Diálogos COP30 Com Ciência encerra sexta-feira destacando legados indígenas e de comunidades no combate às mudanças climáticas

O tema “Povos da floresta e criação de paisagens amazônicas” convida para debater como os saberes e tecnologias ancestrais contribuem para a formação da Amazônia que conhecemos hoje, com soluções de coabitação com a floresta e que inspiram modelos de desenvolvimento sustentável.

Publicado em 09/09/2025 13:38
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Agência Museu Goeldi - A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorre em novembro, em Belém, deve reunir líderes de países para alinhar os próximos passos da luta global contra a crise climática. A mobilização pré-COP aponta que o encontro dos líderes será potencializado pelo aspecto mais inovador do evento no Brasil - a participação social decisiva de povos indígenas, comunidades ribeirinhas, quilombolas e movimentos da sociedade civil pautando soluções a partir dos territórios. As tecnologias e saberes das populações tradicionais são o destaque do último Diálogo COP 30 com Ciência, que acontece nesta sexta-feira (12), iniciando às 13h30, no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi. 

Com o tema  “Povos da floresta e criação de paisagens Amazônicas”, o encontro busca discutir como os saberes ancestrais e o manejo tradicional das paisagens contribuíram para a formação da Amazônia que conhecemos hoje. O foco será a importância de práticas bioculturais como respostas a desafios de adaptação climática e também no contexto das cidades amazônicas. 

A arqueóloga e pós-doutoranda do Museu Goeldi, Erêndira Oliveira, explica que as pesquisas arqueológicas na região têm revelado que a floresta tem um forte fator biocultural, onde se evidencia que conhecimentos integrados ao território foram decisivos para a conformação da paisagem e da biodiversidade do bioma. 

“As populações originárias da Amazônia foram — e continuam sendo — protagonistas na construção das paisagens da floresta tropical. Ao longo de milênios, desenvolveram sistemas sofisticados de manejo do solo, da água e da biodiversidade, como a formação de ‘terras pretas’ altamente férteis, a construção de aldeias elevadas em áreas alagáveis, além do cultivo e dispersão de espécies úteis à alimentação, à medicina e à construção. Essas tecnologias, transmitidas entre gerações, são exemplos de coabitação sustentável com a floresta, moldando ecossistemas de altíssima diversidade”, afirma a pesquisadora, que coordena esta última sessão do Diálogos COP30. 

O debate - Para fornecer um panorama de como essas práticas se manifestam no passado e no presente, cientistas, especialistas e representantes de populações tradicionais da Amazônia compõem as duas mesas do evento. Os convidados são: Carolina Levis (Universidade Federal de Santa Catarina), Carlos Augusto da Silva (Universidade Federal do Amazonas), Ana Carolina Melo (Laboratório da Cidade), Artur Walipere Baniwa (Universidade de Brasília), Glenn Shepard (MPEG) e Maria Páscoa Sarmento (UFPA e liderança quilombola). A mediação dos debates ficará a cargo das jornalistas Helena Palmquist e Cristina Serra.

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A pauta perpassa por questões centrais para a agenda da COP30, mas também para a conservação da floresta e o desenvolvimento sustentável da região, abordando aspectos como os desafios e oportunidades na integração dos conhecimentos tradicionais e científicos na formulação de políticas públicas para a Amazônia, a incorporação dos conhecimentos tradicionais no planejamento de soluções para as cidades amazônicas e a contribuição das práticas culturais dos povos indígenas e comunidades locais para o enfrentamento das mudanças climáticas. 

“Espera-se que o debate contribua para ampliar o espaço desses conhecimentos nas políticas públicas, na ciência e nas estratégias de desenvolvimento sustentável da região. Ao reunir pesquisadores, comunicadores e lideranças dos territórios, a mesa pretende fomentar alianças que valorizem a justiça ambiental e a escuta intercultural como pilares da agenda climática. Isso está diretamente alinhado às reivindicações históricas dos movimentos indígenas e de comunidades tradicionais, que defendem seus modos de vida como caminhos legítimos e urgentes para proteger a Amazônia — não apenas como bioma, mas como espaço vivo de resistência, memória e inovação”, ressalta Erêndira Oliveira. 

A sétima edição do Ciclo de Diálogos COP 30 com Ciência é realizada pelo Museu Goeldi com o apoio Centro de Pesquisa Florestal Internacional e o Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal (CIFOR-ICRAF) e da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). A programação ocorre na sexta-feira (12), a partir das 13h30, no Auditório Paulo Cavalcante, no Campus de Pesquisa (Av. Perimetral, nº 1.901 - Terra Firme) e pode ser acompanhada também pelo canal do Museu Goeldi no Youtube.

Texto: Fabrício Queiroz

Edição: Joice Santos

Serviço: Ciclo de Diálogos COP 30 com Ciência - “Povos da floresta e criação de paisagens Amazônicas

Data: 12 de setembro de 2025

Horário: 13h30 às 17h

Local: Campus de Pesquisa do Museu Goeldi (Av. Perimetral, nº 1901 - Terra Firme, Belém)

Transmissão ao vivo: Canal do Museu Goeldi no YouTube

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Educação e Pesquisa
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