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De pele nova: Museu Goeldi celebra a arte e a ciência estampadas nos seus muros
- Foto: Representantes do Museu Goeldi, do Maub e do Instituto Vale abriram evento oficialmente
Agência Museu Goeldi - A inauguração da arte muralista decorrente da parceria entre os museus Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e de Arte Urbana de Belém (Maub) atraiu a comunidade local e quem visitava o centro urbano neste domingo (28/09). As atrações da festa – música, feira, gastronomia, brinquedos e brincadeiras infantis – se concentraram na Avenida Magalhães Barata, mas a movimentação se estendeu por todo o entorno do Parque Zoobotânico (PZB), pois o público queria apreciar e registrar os 17 painéis artísticos que retratam a ciência produzida na instituição de pesquisa mais longeva da Amazônia. O momento faz parte das comemorações dos 130 anos do PZB, iniciadas no último mês de agosto, e inicia a contagem regressiva para a celebração dos 159 anos do Museu Goeldi, no próximo dia 6.
Para o diretor do MPEG, Nilson Gabas Júnior, os dois momentos (aniversários do Museu e de sua base mais popular, o parque) são uma prévia para os 160 anos do Museu Goeldi, em outubro do ano que vem: “A inauguração desses murais, dessa obra de arte a céu aberto, é uma celebração histórica dos 130 anos do Parque e dá início à contagem para os próximos aniversários de uma instituição com quase 160 anos de produção científica na Amazônia. Isso é irrepreensível, é singular na história do Brasil. A gente tem um mural no campus de pesquisa que diz que ‘a ciência na Amazônia (a ciência formal, sem incluir os saberes tradicionais) nasceu no Museu Paraense Emílio Goeldi’. Nessa intervenção artística, a gente mostra à população a importância dessa instituição extra-muros”.
Presente para Belém
Na Avenida Magalhães Barata (na frente do PZB), o idealizador do Maub, Gibson Massoud; o diretor do Museu, Nilson Gabas Júnior; e a diretora do Instituto Cultural Vale, Gabriela Sobral fizeram a abertura oficial da festa que marcou a inauguração das obras. “Esse momento é simbólico. Quero agradecer quem ajudou a fazer esse projeto. Para a gente, é imensurável ter pintado o Museu Emílio Goeldi, poder acompanhar de perto os funcionários que são todos apaixonados pela instituição. Essa ideia surgiu há dois anos e agradeço à Vale, que acreditou no projeto; a Gabas e a toda a sua equipe; a minha equipe, que, se dedicou para que isso acontecesse, e aos artistas e a todo mundo que colaborou de alguma maneira para que, hoje, Belém ganhasse esse presente”, disse Gibson Massoud.
“Eu quero começar agradecendo à população de Belém. Agradeço a todos e a todas vocês, em primeiro lugar e antes de qualquer coisa. Tem sido inconteste, fundamental o apoio de cada uma e cada um de vocês, no sentido de reconhecer o que tem sido feito nos muros do Museu Paraense Emílio Goeldi. O Maub tem sido fundamental para fazer a ponte entre ciência, arte e cultura. Então, é com grande prazer que eu vejo a população de Belém abraçar a ideia e entender que aquilo que nós estamos fazendo aqui é uma intervenção histórica. Esta é a primeira iniciativa com a contundência histórica semelhante ao ato de fundação do Parque Zoobotânico. E hoje vocês estão conseguindo ver uma iniciativa que é a imbricação da ciência com a arte, a ciência com a cultura”, afirmou Gabas ao público que acompanhou o evento.
“Em nome da Vale, queria agradecer a todo mundo que está aqui e dizer que, para a gente é uma alegria, uma satisfação a gente está apoiando uma iniciativa que alia arte e cultura e, além disso também promove a fruição da sensibilidade, a fruição artística e a relação das pessoas de Belém com o espaço urbano. O Instituto Cultural Vale está completando 5 anos, mas, há 40 anos, a Vale está presente na Amazônia, incentivando iniciativas de bioeconomia, de sustentabilidade e, agora, de arte, cultura e educação. A gente fecha um ciclo muito importante, olhando obras de 19 artistas, 12 paraenses. Então, a gente está falando de um processo de cocriação com esses artistas da região amazônica impulsionando a arte local e ativando todo esse circuito da economia criativa, da economia da cultura”, declarou Gabriela Sobral.
Encontro de famílias e amigos
De fato, quem passou pelas avenidas do entorno do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, principalmente, pela manhã percebeu que as famílias e os grupos de amigos deram o tom da festa. Algumas pessoas que eram de fora da cidade e queriam visitar o Parque não se frustraram com o fato de ele estar fechado para serviços de manutenção (a retomada da visitação será na próxima sexta-feira, dia 3), pois puderam aproveitar as atrações da festa. As crianças se encantavam observando os murais coloridos com motivos da fauna e da flora amazônica e ainda puderam brincar, pintar e ouvir histórias nos vários espaços da festa. Dessa forma, tanto os que estavam somente de passagem, quanto os que saíram de casa com destino certo, se renderam à programação e à arte muralista nos muros do Parque do Museu Goeldi. Confira depoimentos:
“José tem um ano e nove meses e a gente ama arte. A gente vai muito para festival, exposição, ele adora! Eu acho que ele se desenvolve melhor, ele gosta muito, interage, comunica. Eu gosto, a gente gosta. Essa exposição foi ótima, maravilhosa. A gente já está rodando aqui, já viu tudo, ele (José) está encantado, olha só a carinha dele. (Mayara Leão, acompanhada do marido e do filho que custou a tirar os olhos do peixe-boi)
“Eu sou belenense e a minha esposa é mineira. Eu moro aqui desde o meu nascimento e a minha esposa veio para cá nos anos 70. É interessante isso aqui (aponta para o muro do Museu Goeldi), porque expõe a nossa cultura às pessoas que vêm de fora – e até mesmo para quem é daqui e não conhece –, principalmente numa época dessa de Círio, de COP30. Isso vai mostrar para o mundo muita coisa nossa, da nossa cultura” (Jorge Teófilo Lopes, acompanhado da esposa, Nara Lopes, e dos netos, Octávio e Cecília).

- Luciana ouviu falar da programação e arrastou a família para aproveitar o domingo na Magalhães Barata
“Primeiro, eu acho que toda a iniciativa ao ar livre, que possa envolver a população com os pontos turísticos, com cultura, com arte, faz toda uma diferença. Então, quando eu vi hoje a programação, eu falei assim: ‘não, a gente tem que ir lá mesmo ver’. E viemos vivenciar todas a experiência, tudo o que vocês organizaram pra gente” (Luciana Chaves, acompanhada do marido e da filha, moradores de Belém).
“Estou vindo com meus familiares para acompanhar o Museu Emílio Goeldi, pai, mãe, sobrinho, esposa… A gente veio aqui trazer as meninas para elas verificarem o que está acontecendo no Museu. A gente se deparou aqui com esse evento, que é muito importante para a cidade de Belém. Já demos uma verificada em todas as imagens, estão muito bonitas mesmo, apresentando tudo para a COP30” (Edivandro Macedo, acompanhado da sua família, moradora de Belém).
“Chegamos na sexta-feira para visitar minha filha que está trabalhando aqui. Estamos achando esse domingo todo muito bonito. Fomos à missa e chegamos aqui nas pinturas. Está muito legal. Difícil escolher uma, todas chamaram a atenção. E também o ambiente, essas árvores. Tudo é diferente do que no Rio Grande do Sul. Estamos gostando muito” (José Antônio Bervan, acompanhado da família gaúcha em visita à Belém-PA).
Programação termina às 19h
A programação teve início por volta das 9h, com a oficina “Naiá e Benny - Entre rios e rabiscos”, e as atividades para a criançada (pula-pula, escorrega, mini-rampa de skate), além de praça de alimentação e feirinha criativa. Ainda houve a apresentação do DJ The Black; contação de história com Otânia - Causos da Dona Cotia; oficina infantil - Reciclando e fazendo arte com o grafiteiro Santo. Por volta das 12h, aconteceu a apresentação do DJ The Black. Para a tarde, estão programadas: Ver o Brass; DJ The Black; oficina bolha de sabão com Pedro Bolhas; Baile do Mestre Cupijó; DJ The Black. A última atração – que deve subir ao palco às 17h45 – é a Banda Reggaetown convida Layse.
Texto: Andréa Batista
Revisão: Erika Morhy
Fotos: Andréa Batista e Adrya Marinho




