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Segunda edição do ‘Café com Autores’ do Inpa traz obras científicas e de popularização da ciência
Autores das obras e técnicos da Editora Inpa. Foto Anne Karoline Menezes/Ascom Inpa
Na 2ª edição do “Café com Autores” do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) foram lançadas sete obras científicas e de popularização da ciência. As publicações buscam ampliar o diálogo entre ciência, cultura e sociedade e valorizar a produção e a difusão intelectual do Inpa, reconhecido por estudos sobre o funcionamento da maior floresta tropical do mundo e sobre sua biodiversidade.
Durante o evento, um autor de cada livro apresentou sua obra. Depois, eles conversaram com o público e autografaram exemplares dos cinco títulos disponíveis em versão impressa e doados aos participantes. Todas as obras estão disponíveis no formato e-book no site da Editora Inpa (https://www.gov.br/inpa/pt-br/editora/catalogo).
As edições refletem a diversidade de abordagens e o caráter interdisciplinar da pesquisa desenvolvida no Inpa, evidenciando o compromisso institucional com a produção de conhecimento científico de excelência e com a sua ampla socialização.
Confira as obras
De autoria da Rede BioAmazônia - Institutos de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade, a obra Caminhos para a ciência pan-amazônica, apresentada pelo diretor do Inpa e vice-presidente da Rede, Henrique Pereira, está em sua primeira edição. O livro é fruto do trabalho de 60 pesquisadores ligados aos oito institutos de pesquisa e inovação em biodiversidade de cinco países amazônicos que integram a Rede e apresenta reflexões sobre bioeconomia, governança local, gestão da biodiversidade e conflitos socioambientais, promovendo uma visão integrada para uma Amazônia viva.
“Essa obra foi preparada com muito esmero para ser uma leitura direta e agradável, capaz de marcar esse momento especial da Rede BioAmazônia na COP-30 e nos anos seguintes. As notas conceituais preparadas pelos grupos de trabalho delimitam os focos da agenda científica da Red, que vão desde a base do conhecimento da ciência sobre a biodiversidade amazônica, os conflitos e as ameaças à conservação da biodiversidade, até uma visão de saúde única e integral dos ecossistemas e das populações humanas”, destacou o diretor do Inpa, Henrique Pereira, vice-presidente da rede e um dos organizadores da obra .
Impactos ambientais
O livro “Emergência Climática e Sociobiodiversidade Amazônica” busca aproximar ciência e sociedade para enfrentar as emergências climáticas globais. É de autoria da pesquisadora do Inpa Fernanda Werneck, pesquisadores e alunos do Laboratório de Ecologia e Evolução de Vertebrados do (LEEV/Inpa - Jordana Guimarães Ferreira, Ana Paula Vieira de Oliveira, André Yves, Brena da Silva Gonçalves, Eliza Ribeiro Costa, Erasmo Andrade, Josué Azevedo, Leandro Moraes, Lucas Rosado Mendonça, Pedro Paulo Goulart Taucci, Raíssa Rainha e Felipe Zanusso -, produzido pelo Projeto BioClimAmazônia.Fernanda Werneck, líder do Laboratório de Ecologia e Evolução de Vertebrados (LEEVI/Inpa), voltado ao desenvolvimento de pesquisas sobre a biologia, a evolução e a conservação da biodiversidade, destacou que a edição é uma obra coletiva e discute os impactos das mudanças climáticas na biodiversidade amazônica, com foco em anfíbios e répteis. O livro apresenta dados científicos, infográficos e reflexões sobre justiça climática, conservação e o papel da ciência na mitigação dos efeitos do aquecimento global.
“A gente vem desenvolvendo pesquisas justamente para melhor entender como as alterações no ambiente, as mudanças climáticas, principalmente ocasionadas por ação humana, vêm afetando essas espécies aqui na Amazônia”, disse a pesquisadora .
Diversidade de anfíbios e répteis
Também de autoria de Fernanda Werneck, em conjunto com os integrantes do LEEVI William Nascimento, Felipe Zanusso, Jordana Ferreira e Geovana Almeida da Silva, a cartilha “A herpetofauna amazônica e as mudanças climáticas: vamos aprender colorindo?” é uma edição para colorir, feita especialmente para a criançada dar vida e cor aos animais que vivem na floresta Amazônica. A obra apresenta ilustrações da diversidade de anfíbios e répteis.
