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Festival Confluência transforma o Bosque da Ciência em palco de imaginação para o futuro da Amazônia
Foto: Lucciano Lima- Ascom Inpa.
O Bosque da Ciência reuniu a comunidade científica para um grande movimento de cultura amazônica, meio ambiente, gastronomia e música durante o “Festival CONFLUÊNCIA: reflorestar a imaginação”. Criado pelo Labverde, o projeto é uma colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Casa Líquida (SP).
Fortalecendo os territórios
Representando a diretoria do Inpa, o Coordenador-Geral de Pesquisa, Capacitação e Extensão, Jorge Porto, destacou a importância da retomada da parceria entre o LabVerde e o Inpa na promoção de ações que valorizam a floresta em pé. “Nosso instituto também cumpre um papel social e cultural muito importante na região. E isso tem muito a ver com a própria existência do Bosque da Ciência e o Paiol da Cultura que, durante muito tempo, o LabVerde atuou nessa parte de extensão”, falou.
“A participação com pesquisadores do Inpa, engajada com a cultura e a arte, mostra a relação direta com a ciência. Então, fomos muito felizes em receber, novamente, essa parceria que tem uma repercussão muito positiva”, completou o coordenador do Inpa.
Segundo a diretora do LabVerde, Lilian Fraiji, a nova edição ampliou o repertório de linguagens e experiências imersivas, fortalecendo a relação entre território, comunidade e produção de conhecimento científico e indígena. “Essa foi uma grande oportunidade de tecermos distintas vozes para o futuro da Amazônia, entrelaçando dados, linguagens, sensibilidades e o poder das artes para a conscientização”, destacou.
“A partir da convergência, o evento busca traduzir questões científicas complexas em linguagens acessíveis e poéticas, para ampliar a compreensão sobre o bioma amazônico e estimular o engajamento ambiental”, completou a idealizadora do LabVerde.
Programação plural
O evento teve como ponto de partida, a exposição 'As Formas do Invisível’ em parceria com o grupo Morfoanatomia Vegetal e Ilustração Científica (MAVIC/Ufam), e a performance ‘Pequena memória para um tempo sem memória’, com coreografia da artista Giselle Jardim. A programação seguiu com um coquetel amazônico preparado pelo buffet indígena Boca da Mata, da cozinheira e ativista Renatinha Peixe-boi. Paralelamente, a artista Carol Amaral assumiu a primeira atração musical, trazendo uma DJ list com uma seleção musical inédita da região amazônica.
Participando pela primeira vez do evento do LabVerde, o médico veterinário Fabrício Acipar, elogiou a diversidade na programação. “Eu gostei bastante da iniciativa, desde o ambiente do Bosque da Ciência que é muito agradável, à comida que estava fantástica, além da exposição em tecidos. Vejo que é uma forma muito legal de gerar interesse em pessoas que, geralmente, não estão por dentro desse movimento, mas possuem interesses em comum”, contou.
Os convidados interagiram com o painel ‘Reflorestar a Imaginação’, que iniciou na Ilha da Tanimbuca do Bosque e seguiu com os debates no Auditório da Ciência. Mediado pelo ator manauara, Adanilo, as falas coletivas de artistas, cientistas, ativistas e comunitários, mostrou ao público que imaginar futuros possíveis para a floresta é urgente e um compromisso sensível, político e criativo.
Participaram do painel a pesquisadora do Inpa Laynara Lugli, a jornalista Luciana Santos, a produtora cultural Loren Luniére, o artista Margem do Rio, o designer de moda Sioduhi, a ativista Regina Sateré Mawé e o adolescente Martín Vicentini.
“Quando o poder público deixa os artistas autorais do Amazonas fora dos palcos, empurra quem é daqui para o papel de figurante no próprio território. Acho importante que o Inpa e iniciativas com o LabVerde tragam estes debates para esses espaços, envolvendo a comunidade nesse processo que é fundamental”, destacou a produtora cultural, Loren Lunière.
Para fechar a programação, o Festival Confluência trouxe um show especial do artista manauara, Victor Xamã, com uma interação inédita com o artista paulistano Novíssimo Edgar. Juntos, delinearam ritmos contemporâneos com narrativas amazônicas, celebrando a potência urbana, ancestral e inventiva da cidade no coração da Floresta.
Sobre o Labverde
É uma premiada plataforma na área de Arte e Ecologia da Amazônia e dedicada ao desenvolvimento de novas linguagens e conhecimentos sobre o meio ambiente. Desde 2013, atua na produção e na democratização de conhecimento por meio da organização de vivências na floresta, palestras, seminários, imersões sensoriais, exposições, festivais, workshops e publicações.