com desafios)
18h – Intervalo para o jantar
19h30 – Noite cultural (Núcleo Andreia Raulino)
Terça-feira (25/11/2025)
8h – Oficinas para alunos
8h – Oficina para professores: “Construção de jogos didáticos em saúde marajoara: tecendo saberes pelas mãos do professor” - Prof. Msc. Iury Souza
12h – Intervalo para almoço
14h – Abertura da Exposição de Tecnologia Social
14h30 – Exibição Cine Caxiuanã
15h – Jogos esportivos (Corrida de peconha e queimada)
18h – Intervalo para o jantar
19h30 – Noite cultural (Núcleo Estefânia Monteiro)
Quarta-feira (26/11/2025)
8h – Realização das oficinas para alunos
8h – Oficina para professores: “Alianças com a natureza em tempos de crise: pensar e fazer docente” – Prof. Msc. Barbara Sepulveda
12h – Intervalo para almoço
14h – Mostra de fotografias - Profª Graça Telles
15h – Jogos esportivos (corrida com bola)
18h – Intervalo para o jantar
19h30 – Noite cultural (Escolas do Município de Melgaço)
Quinta-feira (27/11/2025)
8h – Apresentação pública dos produtos das oficinas (6)
12h – Intervalo para almoço
14h – Apresentação pública dos produtos das oficinas (5)
18h – 19h Intervalo para o jantar
19h30 – Noite cultural (confraternização)
Sexta-feira (28/11/2025)
9h – Cerimônia de entrega das medalhas e Encerramento d
13h – Despedida das escolas no trapiche
Texto: Andréa Batista