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Museu Goeldi e Instituto Felipe Smaldone promovem atividade para crianças surdas
Agência Museu Goeldi - Parte do compromisso histórico do Museu Goeldi, a divulgação científica ganhou um espectro diferenciado, na terça-feira (7), por meio do projeto de extensão das pós-graduações da instituição, ao desenvolver atividade voltada a estudantes surdos Instituto Felipe Smaldone, no Campus de Pesquisa, em Belém.
Sob a coordenação da pesquisadora Anna Ilkiu-Borges, alunos dos programas de pós-graduação em Biodiversidade (PPGBE) e em Ciência Biológicas – Botânica Tropical (PPGBOT) abriram novos horizontes de conhecimentos para um grupo de 23 estudantes e oito professoras da organização fundada em 1972, na capital paraense. O fio condutor do circuito educativo proposto partiu da disciplina de Ciências e da abordagem sobre horta, em andamento no instituto. “A partir dessa informação, idealizei uma linha de integração entre assuntos de botânica, como morfologia e diversidade de flores e frutos, formação do fruto, polinização (interação inseto-planta)”, explica Anna Ilkiu-Borges.
Instalado no Bosquinho Educadora Helena Quadros, o circuito contou, em seguida, com elementos da “entomologia, abordando insetos polinizadores e pragas, passando para cultivos urbanos (etnobotânica), abordando jardins, horta e pomar, integrando a ação do homem e sua relação com a natureza, puxando o gancho para a herpetologia, com a presença de sapos, lagartos e cobras nessas áreas cultivadas. Finalizamos o circuito com a exibição de flores e folhas sob estereomicroscópios [instrumentos ópticos que fornecem uma visão tridimensional de amostra]”.
Dinâmica e inclusão
A equipe do projeto de extensão elaborou uma sequência de interações, incluindo a caracterização das crianças como abelhas e de pesquisadores, como abelha-rainha e abelha-chefe das operárias. Sobretudo, reitera Anna Ilkiu-Borges, “buscamos evidenciar, de forma lúdica, a interdependência entre plantas, animais e seres humanos, reforçando a importância das relações ecológicas para a vida. Dessa maneira, diferentes áreas da Botânica e da Zoologia do MPEG foram apresentadas de forma integrada, favorecendo a fixação do conhecimento ao mostrar o homem e a natureza como partes de um mesmo contexto”.
Clarice Bittencourt, coordenadora pedagógica do instituto, descreve que a iniciativa de estabelecer contato com o Museu Goeldi teve como foco proporcionar aos alunos do 1º ao 5º ano a oportunidade “de ver na prática o que trabalham em sala, em relação ao meio ambiente e horta. Foi interessante, porque a gente viu os alunos interessados no que estava sendo exposto. A gente vê que a aprendizagem acontece de maneira real quando o conhecimento faz sentido na vida do aluno”.
Como etapa preparatória da ação, os pós-graduandos receberam noções básicas de Libras pelas professoras do Instituto Felipe Smaldone, destaca Anna Ilkiu-Borges, no intuito de que eles realizassem, junto às crianças, “o primeiro contato diretamente em Libras, em um gesto de empatia — semelhante ao que faríamos ao receber estudantes estrangeiros, cumprimentando-os em sua língua nativa”.
Marcus Magno, integrante do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica (Pibic), no Museu Goeldi, conta ter iniciado o estudo de Libras no início de 2025 e aderiu ao circuito educativo sem pestanejar. “Como pesquisador que desenvolve modelos didáticos e ações de extensão, busquei na Libras uma forma de iniciar uma mudança no meu próprio processo criativo, uma imersão em um universo de pessoas que percebem o mundo de forma diferente da minha. Então foi uma alegria imensa quando soube que teríamos essa atividade no museu, uma instituição tão presente no imaginário popular do belenense, se abrindo à possibilidade de tornar-se mais acessível e inclusiva”.
Já Antonio Pedro Costa Bastos, doutorando em Botânica Tropical, destaca a relevância de se planejar “a experiência lúdica, para contextualizar conceitos botânicos essenciais, muitas vezes desconhecidos ou mal compreendidos pelos estudantes. A atividade, ancorada no cotidiano dos alunos, permitiu que explorassem conceitos como polinização, manejo de hortas e conservação da biodiversidade de forma interativa e imersiva”.
Na avaliação da professora Anna Ilkiu-Borges, “essa ação, por ter surgido da própria demanda da escola, funcionou como uma versão inclusiva e em menor escala do Museu Portas Abertas. Ela demonstrou o quanto tanto a comunidade do Museu Goeldi quanto a sociedade civil sentem falta dessas experiências presenciais, reforçando a relevância de continuarmos promovendo iniciativas dessa natureza”.
Texto: Erika Morhy


