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Museu Goeldi comemora o aniversário de Belém narrando a história do Parque Zoobotânico
Agência Museu Goeldi – Para celebrar os 410 anos de Belém, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) promoveu o evento “Belém e o Parque do Museu Goeldi: influências mútuas, patrimônio compartilhado”, na segunda-feira (12/01), dia do aniversário da capital paraense. Além de trilhas guiadas, de atividades educativas para as crianças e de uma exposição de maquetes e de objetos encontrados durante a instalação do Museu no bairro de São Brás, como louças e garrafas, a programação contou com palestras que narraram a história do parque no contexto de urbanização de Belém, entre o final do século XIX e início do século XX. As maquetes e os objetos históricos seguem em exibição até o próximo domingo (18/01), no hall de entrada do Centro de Exposições Eduardo Galvão.
O historiador Nelson Sanjad, a arquiteta Karol Gillet e o chefe do Serviço do Parque Zoobotânico, Pedro Oliva, contaram como o MPEG foi criado, em 1866, e como o seu parque ocupou a área de um quarteirão e se tornou um dos lugares mais visitados da cidade. Com a primeira sede no Palácio dos Governadores, depois instalado numa casa no bairro de Nazaré, passando por uma sala do antigo Colégio Liceu Paraense e pelo prédio em que hoje funciona a Academia Paraense de Letras, o Museu chegou em 1985 em São Brás e foi literalmente “ganhando” terreno com os processos de desapropriação de lotes até preencher todo o quarteirão. Com mais de 5 hectares de floresta plantada, prestes a completar 160 anos de história em Belém, o MPEG nasceu levando o Pará para o mundo, “com uma agenda científica que conectava demandas regionais e internacionais e isso caracteriza a instituição até hoje”, segundo o historiador.
Outro aspecto que se mantém até hoje é a visitação diversa no parque, com pessoas de diferentes classes sociais. “Podemos ver pessoas vestidas de maneira bastante formal e ao mesmo tempo pessoas vestidas de maneira bem mais simples, inclusive gente descalça. Nessa época, início do século 20, os sapatos eram um marcador social muito importante”, explicou, enquanto compartilhava fotos antigas. O pesquisador também expôs algumas plantas do terreno do parque, desenhos técnicos essenciais para o planejamento de obras e para garantir licenciamento pelo Executivo municipal. Exibiu ainda alguns dados sobre os antigos donos dos lotes, demonstrando o crescimento da área destinada à divulgação científica desde os primórdios, com a exibição de espécies da fauna e da flora da região. A história das edificações e das estátuas, como a do fundador do Museu Goeldi, o naturalista Domingos Soares Ferreira Penna, também foi tema da palestra de Nelson Sanjad.
Tecnologista na área de museologia do MPEG, a arquiteta Karol Gillet deu sequência às falas com a história da “Rocinha”, o casarão rosa localizado na entrada do parque que, ao longo das décadas, virou um cartão-postal do lugar. “Falar do Museu e não falar da Rocinha seria uma coisa realmente muito estranha”, frisou ela, que se dedica a desvendar “o morar amazônico”. Segundo Gillet, “as rocinhas eram muito mais do que uma moradia, tinham a ver com seu entorno. Era tudo o que o circundava. Era uma propriedade rural. Ela está ligada justamente à história de Belém. Antes do período áureo da borracha, as rocinhas eram vivendas rurais”, explicou, dizendo que as típicas construções eram casas simples, adaptadas às condições climáticas da região. Construída no final do século XIX, a Rocinha abrigou as primeiras coleções científicas, laboratórios e exposições do Museu Goeldi.
Com o olhar mais voltado para o presente, mas mirando também o futuro, o chefe do Serviço do Parque Zoobotânico, Pedro Oliva, provocou os participantes a pensar como gostariam de ver o lugar daqui a dez anos. Tendo seu conjunto arquitetônico e paisagístico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1993, com reconhecimento similar anterior, no âmbito estadual, concedido pela Secretaria de Cultura do Governo do Pará desde a década de 1980, o parque enfrenta desafios na atualidade que exigem o cuidado da população para que ele possa continuar existindo para as futuras gerações. Conforme Pedro, o respeito aos limites legais de construção no seu entorno, como a delimitação da altura dos prédios, impacta na ventilação que, se não monitorada, pode resultar na queda precoce de árvores, entre outras consequências. O zelo com a fauna e a flora é outra necessidade constante que requer a dedicação dos visitantes, segundo frisou, a exemplo de não pisar nos canteiros, não alimentar os animais e não subtrair vegetação ou riscar as árvores.
A programação seguiu durante toda a segunda-feira, no Parque Zoobotânico, que abriu excepcionalmente aos visitantes para celebrar o aniversário de Belém. Além das palestras, o público também teve a oportunidade de participar de visitas guiadas entre a fauna e a flora do parque e as crianças puderam aprender mais sobre a história da instituição em atividades desenvolvidas pelo Serviço de Educação do Museu Goeldi no Castelinho. O Parque Zoobotânico abre, normalmente, de quarta a domingo, das 9h às 16h.
Texto: Carla Serqueira
Edição: Erika Morhy.