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Edição 2026
Troca de experiência científica marca término do Futuras Cientistas do Inpa
Foto e Banner: Kaylane Golvin- Ascom Inpa.
A roda de conversa para a troca de experiências sobre ciência, formação e trajetórias acadêmicas, marcou o fim das atividades do projeto "Inserção meninas e mulheres nas pesquisas sobre biodiversidade e mudança climática na Amazônia", com a participação do diretor do Inpa, Henrique Pereira, pesquisadoras, professores e estudantes envolvidas na imersão científica. Realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) ao longo do mês de janeiro, o Projeto é ligado ao Programa Futuras Cientistas, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Para o diretor do Inpa, Henrique Pereira, embora o Inpa seja um instituto das ciências biológicas, onde as mulheres têm uma participação importante e são a maioria na academia, as estudantes são mais numerosas e a docência do ensino médio é praticamente dominada pelas mulheres, as posições de comando continuam sendo ocupadas majoritariamente pelos homens, incluindo também as posições de comando dentro dos ambientes acadêmicos.
"O programa vem exatamente ao encontro dessa igualdade de gênero nesses espaços, estimulando essas meninas que estão concluindo o ensino médio a fazerem uma opção por uma carreira. E a nossa ideia de recebê-las aqui para essa residência, lhes dá a oportunidade de sentir e viver a experiência de ser uma cientista na área da ciência da natureza, da área das ciências biológicas. Esperamos que isso cause em algumas delas, a atração pela carreira de cientista", destaca o diretor.
A coordenadora do Projeto e bolsista do Programa de Capacitação Institucional (PCI/Inpa), Jucimara Santos, considerou positiva a experiência das participantes no projeto, por considerar o Inpa uma referência em estudo da biodiversidade. "Trazer um projeto desse, que abrange as meninas na fase ainda de escolha para a carreira profissional, é um estímulo para que elas percebam a importância de realizar boas escolhas", disse Jucimara.
Inscrita no projeto, após ser informada pela irmã, a aluna Jennifer Darcley, 17, estudante do 3º ano da Escola Estadual Ângelo Ramazzotti, relata sua experiência na imersão que abordou a biodiversidade e mudanças climáticas no Inpa, com interesse pela área para explorar possíveis graduações.
"A experiência é marcante para estudantes do ensino médio que estão indecisos sobre suas carreiras, pois proporciona contato com pesquisadores e um vislumbre da vida profissional", destacou Jennifer, agradecendo ao Inpa e ao Programa Futuro Cientista a oportunidade de vivenciar a rotina de pesquisa no campo, como a coleta de insetos.
Márcia Pinheiro, professora do Centro de Ensino em Tempo Integral (Ceti) Maria Isabel, que também participou do projeto, disse que a imersão científica mediante pesquisas, vivências em laboratórios e experimentações, com foco na biodiversidade amazônica e sua conservação, além da participação em palestras e experimentos, trouxe a ela outra visão sobre a floresta, a ciência e a importância da pesquisa. "Tenho interesse em continuar na área de pesquisa, considerando a possibilidade de fazer doutorado e, quem sabe, me vincular a instituições locais. As pesquisas em répteis, aves, mamíferos e biotecnologia foram as que mais me interessaram", completou a professora.
Diversidade de experiências científicas
No Inpa, o projeto iniciou dia 5 de janeiro com a participação de quatro bolsistas da rede estadual, sendo uma professora a Márcia Pinheiro da Silva e as alunas: Emily Monte, Jennifer Nascimento e Rayandra França, com o objetivo principal de promover a conscientização sobre a importância da participação feminina nas pesquisas sobre a Amazônia, sua sociobiodiversidade e mudanças climáticas por meio das experiências imersivas proporcionadas por diferentes laboratórios do Inpa.
Após realização de atividades práticas com a orientação de pesquisadores do Inpa em diferentes espaços do instituto, a coleta de macrofungos para conhecer a diversidade desses organismos no Bosque da Cência, e visitas e práticas no Laboratório Temático de Solos e Plantas (LTSP), Laboratório Temático de Biologia Molecular; Laboratório de Ecologia e Evolução de Vertebrados do Inpa e na Coleção de Anfíbios e Répteis do Inpa, além do aprendizado de campo na Reserva Florestal Adolfo Ducke, as participantes tiveram a chance de aflorar o interesse pela pesquisa científica e o desejo de optar por um curso superior em áreas de (STEM) Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Na Reserva, por exemplo, a imersão se deu no aprendizado direcionado por Itanna Fernandes, pesquisadora do Inpa, onde apresentou diversos métodos de coleta para animais artrópodes, muito usados em dissertações e teses no Inpa. Um exemplo desses métodos é a Armadilha de Queda, utilizada para a captura desses animais que habitam no solo.
Segundo Fernandes, é importante mostrar como ocorre o processo de coleta antes da chegada ao laboratório. “Apresentei tipos de armadilhas Passivas e Ativas mais utilizadas em campo. Na oportunidade, pude explicar como a Reserva Adolpho Ducke tem um valor significativo na contribuição de pesquisas realizadas por pesquisadores e alunos do Inpa”, acrescentou Itanna.
O encerramento presencial com a roda de conversa ocorreu no dia 27 de janeiro, no espaço de convivência da Editora do instituto. Já no dia 29 de janeiro as participantes apresentaram um relatório final de suas participações e experiências no projeto, numa apresentação online, junto a outras regiões do Brasil, em que ocorreu o Programa Futuras Cientistas.
Sobre o Programa Futuras Cientistas
O projeto "Inserção meninas e mulheres nas pesquisas sobre biodiversidade e mudança climática na Amazônia" faz parte do Programa Futuras Cientistas edição 2026, que está em sua 12ª edição e já impactou a vida de mais de 4 mil estudantes de todo o país. Este ano, o programa contou com a participação de 470 meninas de todos os estados do Brasil e Distrito Federal.
Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o programa Futuras Cientistas começou a ser realizado em 2012 pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene). Desde 2023, acontece com abrangência nacional. A iniciativa busca estimular o contato de alunas e professoras da rede pública de ensino com as áreas de STEM, a fim de contribuir com a equidade de gênero.




