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Live de Tecnologia Social do Inpa discute sobre o projeto ‘Replicando o Passado’
O projeto é uma parceria da comunidade de Oleiro do Paracuri com o Museu Emílio Goeldi, em Belém (PA), para estreitar o conhecimento sobre as civilizações amazônicas - Banner: Débora Vale
Na próxima sexta-feira, 29/9, o Projeto Rede Amazônica de Tecnologia Social do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) irá realizar uma live para debater a respeito do Projeto "Replicando o Passado". A transmissão será às 9h (horário Manaus), pelo canal Youtube/InpadaAmazonia, com mediação realizada pela coordenadora da Rede Amazônica de Tecnologia Social do Inpa, Denise Gutierrez.
Os ciclos de lives de Tecnologia Social oportunizam à população conhecer os projetos que são desenvolvidos através desta tecnologia. O projeto Replicando o Passado possui extrema importância para o campo da tecnologia social, pois trabalha com a cultura, produções culturais, que refletem sobre a Amazônia, suas produções culturais, artefatos deixados por populações antigas moradoras daqui e como os próprios artesãos, na atualidade, podem se apropriar desse conhecimento e símbolos que são característicos da região amazônica.
Para Gutierrez, a produção de objetos de alto valor não é só estético, mas histórico. “O projeto mostra a potência, a diversidade da tecnologia social na região amazônica, porque responde problemas não apenas de geração de renda, de melhoria da educação, de acesso à saúde, mas também responde a questões envolvidas na cultura, no acesso ao conhecimento ancestral e na valorização desses saberes”, ressalta.
O projeto "Replicando o Passado", desenvolvido desde 2017, é uma colaboração entre os ceramistas, moradores da comunidade de Oleiro do Paracuri, no município de Belém (PA), juntamente com a equipe de curadoria do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), que une a divulgação do acervo de cerâmicas arqueológicas do Museu à revitalização do artesanato cerâmico do distrito de Icoaraci.
Helena Lima, coordenadora do projeto, diz que vê nas cerâmicas e réplicas uma potencialidade incrível de estabelecer pontes de diálogos entre diferentes pessoas, coletivos e entre diferentes tempos. “Seus significados e ressignificações trazem a arqueologia para o presente. Muita gente pensa que a arqueologia está voltada ao passado, mas é no presente, ‘no hoje’, que ela acontece. Gosto de pensar ainda que a arqueologia nos ensina lições importantes para o futuro.”, frisa a pesquisadora.
O projeto destaca a importância da potencialização destas produções, as quais replicam peças de cerâmica das culturas Marajoara, Tapajônica, Aristé e Maracá. Mais adiante, a intenção é que sejam produzidas as réplicas de outras culturas, tais como: Kariabo, localizado desde a Guiana ao Xingu e Guarita, localizado na região de Manaus.
A live ampliará a discussão sobre a produção de réplicas artesanais, seu uso em museus e coleções didáticas em geral, além da capacitação para a produção mais aprimorada do material, a partir de estudo aprofundado das origens em sua materialidade, histórias e documentação museológica. Visando preservar as peças originais e ampliar o potencial educativo desse patrimônio, com uma ação que busca incluir uma comunidade local extremamente envolvida e afetada pelo acervo do Museu.
Inscrições
Os inscritos, com efetiva participação, receberão Declaração de Participação de 2 horas.
Para se inscrever, clique aqui.
Minibiografia
Helena Lima é uma arqueóloga que adotou a Amazônia como lar, para si e sua família. Doutora pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (2008), atuou nas Universidades do Estado e Federal do Amazonas, em Manaus (2009-2012), e desde 2013 vive em Belém do Pará, onde é pesquisadora titular do Museu Paraense Emílio Goeldi, além de curadora da coleção arqueológica, e professora do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural. Coordena, desde 2016, Replicando o Passado, recentemente cadastrado como um tecnologia social do Museu Goeldi e dos ceramistas do Paracuri.
Sobre o MPEG
O Museu Goeldi, atualmente está à frente de salvaguardar, a Coordenação de Ciências Humanas, a Coleção Etnográfica, composta atualmente por 15 mil objetos de diferentes categorias artesanais. É considerado como um dos maiores depositários de coleções etnográficas - históricas e modernas - do Brasil, assim como o Museu do Índio (Fundação Nacional do Índio – Funai) e o Museu de Arqueologia e Etnologia (Universidade de São Paulo).
Projeto Rede Amazônica de Tecnologia Social
O Projeto busca fortalecer o sistema de inovação e desenvolvimento de tecnologias sociais na região amazônica. As principais ações envolvem a disseminação e popularização do conhecimento e iniciativas que fortaleçam o campo da tecnologia social e o desenvolvimento sustentável da Amazônia, bem como a implantação e revitalização de unidades demonstrativas de tecnologia social do Inpa. O financiamento é feito pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq).