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Biólogo do Museu Goeldi recebe prêmio internacional

Prêmio é voltado a cientistas que demonstrem excelência em pesquisas de campo na área de biologia. Todo ano, cinco cientistas são escolhidos pela Maxwell / Hanrahan Foundation, dos Estados Unidos, e cada um recebe $100 mil para impulsionar suas pesquisas. Pedro Peloso, do Museu Goeldi, é o primeiro brasileiro a recebê-lo.
Publicado em 18/11/2021 14h13
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Agência Museu Goeldi – O biólogo Pedro Peloso, bolsista do Programa de Capacitação Institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi (PCI/MPEG/MCTI), foi um dos cinco agraciados pelo prêmio “Individual Award in Field Biology”, concedido pela Maxwell/Hanrahan Foundation, dos Estados Unidos. Pedro é o primeiro brasileiro a receber o prêmio, concedido todo ano a cinco cientistas que realizam pesquisas na área da biologia e que desenvolvam boa parte do trabalho em campo.

Cada um dos cinco cientistas reconhecidos recebe um prêmio no valor de $100.000 (cem mil dólares) para que possam dar continuidade ao seu trabalho, aprofundar suas pesquisas e aumentar o potencial de impacto de suas descobertas.

Os escolhidos são indicados e selecionados por comitês convidados pela Fundação Maxwell/Hanrahan, com base em critérios como o potencial de seu trabalho para contribuir com os estudos em biologia de campo, excelente histórico de pesquisas com resultados de alto nível, além de originalidade e demonstração de competência para realizar mais trabalhos inovadores na área.

Ganhador – Pedro Peloso é um grande conhecedor da diversidade biológica amazônica. Doutor em Biologia Comparada pelo Museu Americano de História Natural (EUA) e mestre em Zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi/Universidade Federal do Pará (UFPA), ele já descreveu mais de 30 espécies de anfíbios e lagartos, a grande maioria delas da Amazônia. 

Suas pesquisas já resultaram na publicação de mais de 40 artigos científicos em revistas internacionais, abordando temas que vão desde detalhadas descrições anatômicas até estudos evolutivos utilizando dados genômicos. Suas pesquisas levaram o jovem cientista a participar de expedições de campo em áreas que incluem os Andes Peruanos, a Pan Amazônia e quase todos os estados do Brasil.

Entre 2018 e 2020, foi professor visitante do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA e desde 2015 é professor do Programa de Pós-Graduação em Zoologia, mantido conjuntamente pela UFPA e o MPEG. Atualmente, Pedro é bolsista do Programa de Capacitação Institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi, com pesquisas sobre a diversidade genética e evolução de um grupo de anfíbios Neotropicais.  

Pesquisa e Comunicação - Junto a sua atuação no estudo da diversidade, evolução e conservação de anfíbios, principalmente na Amazônia, Pedro também atua como fotógrafo de natureza e vida selvagem, desenvolvendo projetos e contando histórias que despertem o interesse para questões socioambientais. É um ativo colaborador da National Geographic. Um dos projetos que reúne a capacidade de pesquisa, a habilidade em comunicar e o interesse na conservação da natureza é o DoTS (Documenting Threatened species) que documenta e divulga espécies ameaçadas de extinção no Brasil.

Todo esse trabalho com a biologia e conservação dos anfíbios já é reconhecido mundialmente e lhe rendeu outros prêmios, como o “Future Leader in Amphibian Conservation” (Futuro Líder na Conservação de Anfíbios). O reconhecimento veio em 2019, outorgado pela Amphibian Survival Alliance, uma das maiores organizações globais voltadas à conservação de anfíbios.

“Esses prêmios são um importante reconhecimento do meu esforço e trabalho como biólogo. É uma recompensa por todo o trabalho duro que venho desenvolvendo para estudar a biodiversidade das florestas tropicais, especialmente com anfíbios na Amazônia. É também um estímulo, para que eu continue investindo meu tempo na pesquisa e na conservação”, relata Peloso, que se mostra animado com novos projetos.

Biologia de campo – Descobertas científicas demandam muito tempo e dedicação, e na linha de frente das descobertas sobre a diversidade de vida no planeta, estão os biólogos de campo. Esses profissionais, que muitas vezes se deslocam a lugares de difícil acesso e enfrentam condições de trabalho bastante adversas, são fundamentais para a descoberta de novas espécies e realização de experimentos ecológicos que ajudam a entender a vida na Terra.

A premiação da Maxwell/Hanrahan Foundation para projetos na área de biologia de campo vem da compreensão das dificuldades associadas ao trabalho nessa área e da paixão de seus fundadores por ambientes naturais.

“A pesquisa de campo é fundamental para diversas áreas da biologia. É no campo que são feitas as descobertas mais básicas relacionadas à biodiversidade. Só através do trabalho no campo é possível saber como as espécies se comportam em seu habitat natural ou como reagem a alterações no ambiente. Além disso, diversas espécies novas são descobertas todos os anos através do trabalho de campo de biólogos e ecólogos”, explica Peloso.

Em relação aos desafios de fazer pesquisa no atual cenário brasileiro, considerando a escassez de recursos para a área da ciência, o pesquisador comenta: “É muito difícil fazer qualquer tipo de pesquisa sem investimento, especialmente na formação e fixação de mão de obra especializada. Fazer pesquisa de ponta necessita de pessoas qualificadas, mas nosso país contrata cada vez menos pesquisadores (seja como efetivos ou bolsistas) e também investe cada vez menos em projetos. No Brasil, adiciona-se ainda a dificuldade para a contratação de pesquisadores pelos institutos e os obstáculos na compra de material para a pesquisa. A escassez e burocracia podem, às vezes, fazer com que o pouco recurso existente ainda seja gasto de maneira equivocada. Esses são também alguns dos motivos pelos quais muitos pesquisadores brasileiros resolvem trabalhar no exterior, ou até mesmo desistir completamente da carreira na ciência”, analisa um dos vencedores do prêmio “Individual Award in Field Biology”, da Maxwell/Hanrahan Foundation.

 

 

Texto: Uriel Pinho e Samara Barra, com informações do pesquisador