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MCTI, Museu Goeldi e BID inauguram exposição "Diversidades Amazônicas”
Larry Sacks (BID), Gabas Júnior e Luciana Santos em momento simbólico de abertura da exposição (Foto: Kevin Castro) - Foto:
Museu Goeldi | COP30 com Ciência – A “Diversidades Amazônicas” – exposição permanente do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG, instalada no Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico, em Belém (PA) –, foi aberta, oficialmente, na manhã desta terça-feira (11/11), pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, e pelo diretor do MPEG, Nilson Gabas Júnior. A mostra é uma celebração da sociobiodiversidade da Amazônia e um convite ao público a conhecê-la, preservá-la e narrá-la de múltiplas formas. O evento integra a programação da unidade de pesquisa mais antiga da região para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP-30), em Belém (PA). A visitação pública começou na quinta-feira (13/11).
A ministra fez um discurso de agradecimento e celebração pelo trabalho que vem sendo realizado no/pelo Museu Goeldi, focado na Amazônia e em sua importância para a ciência e a sociobiodiversidade. Ela destacou a história do Museu, a importância da pesquisa e da preservação ambiental e o compromisso do governo em apoiar a ciência e a tecnologia na Amazônia. “Quero agradecer o esforço, a competência, o movimento, a paixão de Gabas, dirigindo esse Museu tão importante, patrimônio da ciência brasileira e do povo brasileiro, que foi construído por gerações e gerações de pesquisadores e pesquisadoras apaixonados por uma causa”.
Luciana Santos disse que, no dia anterior, teve a oportunidade de visitar a “Diversidades Amazônicas”, durante a abertura oficial da “Estação Amazônia Sempre” (evento do BID, no MPEG), quando pôde ouvir dos curadores e do diretor do MPEG explicações sobre a narrativa apresentada pela mostra. “Uma das lições que a gente tira é que a Amazônia não é algo intocável. Ela foi fruto também das pessoas que viveram nela; das comunidades e dos povos tradicionais que modificaram esse ambiente, numa perspectiva de sustentabilidade, de preservação e de desenvolvimento; que trouxeram a floresta de pé até aqui. E essas lições é que podem dar indicadores de como nós devemos pensar na Amazônia numa perspectiva de sustentabilidade, de geração de emprego e de renda”, disse.
A ministra fez questão de mostrar o colar de látex que usava e de convidar as pessoas aos estandes na "Casa da Ciência", um deles com produtos de mulheres de comunidades tradicionais da Amazônia: “Aqui tem tecnologia, aqui tem saberes, criatividade; aqui tem gênero, porque (os produtos) foram feitos por mulheres, com criatividade, usando a moda, a ciência, a arte, a natureza de um modo belo e profissional. Sejam muito bem-vindos à casa que é patrimônio da ciência, do povo brasileiro; que vocês possam usufruir de um conhecimento que é muito especial, para que a gente continue garantido que essa nossa riqueza natural, bem como os povos que convivem nela, que mais a conhecem, possam nos ajudar a seguir adiante fazendo valer uma agenda inclusiva”.
A Amazônia vista por quem a habita
Primeiramente, o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, agradeceu à ministra pela transferência da sede do MCTI ao Museu Goeldi e pelo cumprimento de uma agenda intensa nestes dias. Sobre a exposição, ele adiantou que ela traz uma abordagem da biodiversidade sob uma perspectiva amazônica. “A diversidade que nós vemos aqui é a partir de uma rede intrincada de formas de vidas humanas e mais-que-humanas. Um dos pilares dessa mostra é a origem da Amazônia, que nem sempre foi essa floresta poderosa, magnífica que a gente vê hoje. Um outro pilar é a expansão dessa diversidade e o papel das culturas, pois sabemos que um elevado grau de antropismo fez essa floresta. Um outro pilar é o papel do Museu Goeldi na preservação dessa biodiversidade. Nós temos um papel preponderante nisso”, reconheceu.
Gabas também destacou as parcerias para a realização da exposição, entre as quais a do MCTI e a do BID. Segundo ele, é resultado de uma conversa que teve com representantes do BID, que também incluiu a cessão de um espaço para a programação da COP30. “Eu ainda nem tinha a compreensão de que seriam 120 eventos que a gente realizaria no âmbito dessa parceria, além do patrocínio da reforma da casa onde morou Emílio Goeldi e também dessa exposição que abrimos hoje. Então, as parcerias são fundamentais, as parcerias nos elevam. Se não tivermos a capacidade de nos reconhecermos no outro, a partir da diversidade, da diferenciação, do respeito, não caminharemos. Sobretudo na Amazônia, isso é praticamente impossível”, encerrou, dando as boas-vindas aos presentes e aos futuros visitantes da exposição.