“O livro foi pensado para ser uma prática constante, que possa ser compartilhada com professores, escolas públicas e outras instituições, para que todos sejam agentes multiplicadores desse conhecimento”, destacou Jordana Ferreira, durante a apresentação da obra.
Reflorestamento
A edição “Cicatrizando Feridas: Recuperando Áreas Degradadas na Amazônia”, de autoria dos pesquisadores Rogério Gribel e Gil Vieira, reúne experiências práticas e estudos de caso sobre restauração ecológica na Amazônia, incluindo técnicas de reflorestamento, enriquecimento florestal com espécies nativas de valor econômico e ecológico e a importância das espécies facilitadoras. Destaque para espécies como copaíba, pau-rosa e castanheira da Amazônia.
A obra é um guia para técnicos, comunidades e gestores que atuam na recuperação de áreas impactadas por mineração, agricultura e exploração madeireira.
“Colocamos nessa obra esse conjunto de estudos de caso, aproveitando a experiência pretérita do Inpa nas décadas de 1990 e 2000 e, agora, no tempo recente, em áreas públicas em que o Inpa interveio. É o desafio de restaurar a floresta tropical e transformá-la em áreas que, novamente, cumpram suas funções”, frisou Gribel.
Conservação ambiental
“Vozes do Uatumã – Soltura de Peixes-bois da Amazônia como Ferramenta para Educação e Conservação” apresenta materiais educativos produzidos por professores e estudantes da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã (RDS), no contexto das ações de educação ambiental do projeto Manejo e soltura do peixe-boi da Amazônia, com o objetivo de sensibilizar comunidades e educadores para a conservação da biodiversidade aquática da Amazônia. São autores da obra Renata Vilar de Almeida, Louzamira Feitosa Biváqua, Diogo Alexandre de Souza e Vera Maria Ferreira da Silva.
A pesquisadora Vera da Silva destacou que o livro foi criado em colaboração com 16 escolas locais e comunidades da RDS, visando à conservação do peixe-boi e ao engajamento das comunidades na proteção do animal, por meio de atividades educativas, expressões artísticas (poemas, músicas) e jogos. “O objetivo é empoderar as comunidades, mostrando que a conservação só é eficaz com sua participação ativa”, afirmou a pesquisadora.
Educação ambiental
“Vamos Virar o Jogo: Tecendo na Amazônia a Educação Ambiental pelo Clima e pela Vida” é outra obra lançada pela Editora do Inpa, com Maria Henriqueta Andrade Raymundo, Luiza Magalli Henriques, Henrique dos Santos Pereira, Hendryo André e Marcos Sorrentino como autores. É uma coletânea de textos e reflexões resultantes do VIII Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa, realizado em Manaus, em julho de 2025.
A obra reúne experiências, análises e propostas de educadores, pesquisadores, gestores e ativistas de países lusófonos e da Galícia, visando fortalecer a educação ambiental como ferramenta ética, política e cultural para enfrentar a crise climática e socioambiental.
O diretor do Departamento de Educação Ambiental e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Marcos Sorrentino, ressaltou que a obra pode ser compreendida como um painel bordado a muitas mãos, buscando explicitar a problemática socioambiental e as possibilidades educativas comprometidas com a superação do atual estado de degradação social, ambiental e humana. “Fica o convite para vocês lerem e degustarem”, convidou o autor.
Alimentos da Amazônia
A 2ª edição da obra “Tabela de composição de alimentos da Amazônia”, do pesquisador Jaime Paiva Aguiar, traz conhecimento sobre a composição de mais de 180 alimentos, que vão de raízes, tubérculos, farinhas, hortaliças e verduras, cogumelos e plantas alimentícias não convencionais (PANC), importantes para a segurança alimentar e nutricional, cujo objetivo é gerar dados sobre a composição dos principais alimentos consumidos na Amazônia. Ao mesmo tempo, fornece subsídios aos epidemiologistas que estudam a relação entre a dieta e os riscos de doenças, bem como aos profissionais da prática clínica.
“Essa tabela atende à área de gastronomia, nutrição, saúde e também à agroindústria e até ao Instituto de Coração de São Paulo, que nos solicita informações para prescrever dieta aos pacientes. Já estamos na segunda edição revisada, em inglês e português”, ressaltou Paiva.






