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Museu Goeldi apresenta pesquisas a Comitê Econômico Social Europeu e Federação Russa
Museu Goeldi | COP30 com Ciência – Lugar de diálogos entre povos na COP30, o Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (PZB/MPEG) recebeu, na tarde do domingo (16/11), representantes do Comitê Econômico Social Europeu (Cese) e da Câmara Cívica da Federação Russa. O encontro foi articulado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) da Presidência da República, com o objetivo de divulgar para os potenciais parceiros da Europa e da Rússia os avanços científicos protagonizados pelas unidades de pesquisa com atuação direta na Amazônia, vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), entre elas, o MPEG.
“Vimos a oportunidade de mostrar o que a Amazônia produz de ciência na ecologia, na restauração de áreas degradadas, na proteção da floresta, no uso sustentável dos recursos florestais, nas relações entre empresas e comunidades. E eles puderam ver todo esse acervo de conhecimento, visitando o Museu Goeldi”, afirmou a secretária-executiva adjunta do CDESS, Raimunda Monteiro, que promoveu o evento ao lado do supervisor de Assuntos Internacionais do Conselho, Bruno Araújo.
Coordenadora de Pós-Graduação do Museu Goeldi, Marlúcia Martins frisou a importância de dar visibilidade às contribuições que os povos indígenas e as comunidades tradicionais dão à ciência na Amazônia. “Um dos nossos objetivos é ser entendido como atores importantes no contexto da COP30. Não é possível soluções climáticas sem ciência e não é possível ciência sem os povos da floresta. Estamos nessa conexão com os povos da floresta, dando ressonância às suas vozes, para que sejam fortalecidos, aumentem a sua governança sobre o território, alcancem a justiça social e também os recursos financeiros para dar suporte à resistência e à resiliência da floresta”, explicou Marlúcia Martins.
Um dos seis integrantes do Comitê Econômico Social Europeu, o agricultor búlgaro e presidente designado da Nature, Agriculture and Rural (NAT), Stoyan Tchoukanov, falou sobre a falta de informações que a Europa, no geral, enfrenta referente aos avanços científicos e tecnológicos que ele conferiu na apresentação das unidades científicas da Amazônia.
“Não tínhamos conhecimento de que se realizava um trabalho tão vasto de investigação e inovação, incluindo a área social, sobre como preservar os povos indígenas, os rios amazônicos, o ecossistema, o microbioma e como se tenta lidar com as consequências e adaptar-se às alterações climáticas. Para nós, foi uma experiência reveladora, e isso é importante porque vamos levar a mensagem adiante” (Stoyan Tchoukanov)
Segundo Stoyan Tchoukanov, os resultados das pesquisas na Amazônia não entram na agenda de notícias na Europa de forma adequada. “Em muitos casos, essa informação não se encaixa no propósito do jornalista, pois ele busca más notícias que, infelizmente, atraem mais atenção do que as boas. Mas hoje vimos notícias muito positivas do trabalho de pesquisa e inovação realizado pelos institutos. Sinceramente, estou feliz”. Ele disse que, na Europa, a ideia que se tem do Brasil é de que não há preocupação com as consequências das mudanças climáticas no ecossistema amazônico. “Vimos aqui que não é o caso. E isso é muito importante porque esperamos que a Comissão Europeia pressione pelo acordo com o Mercosul. Eles têm a ambição de assinar o acordo antes do final do ano”, afirmou Stoyan.
Ciência e tecnologia na Amazônia - No auditório Alexandre Rodrigues Ferreira, no PZB, Marlúcia Martins representou o Museu Goeldi ao lado de Andréa Latgé, secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI; de Alessandra Gomes, coordenadora espacial da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); Henrique Pereira, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa); e Emiliano Ramalho, diretor técnico-científico do Instituto Mamirauá. “Somos uma instituição de 160 anos, que fazemos pesquisa e divulgação científica”, disse Marlúcia Martins.
A coordenadora do MPEG falou sobre as três bases físicas do Museu Goeldi (Parque Zoobotânico, Campus de Pesquisa e Estação Científica Ferreira Penna), mencionou a relevância histórica das coleções científicas, como as da botânica, da arqueologia e de obras raras da biblioteca. Também falou sobre o trabalho com taxonomia integrativa e sobre o laboratório para estudos genéticos. Marlúcia explicou ainda que, recentemente, o MPEG passou a estudar mais biotecnologia e que a instituição tem atuado de forma holística nas pesquisas sobre as mudanças climáticas e seus efeitos na biodiversidade.
O MCTI apresentou a sua estrutura organizacional e explicou as políticas nacionais estratégicas aliadas à área da ciência e tecnologia e ao desenvolvimento econômico sustentável, como o Programa Pró-Amazônia. Já o Inpe falou sobre os projetos que desenvolve para monitorar o desmatamento, a degradação e a exploração florestal, reforçando os esforços empreendidos para promover a capacitação profissional.
O Inpa falou sobre a articulação crescente entre as instituições científicas da Amazônia, com foco em diversos temas referentes às mudanças climáticas, como transição energética, oceanos, biodiversidade, sistemas urbanos e desenvolvimento humano e social. Por fim, o Instituto Mamirauá ressaltou a importância das tecnologias sociais e apresentou os resultados dos trabalhos que desenvolve na reserva Mamirauá, em parceria com a população local.
Após as apresentações, o grupo visitou as exposições “Brasil: Terra Indígena” e “Diversidades Amazônicas”, no Centro de Exposições Eduardo Galvão.
Do Comitê Econômico Social Europeu, participaram do evento: Josep Puxeu Rocamora, representante do setor empresarial e vice-presidente do Comitê de Acompanhamento da América Latina; Maria Nikolopoulou, representante de sindicatos e presidente designada da ODS; Stoyan Tchoukanov, agricultor búlgaro e presidente designado da Nature, Agriculture and Rural; Samira Bem Ali, delegada Jovem do Cese na COP30; Caroline Verhelst e Gaizka Malo, ambas funcionárias administrativas e operacionais do comitê.
Já da Câmara Cívica da Federação Russa, estiveram presentes: Vladimir Lifantev, membro da Comissão de Ecologia e Desenvolvimento Sustentável e vice-presidente do Conselho de Coordenação da Câmara Cívica da Federação Russa para o Bem-Estar Ambiental e o Desenvolvimento de Práticas de Divulgação Pública Não Financeira; e Anastasia Borodina, assessora do Departamento de Relações Internacionais, do Gabinete-Executivo da Câmara Cívica da Federação Russa.
Texto: Carla Serqueira
Edição: Andréa Batista
CONFIRA AS PROGRAMAÇÕES DO MUSEU GOELDI NA COP30
As atividades citadas nesta matéria fazem parte de uma programação geral no contexto da COP30, com mais de 200 eventos, que está sendo realizada nas duas bases do Museu Goeldi (Parque Zoobotânico e Campus de Pesquisa), desde o último dia 7. Acesse as agendas dos quatro espaços montados no MPEG:
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NO PARQUE – Casa da Ciência – Endereço: Av. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém (PA).
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NO PARQUE – Estação Amazônia Sempre – Endereço: Av. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém (PA).
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NO PARQUE – Presença Suíça/Planetary Embassy/Road to Belém : Chalé João Batista de Sá - Parque Zoobotânico Museu Paraense Emílio Goeldi, Av. Gov Magalhães Barata, 376 - São Braz, Belém-PA.
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NO CAMPUS – Espaço Chico Mendes – Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi – Av. Perimetral, 1901 - Terra Firme, Belém (PA).