Chamado e manifesto
O coordenador da Museologia do MPEG e um dos curadores da exposição, Emanoel Fernandes, também saudou os presentes, demonstrando sua satisfação em poder, junto a uma comissão curatorial e a uma equipe de colaboradores, entregar a exposição. “Essa não é apenas mais uma mostra. A “Diversidades amazônicas” é também o chamado e o manifesto. A Amazônia, em sua vastidão e complexidade, nos oferece uma oportunidade fundamental para reencantar o mundo. Vivemos em um tempo onde o pragmatismo excessivo e a visão puramente utilitarista da natureza nos levaram à beira de uma crise planetária”, ressaltou, convidando a todos a recuperarem, por meio da apreciação da exposição e da reflexão, a capacidade de se maravilhar e de ouvir o que a floresta e seus povos têm a dizer, reconhecendo que a ciência, a arte e os saberes ancestrais convergem para a mesma verdade”.
O Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento, parceiro da iniciativa, foi representado por Larry Sacks, gerente de Relações Externas e Comunicações. Em espanhol, Larry deu às boas-vindas aos presentes à exposição patrocinada pelo BID. Ele agradeceu à ministra Luciana Santos, e ao diretor do Museu Goeldi, “por abrir as portas do Museu e por compartilhar seu extraordinário legado de ciência e cultura”. Ele ressaltou a importância do Museu, desde a sua fundação, orientando os estudos científicos e difundindo conhecimentos sobre a região. “Hoje sabemos que esta interdisciplinaridade é fundamental para abordar os desafios para o desenvolvimento. A arte é um convite a aprofundar ainda mais nossa visão. Esta exposição, por meio de sua combinação única de conhecimento científico e expressão artística, não só busca informar, mas também inspirar uma nova geração de defensores da riqueza cultural e da extraordinária sociobiodiversidade amazônica”, disse.
Além de Emanoel, integram a comissão a coordenadora de Comunicação e Extensão (Cocex), Sue Costa; a designer e chefe do Serviço de Comunicação Social (Secos), Sâmia Batista; e a tecnologista Karol Gillet. “A exposição também oferece ao público as diversidades de interpretação sobre a Amazônia, porque a gente traz, além do conhecimento científico, uma narrativa a partir de perspectivas ameríndias. Isso significa, compartilhar tanto o tempo geológico, a história de milhões de anos que formou a bacia amazônica, quanto o tempo da oralidade, o conhecimento cíclico e ancestral que orienta a vida dos povos”, disse Sue Costa.
A mostra adotou o mesmo nome da exposição aberta ao público em 2022 e também com a condição de permanecer instalada por longa duração, ganhando uma nova configuração. Quatro eixos temáticos desenham o espaço em que o público poderá transitar: a origem das diversidades amazônicas; como as diversidades se expandiram; como a Amazônia Ancestral contribuiu para essa expansão; e como o Museu Goeldi atua na preservação das diversidades amazônicas. A mostra permanente tem patrocínio do Grupo BID, realização do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), além de apoio do Amazônia Sempre, do ProGoeldi e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Mural do Mahku – Antes de entrar na exposição permanente do MPEG, no hall do prédio, os visitantes podem apreciar o mural do Movimento dos Artistas Huni Kuin (Mahku), formado por um conjunto de dois painéis que, juntos, medem 58,9 metros quadrados. Eles traduzem os mitos e cantos “Kapewë Pukeni” (do jacaré-ponte) e o “Yune Inu, Yube Shanu” (do surgimento da Ayahuasca). A expressão artística é um convite ao público a conhecer o mundo a partir da visão do povo amazônida, além de ser um meio de comunicação e de resistência do povo indígena. O mural também integra a programação cultural no Museu Goeldi para a COP30. A obra foi possível a partir da articulação da galeria Carmo Johnson Projects, que representa o Mahku, e tem o patrocínio da Bloomberg Philanthropies e o apoio do Instituto Peabiru.
Texto: Andréa Batista Gabriela Moura e Erika Morhy
Edição: Andréa Batista
SERVIÇO:
Exposição Diversidades Amazônicas
Visitação: gratuita, todos os dias, das 9h às 17h (entrada até 16h), durante a COP30
Local: térreo do Centro de Exposições Eduardo Galvão, Parque Zoobotânico do Museu Goeldi – Av. Gov. Magalhães Barata, 376 – São Brás, Belém (PA)
CONFIRA AS PROGRAMAÇÕES DO MUSEU GOELDI NA COP30
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NO PARQUE – Presença Suíça: Chalé João Batista de Sá - Parque Zoobotânico Museu Paraense Emílio Goeldi, Av. Gov Magalhães Barata, 376 - São Braz, Belém-PA.
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NO PARQUE – Estação Amazônia Sempre – Endereço: Av. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém (PA)
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NO PARQUE – Casa da Ciência – Endereço: Av. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém (PA)
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NO CAMPUS – Espaço Chico Mendes – Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi – Av. Perimetral, 1901 - Terra Firme, Belém (PA)